Imposto do elétrico importado salta para 35% — mas tem uma brecha para os carros chineses

Nova alíquota para veículos totalmente montados encerra o cronograma iniciado em 2023, mas o governo reabre cota zero para kits de montagem

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Imposto de importação para carros elétricos totalmente montados passa a ser de 35% no Brasil (Foto: BYD | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 02/07/2026 às 21h00

Entrou em vigor nesta quarta-feira (1º) a nova alíquota de 35% do Imposto de Importação para carros elétricos totalmente montados e produzidos no exterior. Antes fixada em 25%, a tarifa chega ao teto e marca a última etapa do cronograma de recomposição tarifária anunciado pelo governo federal em novembro de 2023 para veículos eletrificados importados.

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A nova tributação atinge os modelos que chegam ao país no formato CBU (Completely Built Unit), prontos para a venda, sem qualquer etapa de montagem em território nacional. Segundo o governo, o objetivo é estimular a produção local e reduzir a dependência de veículos importados prontos.

Na contramão do aumento, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) reabriu uma cota de importação com alíquota zero para carros que chegam desmontados ou parcialmente desmontados e são finalizados em fábricas brasileiras. O benefício vale para os regimes CKD (totalmente desmontado) e SKD (parte da montagem feita no exterior) e cobre importações de até US$ 463 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2026 — a mesma janela que já vigorara entre agosto de 2025 e janeiro deste ano.

Ultrapassado o limite, os kits SKD passam a pagar 35% de imposto, enquanto os CKD seguem com alíquota de 14% até o fim de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, ambos serão tributados em 35%.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a manutenção da cota busca apoiar montadoras que implantam ou ampliam unidades no Brasil. A medida ficou associada à BYD, que iniciou a produção em Camaçari (BA) pelo sistema SKD e vem migrando gradualmente para os kits CKD. A fabricante chinesa lidera com folga o mercado nacional de elétricos: respondeu por 65,67% dos emplacamentos de modelos a bateria entre janeiro e maio de 2026, segundo nota técnica do próprio ministério.

Enquanto o governo sustenta que a política fortalece a indústria e atrai investimentos, associações do setor reagiram. A Anfavea afirmou que a decisão foi tomada “sem consulta ao setor produtivo” e altera uma diretriz estabelecida pelo próprio governo; a Fiesp também manifestou preocupação. As entidades avaliam que manter o benefício aos kits importados pode gerar desequilíbrio competitivo e reduzir a previsibilidade para a indústria de autopeças.

Para o consumidor, o efeito ainda é incerto: a alíquota cheia encarece os elétricos trazidos prontos, mas o eventual repasse aos preços dependerá da estratégia comercial de cada montadora.

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