Índia libera carro flex com etanol puro, 23 anos depois do Brasil
Governo indiano incluiu o E100 e o E85 nas normas de homologação; combustíveis só valem para modelos flex certificados pelas montadoras
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 28/10/2026 às 10h00
O governo da Índia deu mais um passo significativo para impulsionar a transição energética e incentivar o uso de biocombustíveis no país asiático. O Ministério de Obras Rodoviárias e Transportes atualizou oficialmente as regras centrais de veículos motorizados do país para incluir formalmente o etanol puro (E100), além da mistura E85, nas normas de emissões voltadas a automóveis com tecnologia flex. Esta mudança regulatória, que entrou em vigor de forma imediata após a notificação oficial, estabelece um direcionamento jurídico e técnico definitivo para que as montadoras possam certificar e introduzir comercialmente esses modelos no mercado local.
Com a nova alteração, as tabelas regulatórias de emissões passaram a contemplar o E20 ao lado do E10 na coluna de gasolina, enquanto as especificações de biodiesel foram ampliadas para abranger o padrão B100. Outra alteração técnica importante foi a elevação do limite de peso bruto para os veículos enquadrados nessas normas, que subiu de 3.000 kg para 3.500 kg, acompanhando a correção de inconsistências presentes em tabelas anteriores que vinham sendo debatidas desde a publicação de uma minuta preliminar para consulta pública no primeiro semestre.
A pasta responsável destacou que os motores flex possuem sistemas automatizados capazes de se ajustar instantaneamente conforme a proporção de etanol inserida no tanque de combustível. A tecnologia em questão já possui histórico consolidado de funcionamento em mercados internacionais de destaque, como os Estados Unidos e o próprio Brasil. Do ponto de vista econômico e ambiental, a administração indiana argumenta que a expansão na adoção de biocombustíveis atua diretamente na redução das importações de petróleo bruto, diminui as emissões poluentes pelo escapamento e corrobora diretamente com a meta oficial de alcançar a neutralidade de carbono até o ano de 2070.
Apesar da abertura legal para a nova matriz energética nos transportes, especialistas e autoridades locais reforçam que o abastecimento com E100 e E85 é restrito estritamente a veículos concebidos de fábrica para essa finalidade específica. Veículos tradicionais, calibrados para misturas menores, não são compatíveis com proporções puras. A recomendação padrão aos motoristas é que sempre confiram o manual do proprietário e verifiquem o adesivo oficial de compatibilidade de combustível antes de realizar qualquer operação nas bombas.
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