Estudo aponta a peça mais difícil de repor em carros chineses no Brasil
Levantamento da Autoglass separa em três grupos os modelos cuja peça pode demorar mais de 90 dias para chegar; chineses recém-lançados estão na lista
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 17/09/2026 às 16h00
Atualizado em 17/09/2026 às 16h24
Se a peça do seu carro sumiu do mercado, o problema pode não ser da oficina. Um levantamento da Autoglass, empresa de vidros e peças automotivas, identificou os três grupos de veículos que hoje concentram as maiores dificuldades de reposição no Brasil, e os chineses estão na conta.
O mapeamento partiu do banco de dados da companhia e de seu sistema de estoque inteligente, que cruza histórico de demanda, perfil da frota regional, oferta de fornecedores e probabilidade de substituição por modelo e ano.
Em parte dos casos, a espera ultrapassa 90 dias e o custo chega a inviabilizar o conserto. Veja quem está em cada grupo.
Os chineses recém-chegados
A dificuldade nesse caso está ligada à velocidade da expansão das marcas e à consolidação ainda parcial da cadeia de reposição local. Modelos como MG4, Denza B5 e Geely EX5 enfrentam obstáculos na obtenção de vidros, tanto pela oferta limitada quanto pela identificação correta das peças, já que muitos recebem adaptações específicas para o mercado brasileiro.
A picape BYD Shark aparece por outro motivo: o formato tem pouca representatividade no mercado chinês, onde picapes enfrentam restrições de circulação em grandes centros, o que limita a oferta de componentes.
O contraste é grande com o ritmo de vendas — de janeiro a agosto deste ano, as marcas chinesas responderam por 17,8% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves, segundo a Fenabrave.
Os clássicos e fora de linha
Os veículos descontinuados há mais de uma década dependem de estoques remanescentes, remanufatura ou importação sob encomenda — o que torna os prazos imprevisíveis e encarece o reparo.
Entram nessa lista o Fiat Punto (2008 a 2012) e o Fiat Doblò (2010 a 2021), além de gerações anteriores do Volkswagen Polo (2007 a 2015) e do Golf (2008 a 2014), com dificuldade concentrada em componentes de iluminação.
Clássicos como Chevrolet Kadett, Monza e Chevette completam o panorama. O grupo tende a crescer: a idade média dos autoveículos em circulação no país chegou a 11 anos em 2025, e a dos automóveis, a 11 anos e 5 meses, segundo o relatório de frota circulante do Sindipeças.
Carros europeus de luxo
São os casos mais extremos: a Ferrari SF90 Spider, o Lamborghini Huracán LP 580-2 e o Maserati Levante GT lideram a dificuldade de reposição. Em muitos casos, as peças dependem de importação e de uma única concessionária autorizada no país, o que estica o prazo.
Esportivos e utilitários de luxo como Porsche Cayenne S Coupé e 911 GT3 também aparecem, com componentes que podem levar de 60 a 90 dias para chegar ao Brasil.
“O aumento da diversidade da frota brasileira exige um trabalho estratégico na gestão dos estoques. Hoje não basta acompanhar apenas os itens de maior giro”, afirma Flávio Cezario, vice-presidente da Autoglass.
Segundo ele, prever quais peças terão maior probabilidade de reposição, mesmo em veículos de baixa circulação, é o caminho para reduzir a espera do consumidor.
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