Lei feita para barrar a China nos EUA pode acabar banindo a Mercedes-Benz

Nova legislação foca na composição acionária e pode anular isenções da marca alemã devido à participação de 19,7% de investidores chineses

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Mercedes tem forte produção nos EUA, mas sócios chineses seriam o problema (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/06/2026 às 10h00
Atualizado em 03/06/2026 às 10h15

A Mercedes-Benz pode se tornar um alvo acidental da ofensiva do governo dos Estados Unidos para conter a influência chinesa na indústria automotiva dos Estados Unidos. Um projeto de lei em tramitação no Congresso americano — a Lei de Modernização de Veículos Motorizados — quer barrar montadoras ligadas a governos considerados adversários, e a medida protecionista pode atingir em cheio a fabricante alemã.

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O problema não é a fábrica, e sim a composição acionária

O foco da proposta não está em onde os carros são produzidos. A Mercedes mantém forte presença industrial em solo americano: monta veículos no Alabama há décadas, opera uma fábrica de vans na Carolina do Sul e emprega cerca de 10 mil pessoas no país. Há pouco, celebrou 5 milhões de unidades fabricadas nos EUA e transferiu para lá a produção do SUV GLC.

O obstáculo está na composição acionária da matriz, que traz participações da BAIC — empresa estatal controlada pelo governo chinês — detém pouco menos de 10% das ações da Mercedes. Além disso, Li Shufu, presidente da fabricante chinesa Geely, tem outra fatia de quase 10% do bolo.

Há cinco anos, isso não seria um problema. A legislação prevê isenções para montadoras tradicionais que produzem nos EUA há anos — mas uma cláusula específica anula a proteção quando a empresa tem propriedade, direta ou indireta, vinculada a um governo adversário. Segundo a CNBC, é justamente nesse ponto que a participação da BAIC abre espaço para questionamentos.

O CEO da Mercedes, Ola Källenius, diz estar confiante de que a questão será resolvida sem grandes dramas. O executivo afirma que a companhia pode ajustar sua estrutura de propriedade, se for necessário, e já negocia com os legisladores para preservar a operação. O mercado americano é vital para a alemã, que emplacou mais de 300 mil veículos de passageiros no país no ano passado e quer ampliar o número.

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1 Comentário
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Polvo 3 de junho de 2026

Não tem como fugir dos chineses, quase tudo que compramos vem de lá e se não vier, a fábrica que produz tem participação acionária de chineses. Caminho sem volta.

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