Magnata do cobre encomenda Maserati com carroceira toda feita do metal
Modelo único da GFG Style, de Fabrizio Giugiaro, foi encomendado por Carlos Peralta, cujo grupo fabrica produtos de cobre no México
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 30/10/2026 às 11h00
Alumínio e fibra de carbono são os materiais preferidos de quem quer um carro leve. O Peralta D foi na direção oposta: tem carroceria de cobre, metal mais pesado que o aço.
O cupê de quatro lugares é feito sobre a base do Maserati GranTurismo, teve a carroceria martelada inteiramente à mão e deve ter custado mais de R$ 5 milhões, pelas contas do AutoPapo. Modelo único, foi apresentado no último sábado (24) no Pastejé Automotive Invitational, encontro de carros de coleção no México.

Por trás dele estão Fabrizio Giugiaro, do estúdio italiano GFG Style, e o empresário mexicano Carlos Peralta, que encomendou o carro. Fabrizio é filho de Giorgetto Giugiaro, autor de clássicos como o DeLorean e o Fiat Uno.
O metal não é estranho ao cliente: Peralta preside o Grupo IUSA, conglomerado cuja empresa mais antiga fabrica cabos, tubos e outros produtos de cobre.
A GFG Style não divulga valores. A estimativa parte do Peralta S, de dois lugares e carroceria de alumínio, que a imprensa internacional calcula ter custado mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões). Só o GranTurismo usado como base sai por cerca de R$ 1,1 milhão na Europa.
Por que o cobre é uma escolha improvável

O cobre é mais de três vezes mais denso que o alumínio e cerca de 14% mais denso que o aço. Não por acaso, praticamente nenhum carro tem a carroceria feita dele.
O metal também é caro: a tonelada foi negociada a cerca de R$ 77 mil (US$ 14,7 mil) nesta semana na Bolsa de Metais de Londres, mais de 25% acima do preço de um ano atrás.
No Brasil, o valor do cobre é tão alto que o furto de fios virou dor de cabeça para empresas de energia, telefonia e transporte sobre trilhos.
Há ainda a questão da cor. Sem proteção, o cobre escurece com o tempo e pode ganhar uma pátina esverdeada, como a da Estátua da Liberdade, revestida do mesmo metal. A própria GFG Style descreve o material como nobre, maleável e delicado.
Cobre até nas taças

O cobre ocupa toda a metade de baixo da carroceria. A parte de cima é de vidro espelhado, tratado para ter a mesma tonalidade do metal. Por baixo, há estrutura de fibra de carbono e chassi de alumínio.
O Peralta D não tem portas convencionais: uma cobertura em forma de cúpula se abre em um único movimento, como no Peralta S, feito para o mesmo cliente sobre o Maserati MC20, com carroceria de alumínio.
Atrás, uma abertura do tipo asa de gaivota facilita o acesso aos bancos traseiros. A solução se inspira no De Tomaso Mangusta, desenhado por Giorgetto em 1967.

Na cabine, o tema continua. As costuras dos bancos e do painel são feitas com fios de cobre de verdade, e o couro tem efeito metálico no tom da carroceria.
No console traseiro, uma geladeira retrátil guarda uma garrafa de champanhe e quatro taças — de cobre, claro.
Do lado do passageiro, o painel tem uma estação de maquiagem, com tela que vira espelho iluminado. O detalhe tem a ver com o nome: o D homenageia as filhas de Peralta e a palavra italiana donne (mulheres). O Peralta S era dedicado aos filhos do empresário.
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