Marca vietnamita que fracassou nos EUA desova 500 carros elétricos como táxis em Los Angeles
Frota de táxis supera as 389 unidades que a VinFast emplacou nos EUA até julho; concessionárias ainda tentam vender modelos 2024 com descontos
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 20/10/2026 às 08h00
A VinFast, marca vietnamita de carros elétricos que não fez sucesso nos Estados Unidos, encontrou outro jeito de colocar seus SUVs nas ruas do país: transformá-los em táxis.
A Green SM, empresa de transporte por aplicativo do mesmo dono da montadora, começou a operar em Los Angeles em 13 de outubro com uma frota de 500 VinFast VF8.
O número supera tudo o que a VinFast vendeu no país neste ano. Foram 389 emplacamentos de janeiro a julho, queda de 63% sobre o mesmo período de 2025, segundo a S&P Global Mobility.
Enquanto isso, as concessionárias ainda tentam vender unidades do VF9 ano-modelo 2024 e do VF8 2025, com descontos de quase R$ 100 mil (US$ 20 mil).
Empresa do mesmo dono
A Green SM foi criada em 2023 pelo bilionário Pham Nhat Vuong, fundador do conglomerado Vingroup, dono da VinFast. Ele tem 95% da empresa, que só usa carros da marca.
A estratégia já foi usada no Vietnã: em dois trimestres de 2023, a Green SM comprou cerca de dois terços dos carros elétricos vendidos pela VinFast, segundo a Reuters.
Em Los Angeles, o serviço funciona de um jeito diferente do Uber. A Green SM é dona dos carros e contrata os 500 motoristas como funcionários, com turnos fixos.
As corridas podem ser pedidas pelo aplicativo, por telefone ou na rua, com preços parecidos com os do Uber Comfort. As cinco primeiras viagens têm 50% de desconto, limitado a cerca de R$ 60 (US$ 12) por corrida.
Fábrica adiada
Os táxis chegam enquanto o plano americano da VinFast encolhe. A fábrica de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) na Carolina do Norte, que deveria produzir carros desde 2024, ficou para 2028.
Em maio, o governo do estado foi à Justiça para retomar o terreno, alegando prazos de obra descumpridos. A VinFast contesta.
Em 2025, a montadora teve prejuízo de US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões).
Mesmo assim, a marca afirma que segue comprometida com os EUA e prepara três novas concessionárias, duas na Califórnia e uma na Filadélfia.
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