Mercedes-Benz banida dos EUA? Entenda por que a marca alemã entrou na mira de lei anti-China
Proposta veta montadoras com mais de 15% de capital chinês; a estatal BAIC e o dono da Geely somam quase 20% das ações da fabricante alemã
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 05/10/2026 às 10h00
O senador republicano Bernie Moreno, um dos autores do projeto de lei que pretende banir dos Estados Unidos veículos ligados à China, afirmou que a Mercedes-Benz não será impedida de vender carros no país. A declaração veio depois que o senador Rand Paul, do mesmo partido, apontou que o texto, como está redigido, poderia tirar a marca alemã do mercado norte-americano.
O problema está em um dos dispositivos da proposta, que proíbe empresas com mais de 15% de participação chinesa de vender veículos nos EUA. Hoje, a estatal BAIC (Beijing Automotive Group) detém 9,98% da Mercedes-Benz e é sua maior acionista individual, enquanto Li Shufu, fundador e presidente da Geely, controla outros 9,69% por meio de uma empresa de investimentos. Somadas, as fatias chegam a quase 20%.
“Não vamos ter o presidente dos Estados Unidos assinando um projeto de lei, nem ele assinaria, que bane a Mercedes-Benz dos Estados Unidos da América”, disse Moreno, segundo o Washington Post. “Temos que descobrir uma forma de administrar tudo isso.”
Volvo e Aston Martin também na mira
Moreno, que divide a autoria do projeto com a senadora democrata Elissa Slotkin, questionou se a Mercedes-Benz conseguiria reduzir a participação chinesa para menos de 15% sem prejudicar a própria empresa. Ele também reconheceu que será preciso encontrar uma saída para a Volvo, controlada majoritariamente pela Geely. A Aston Martin é outra que seria atingida, já que a Geely possui 17% da fabricante britânica.
Em julho, quando o texto foi aprovado pela Comissão de Comércio do Senado, Moreno argumentou que as restrições só entrariam em vigor em 2030 e que haveria um processo de pedidos de isenção. Na mesma época, segundo a Bloomberg, a Mercedes-Benz passou a pressionar parlamentares para flexibilizar a proposta.
O senador tem vínculos com a marca. Ele foi dono de uma concessionária Mercedes-Benz em Ohio, vendida em 2019, e seu filho é sócio de uma nova revenda da marca no estado, de acordo com o site especializado CBT News.
Votação fica para depois das eleições
Batizado de Connected Vehicle Security Act, o projeto foi apresentado em abril e amplia uma regra adotada no governo Joe Biden que, na prática, já impede a venda de carros chineses nos EUA. A proposta proíbe a importação, a fabricação e a venda de veículos com hardware e software de origem chinesa, sob o argumento de segurança nacional. Slotkin chegou a chamar os carros chineses de “pacotes de vigilância sobre rodas”.
Moreno tentou aprovar o texto em regime de urgência antes do recesso do Senado, que vai até novembro, mas não obteve o consentimento unânime exigido para isso. Segundo Slotkin, Paul é o único senador contrário. Ele disse à Reuters considerar o projeto um ataque injusto à Mercedes-Benz e afirmou que deixaria de se opor caso a montadora fosse excluída.
Com o impasse, a votação deve ficar para depois das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, quando os norte-americanos renovam toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
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