Nissan caminha para o pior ano de vendas mundiais desde 2003
Em reestruturação, montadora japonesa corta 20 mil empregos e fecha sete fábricas enquanto as vendas globais acumulam queda de 9,2%
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 08/10/2026 às 20h00
Em séria crise, a Nissan registrou um aumento nas vendas dos EUA que trouxe alívio passageiro: a alta não compensa as perdas na China e em outros mercados.
A marca entregou 1.932.790 veículos no mundo até agosto, queda de 9,2%, e pode fechar 2026 com cerca de 2,9 milhões de unidades.
Se confirmado, será o pior resultado da Nissan desde 2003, quando vendeu 2,968 milhões de carros. Para passar de 3 milhões, seriam necessárias quase 267 mil unidades por mês entre setembro e dezembro, ritmo 29% acima do de agosto.
Para Sam Fiorani, vice-presidente da consultoria AutoForecast Solutions, a recuperação esbarra na concorrência, na renovação dos modelos, na economia e nos juros altos.
China responde por mais da metade da queda
Na China, segundo maior mercado da Nissan, as vendas recuaram 27% até agosto, para 289.410 unidades, e caíram 52% só em agosto. Em 2018, no auge, foram cerca de 1,5 milhão.
Michael Dunne, da consultoria Dunne Insights, projeta menos de 450 mil vendas no país em 2026. Para ele, a rápida migração para os carros elétricos desde 2020 prejudicou a marca, cujos lançamentos não convenceram em equipamentos e software.
A pressão das montadoras chinesas também chega a Indonésia, Filipinas e Tailândia. Fora da Ásia, as quedas são de 16% no Canadá, 12% na Europa e 14% em outros mercados, como o Oriente Médio.
Aposta nos Estados Unidos
As entregas nos EUA subiram 0,6% até setembro, para 716.283 veículos. As vendas ao consumidor final cresceram 8,1% até agosto, um terço do total mundial da marca nesse canal.
Christian Meunier, presidente da Nissan Americas, quer chegar a 1 milhão de vendas anuais no país até o fim de 2027. Para isso, a marca aposta no Rogue e-Power híbrido, previsto para novembro, e em financiamento sem juros em 60 meses.
Paralelamente, a Nissan passa por uma reestruturação comandada pelo CEO Ivan Espinosa, que prevê economia de US$ 3,1 bilhões, corte de 20 mil empregos (15% do quadro global) e fechamento de sete fábricas.
No Brasil, a marca lançou no fim de 2025 o Kait, SUV compacto produzido em Resende (RJ) que substituiu o Kicks Play e deve ser exportado para mais de 20 países.
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