Novo curso de motorista da Presidência inclui manobras sob tiros e prova de ressuscitação

Treinamento do GSI abrange direção defensiva, tiro e atendimento tático para garantir a proteção do presidente e vice-presidente

Planalto isac nobrega pr 660x372 1
Motoristas presidenciais passam por intenso treinamento antes de assumirem o volante (Foto: Reprodução)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/05/2026 às 10h00

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República deu início, na última segunda-feira (4), a uma nova edição do Estágio de Qualificação de Condutor de Veículos de Segurança. O treinamento, conduzido pela Coordenação de Segurança de Autoridades (CSA), reúne 28 agentes selecionados de diversas instituições, incluindo integrantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, além de membros das polícias Militar e Federal. O objetivo central é o aprimoramento técnico para a proteção do presidente e do vice-presidente da República, bem como de seus familiares.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Seguir AutoPapo no Google

VEJA TAMBÉM:

Rigor tático e integração de forças

A qualificação é estruturada para responder a cenários de alto risco e exige um nível de prontidão elevado dos condutores. A grade curricular abrange áreas críticas como escolta motorizada — tanto para autoridades individuais (VIP) quanto em comboios — e técnicas avançadas de condução evasiva, essenciais para a neutralização de ameaças em deslocamentos urbanos ou rodoviários. O uso de simuladores de direção de última geração permite a reprodução de incidentes sem os riscos da pista real, otimizando o aprendizado antes das manobras práticas.

Além da habilidade ao volante, o cronograma inclui instruções de inteligência e contrainteligência, armamento e tiro, e condicionamento físico específico. Um dos pilares do curso é o atendimento pré-hospitalar tático (APH), que prepara o agente para prestar socorro imediato em caso de atentados ou acidentes graves até a chegada de suporte médico especializado.

A engenharia da frota presidencial

Para que os condutores possam aplicar as técnicas de evasão com eficácia, a frota que atende à Presidência da República — composta por sedãs e SUVs de alto padrão — é submetida a rigorosos processos de modificação estrutural. Os veículos oficiais geralmente contam com blindagem de Nível III, em uma especificação de uso restrito, desenhada para suportar disparos de fuzis de assalto e estilhaços de artefatos explosivos.

O pacote inclui vidros balísticos com dezenas de milímetros de espessura, cintas de aço nas portas, assoalho reforçado contra granadas e pneus com tecnologia run-flat, que permitem ao veículo continuar rodando por dezenas de quilômetros mesmo após serem perfurados. Para compensar o sobrepeso, que pode adicionar quase uma tonelada ao conjunto, a mecânica exige redimensionamento severo. As suspensões são reforçadas, os freios ganham compostos de alta performance e os motores precisam de fôlego extra, frequentemente entregando configurações na casa dos 250 cv e 38,7 kgfm, garantindo respostas ágeis em retomadas de emergência.

A física nas manobras de fuga

O peso extra da blindagem altera drasticamente a dinâmica veicular do automóvel, exigindo uma técnica de pilotagem completamente diferente da condução civil. É neste ponto que o treinamento do GSI se mostra fundamental. Durante o estágio, os agentes são levados ao limite da física para entender como o centro de gravidade elevado e o peso das portas afetam o balanço do carro em curvas de alta velocidade.

No asfalto e em terrenos de baixa aderência, os motoristas treinam exaustivamente manobras táticas de sobrevivência. O repertório inclui o J-turn (conhecido popularmente como cavalo de pau em marcha à ré, usado para retornar 180º em vias bloqueadas sem perder velocidade), técnicas de abalroamento seguro para romper barricadas e o controle de derrapagem (drifting) sob fogo simulado. A doutrina principal ensinada aos condutores é clara: em caso de emboscada, o veículo não é uma trincheira para combate, mas sim a ferramenta para tirar a autoridade da “zona de matança” (kill zone) no menor tempo possível.

Newsletter
Receba diariamente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário