Os carros elétricos da Xiaomi são um sucesso. Por que ela decidiu apostar na gasolina em novo SUV?
A linha de SUVs da Xiaomi, que inclui os modelos N70 e N90, aposta em baterias de 76 kWh para conquistar o mercado chinês com versatilidade e eficiência
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 16/07/2026 às 19h00
A Xiaomi deu mais um passo em sua ofensiva no disputado mercado automotivo chinês — e, desta vez, mudou de rota. A fabricante detalhou, nesta quinta-feira (16), a nova família Skynomad, formada pelos SUVs N70 e N90, que marcam a estreia da marca no segmento dos elétricos de autonomia estendida (EREV). Segundo a companhia, todos os modelos da linha serão equipados com um pacote de baterias ternárias de NMC de 76 kWh, fornecido pela CALB, capaz de garantir até 505 km rodando apenas no modo elétrico pelo ciclo chinês CLTC. O conjunto ainda impressiona pelo peso: apenas 400 kg.


Aposta na gasolina
A mudança de estratégia é significativa, pois, até aqui, a Xiaomi havia apostado exclusivamente em modelos 100% elétricos para se firmar no setor. Agora, adota a arquitetura REEV (elétrico com extensor de autonomia), que alia o rodar elétrico do dia a dia a um reforço a combustão para trajetos longos — fórmula que vem conquistando o consumidor chinês por driblar a ansiedade de autonomia e que já rende bons frutos a rivais como Li Auto, AITO e Deepal.
Na prática, o motor a combustão não move as rodas: um propulsor 1.5 de 150 cv, fabricado pela Harbin Dongang, subsidiária da Changan, funciona apenas como gerador para recarregar a bateria. Com o pacote esgotado, o consumo fica entre 16,4 km/l e 15,9 km/l, conforme o porte do SUV. Um adendo de contexto é necessário: os 505 km seguem o otimista ciclo CLTC; sob o padrão WLTC, mais rígido, a autonomia recua para a faixa de 363 a 380 km.

A linha Skynomad
O Skynomad N70 tem cinco lugares, 4,96 metros de comprimento e entre-eixos de 2,95 metros. Pode ser configurado com um motor traseiro de 282 cv ou com um sistema de tração integral que eleva a potência combinada a 416 cv. Documentos regulatórios anteriores também apontaram uma versão de entrada mais em conta, com bateria de fosfato de ferro e lítio (LFP) de 52 kWh, da Sunwoda.
Já o topo de linha N90 é um SUV de porte avantajado: são 5,28 metros de comprimento, seis lugares, tração integral e os mesmos 416 cv de potência combinada. Em prévias divulgadas pela própria Xiaomi, o modelo apareceu com interior de inspiração minivan e bancos dianteiros capazes de girar 180 graus.


O momento da revelação não é casual. A Xiaomi fechou o primeiro semestre de 2026 com 185.055 unidades emplacadas, alta de 17,2% ante o mesmo período do ano passado, e persegue a meta ousada de 550 mil carros vendidos até o fim do ano. A expectativa da empresa é que a série Skynomad se torne o principal pilar para viabilizar esse número. A estreia oficial do N90 está marcada para 21 de agosto, no Salão do Automóvel de Chengdu, um dos principais eventos do setor no país.


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Há uma tendência muito lógica em se adotar sistemas híbridos em-série como garantia contra aborrecimentos em veículos elétricos, livrando-os da dependência de se encontrar uma tomada elétrica salvadora longe de casa ou em plena estrada.
Não duvido que em breve tal recurso passe a equipar também carros não-premium.






