O diesel não morreu, e virou estratégia da Stellantis para enfrentar carros chineses

Stellantis volta a apostar no combustível fóssil em modelos de passageiros e comerciais após demanda por elétricos estagnar na Europa

Peugeot 308 SW
Carros a diesel da Stellantis ainda são interessantes e não têm contrapartidas chinesas (Foto: Peugeot | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/05/2026 às 18h15

O grupo Stellantis está promovendo uma mudança estratégica em seu portfólio europeu para enfrentar a estagnação do mercado de veículos elétricos e o avanço das fabricantes chinesas. Ao contrário da tendência global de eletrificação total, a companhia decidiu reintroduzir motorizações a diesel em diversos modelos de passageiros na Europa. A movimentação ocorre após a demanda por modelos a bateria ficar abaixo das expectativas, forçando o grupo a buscar alternativas de rentabilidade imediata.

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Barreira tática contra a ofensiva chinesa

A retomada do diesel funciona como uma “zona de exclusão” contra as marcas chinesas, como BYD e MG, que focam massivamente em elétricos e híbridos plug-in. Como as novas entrantes saltaram a fase de desenvolvimento de motores a diesel modernos, a Stellantis ocupa um espaço técnico onde os rivais ainda não conseguem competir. Entre os modelos que voltam a oferecer o combustível estão as vans Opel Combo, Citroën Berlingo e Peugeot Rifter, além dos sedãs e hatches Peugeot 308 e Opel Astra.

O fator financeiro foi determinante para a guinada. A Stellantis registrou recentemente encargos de 22,2 bilhões de euros (cerca de R$ 128,7 bilhões) decorrentes de baixas contábeis relacionadas às metas frustradas de veículos elétricos. Além disso, o cenário político global, incluindo a flexibilização de metas de emissão na União Europeia e a desregulamentação ambiental nos Estados Unidos, aliviou a pressão sobre o fim dos motores térmicos.

Resistência no segmento premium

No segmento de luxo, a demanda por autonomia e torque em longas distâncias garantiu a manutenção do diesel para modelos como o DS 7 e a linha da Alfa Romeo (Giulia e Stelvio). Embora a participação do diesel no mercado europeu tenha despencado de 50% em 2015 para apenas 7,7% em 2025, o combustível ainda é visto como uma solução de custo-benefício para frotistas e motoristas que percorrem grandes quilometragens mensais. Para a Stellantis, o motor que muitos consideravam obsoleto tornou-se um escudo vital para preservar sua fatia de mercado.

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2 Comentários
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gabriel 21 de maio de 2026

A demanda por elétricos estagnou porque os carros elétricos só são viáveis para trajetos 100% previsíveis devido às consequências do simples fato de que baterias não armazenam eletricidade, e sim energia química. se quiserem vender elétricos para a fatia restante da população, vão ter que inventar um sistema de alimentação sem conversão de entrada antes que todo mundo desista dos veículos elétricos pela quinta vez em 200 anos.

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Nelson Carrico Filho 7 de maio de 2026

Será que o governo federal vai permitir que essas versões sejam comercializadas por aqui? DUVIDO MUITO!

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