Fabricantes reagem contra ilegalidade do novo teor de etanol na gasolina

Sem novos testes técnicos, medida do governo viola a legislação e gera forte resistência da indústria por riscos mecânicos e prejuízo econômico

motos paradas em trânsito aplicativo passageiros
Motos serão os veículos mais prejudicados com a nova mistura (Foto: Shutterstock)
Por Boris Feldman
Publicado em 06/05/2026 às 19h10
Atualizado em 07/05/2026 às 11h35

As entidades ligadas à produção de automóveis e motocicletas decidiram bater de frente contra um absurdo: a pretensão já confirmada do governo de elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% “na marra”, sem realização de ensaios prévios (“provisoriamente, por 180 dias”).

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O presidente Lula chegou a afirmar que os testes já foram realizados. Mentira. O que ocorreu foram ensaios (no ano passado) com o teor de 32% apenas como margem de tolerância quando o etanol subiu de 27% para 30%. É básico: se o objetivo agora é fixar o padrão em 32%, os novos testes de validação precisam, obrigatoriamente, serem feitos com 34% de etanol para garantir a mesma segurança técnica.

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Desta vez, a resistência é ampla. A Anfavea (associação das montadoras), o setor de autopeças (Sindipeças) e a Abeifa (associação dos importadores) já se manifestaram formalmente –  em documento assinado conjuntamente – contra o novo aumento. Só chama a atenção o silêncio da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), que deveria estar defendendo o consumidor, quem paga a conta na bomba. Pois outra mentira do governo é “explicar” que o aumento do consumo de combustível provocado pelo novo teor de etanol seria compensado pela redução do preço da gasolina na bomba. Nunca foi.

No entanto, a manifestação mais contundente e objetiva veio da Abraciclo, entidade que representa os fabricantes de motocicletas, que contesta a ideia de empurrar esse novo teor “goela abaixo”.

Abraciclo bate de frente com o governo

A Abraciclo é clara: o aumento de 27% para 30% de etanol na gasolina já trouxe falhas graves. No caso das motos, os problemas são muito mais acentuados do que nos automóveis. Entre os principais defeitos relatados estão:

  • Dificuldade de partida em manhãs frias;
  • Falhas em retomadas de aceleração, o que compromete diretamente a segurança do motociclista em situações de ultrapassagem ou inclinado em curvas.

Além do risco físico, há também o econômico. Como fica o comércio internacional? O acordo Mercosul/União Européia incentivou a exportação de produtos brasileiros para a Europa e vice-versa. Mas lá o etanol varia entre 5% e 10%. Se nossas motos não forem compatíveis com o padrão global, a indústria nacional terá que investir fortunas para desenvolver modelos “especiais” apenas para atender a gasolina europeia. Isso eleva custos, reduz escala, encarece o produto final e inviabiliza as exportações – prejudicando a competitividade.

O prejuízo para a indústria e o comércio exterior

Além do risco físico, há o risco econômico. Como fica o comércio internacional? O Brasil exporta para a Europa e vice-versa, mas lá o etanol varia entre 5% e 10%. Se nossas motos não forem compatíveis com o padrão global, a indústria nacional terá que investir fortunas para desenvolver modelos “especiais” apenas para atender a gasolina europeia. Isso eleva custos, encarece o produto final e inviabiliza as exportações – prejudicando a competitividade.

Quem ‘garante a garantia’?

Há também uma questão de responsabilidade jurídica. Se uma moto apresenta defeito causado pelo excesso de álcool, para o qual ela não foi projetada, a fábrica acaba sendo responsabilizada injustamente por um problema provocado pelo combustível.

A Abraciclo reforça que nunca foi contra o biocombustível. Pelo contrário, existe um apoio rigoroso ao etanol. Mas se indignou quando, no aumento do teor de 27% para 30%, ela participou da comissão que analisou a proposta, manifestou-se contra mas não foi ouvida. A aprovação de novos teores (biodiesel no diesel, etanol na gasolina) é de responsabilidade do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do Ministério de Minas e Energia. Que não trata do assunto (como deveria) técnica, mas politicamente.

Aumentar o teor sem ensaios rigorosos não é apenas uma imprudência técnica, é uma ilegalidade. A Lei do Combustível do Futuro é cristalina: o aumento do teor de etanol na gasolina (ou do biodiesel no diesel) só pode ocorrer mediante ensaios que comprovem a viabilidade técnica. A Abraciclo não concorda que os ensaios sejam apenas de dirigibilidade, mas também os de longo prazo, para se verificar a compatibilidade dos componentes com o novo percentual do álcool.

O que muitos sugerem são medidas mais inteligentes de, ao invés de se aumentar o teor de etanol anidro na gasolina, o governo federal poderia incentivar – por meio de algum tipo de subsídio, além de campanhas:

  • O uso do etanol hidratado nos motores flex, que já são 80% da frota brasileira, mas 70%  deles ainda são abastecidos com gasolina;
  • Criar condições favoráveis aos motores que queimam apenas etanol, como na época do Proálcool.
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29 Comentários
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Eduardo Pereira 9 de maio de 2026

Tinha que ser limitada a no máximo 25%. Acima disso o governo deveria liberar a comercialização da gasolina pura, para que cada um pudesse escolher a mistura e o combustível que quisesse para abastecer seu carto.

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Polvo 8 de maio de 2026

Essa é a tal “democracia”. Obrigam o consumidor a aceitar mudanças somente para atender interesses de lobistas, neste caso provavelmente de usineiros. Fico imaginando quem comanda estas usinas, ou será que financiam campanha da c0mpanheirada? Vamos pegar o exemplo do caso M4st3r, sobre a troca de favores do senhor C1r0 N0gueir4 como o V0rcaro. Com todo este absurdo que estamos vendo, Brasília está em silêncio. Alguém acha que o atual g0verno está imune? Espero que apareçam muito mais sujeiras do que estas até as eleições.

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andrey 8 de maio de 2026

Brasil. Terra sem lei.

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Mauricio 7 de maio de 2026

Essa medida só tem o propósito de segurar o preço da gasolina. Já que eles não conseguem reduzir o “tamanho da embalagem” como fazem no supermercado. A cada dia que passa as embalagens maiores estão sendo substituídas nas prateleiras e o preço está quase o mesmo. Assim não se aumenta o preço e consequentemente “mascara” a inflação.

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Marcello 7 de maio de 2026

Estas associações deveriam fazer comercial explicando ao povo e os chamar para melhorar o combustível.Acabaria tanto problema,

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Marcelo 7 de maio de 2026

O q precisa e acabar com a safadeza da adulteração.Sebobcara por álcool corre risco de calço hidráulico.Se bota gasolina TB vem batizada nao!amaldiçoada! O preço já é absurdo! Adulteram e os responsáveis não passaram nem dois anos sem direito a saidinha.Aí tá compensando o cara roubar. Álcool q 15% o carro rende mais.Deveria ter só álcool e sõ gasolina pronto. Renderia muito mais!

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Santiago 7 de maio de 2026

Com relação ao último parágrafo da matéria:
“Ao invés de aumentar o teor de etanol anidro na gasolina, o governo federal deveria incentivar – por meio de algum tipo de subsídio, além de campanhas”…
Concordo que Não se deva aumentar a mistura de etanol à gasolina.
O correto aliás, seria reduzi-la a 15%.
Entretanto:
1°) O governo não precisa e nem deve subsidiar nada, já que o etanol possui um preço real de custo bastante competitivo frente à gasolina.
2°) O que precisa é expor e desbaratar o preço inflacionado que a cadeia distribuidora e varejista impôs ao etanol pra eliminar a sua vantagem financeira, com o advento dos carros flex. Tal vantagem financeira que seria do consumidor, foi sequestrada e transformada em lucro adicional para distribuidoras e especialmente para os usineiros.
3°) Essa m… toda começou a ficar pior quando a BR-Distribuidora foi entregue ao setor privado, tirando da Petrobrás o influência que ela tinha pra manter os preços mais civilizados no varejo.
4°) Por consequência temos hoje preços totalmente cartelizados, a ponto de o etanol estar artificialmente pareado à gasolina, enquanto muitos inocentes úteis ainda prestam-se a acreditar que os nossos preços são “regulados pelo mercado”.
5°) Quando forem chutar a porta do governo, lembrem-se de também chutar a porta do agronegócio sucroalcoleiro e da soja. É dali que vem a maior pressão politica, por meio das bancadas do agronegócio no Congresso, pra que se aumente ainda mais a mistura do etanol na gasolina e de biodiesel no diesel.

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Louis 7 de maio de 2026

Se usineiro ganha dinheiro fácil como vc diz, por que a Raizen está falindo?
Aliás, sugiro à vc arrendar um pedaço de terra, plantar cana e ficar milionário.

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Santiago 7 de maio de 2026

Pode ficar tranquilo, que a vida dos usineiros é muito menos sofrida do que você imagina.
Já as dificuldades da Raizen decorreram de decisões internas, e não do setor em que ela atua.

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Polvo 8 de maio de 2026

Caro, o buraco é muito mais embaixo. O PCC não comanda só postos de combustíveis, eles estão comprando canaviais e usinas de produção de álcool e açúcar.

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Alexmar 7 de maio de 2026

Faz o L

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Rubens Filho 18 de maio de 2026

L oser

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Georges 7 de maio de 2026

País movido a lobbies. Certeza que essa é uma ajudazinha para desovar estoques de etanol e evitar ter que baixar mais o preço. Irresponsáveis. Toda a frota importada não tem tropicalização do sistema, as motos já apresentando falhas e essa inútil da CNT, dessa sopa de letrinhas de incompetentes que temos nessa terra, se fingindo de morta?

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Polvo 7 de maio de 2026

E vai continuar aumentando, só esperar para ver. Acredito que o objetivo seja chegar até os 50%. Um governo que tem a prática de aparelhar o sistema com pessoas totalmente despreparadas, mas são “companheiros” e decidem as coisas na orelhada, cobra impostos do trabalhador para distribuir para desocupados e acomodados que não querem emprego para não perder benefícios sociais. Um Lula 4 será um perigo para o país, igual ou pior do que foi Dilma 2.

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Louis 7 de maio de 2026

Carros flex foram criados justamente para que o consumidor pudesse escolher entre gasolina x etanol.
Se este Ladrão canalha quer empurrar etanol misturado na gasolina, qual sentido do carro flex?
Ignorante, safado, ladrão.
Faz o L e senta em cima.

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Vinicius 7 de maio de 2026

Deveria acabar com o carro
Flex. Pois só estão fazendo essa sabotagem na gasolina
Por
Conta q existe essa bosta de motor flex.

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José Arnaldo mendes 7 de maio de 2026

Dureza esse governo

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Reynaldo 7 de maio de 2026

Um país governado por gente estupid@, desqualificada, QI <83, que não tem capacidade e nem capacitação para nada, esperar o que??? O duro é que quem mais vai sofrer com isso ( os donos de carros e motos antigos a gasolina) são os mesmos que aplaudem esses inergumenos. Outubro está aí e essa gente vai se eleger de novo, não pelas urnas adulteradas, mas por um povo burr 0 mesmo.

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Louis 7 de maio de 2026

9 dedos só tem capacidade para saquear o país, gastar toda a grana arrecadada pela metade da população que trabalha e carrega este país nas costas.

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Reynaldo 7 de maio de 2026

Só de ouvir o nome e a voz desse ser repugnante já me embrulha o estômago. Isso desde sempre. Quando ia na pirta da Ford e da Continental lá na Mooca fazer arruaça e a gente nem podia chegar no trabalho… Olha o resultado de tanta e5tupidez junta.

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Fabio Scatolini 7 de maio de 2026

Pra variar, políticos em cargos técnicos comissionados esquecem que, desde 2002, vende-se 5 motocicletas novas para cada carro de passeio ou SUV. E agora, com o transporte coletivo em colapso, querem deixar milhões de motociclistas sem opção.

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Paulo 7 de maio de 2026

Isso que dá um analfabeto e ignorante no poder!!!

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Marco Pacheco 7 de maio de 2026

Chuva de elogios aos envolvidos.

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Marco Pacheco 7 de maio de 2026

Chuva de elogios aos envolvidos.Ano que vem,papai vai trazer carroças para andarmos,que é o que ele quer.

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Carlos 7 de maio de 2026

A indústria deveria lançar um carro movido apenas por álcool novamente.

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Marco Pacheco 7 de maio de 2026

Se aquela refinaria(aquela que era para ser na Bahia e foi comprada nos Estados Unidos e hoje está sucateada,com o Brasil pagando juros por ela aínda)estivesse aqui realmente,creio que mesmo assim ainda estaríamos pagando altos valores pelo nosso combustível.Mas, já que o Agro negócio é f.a.s.c.i.s.t.a e não existem benefícios para plantações de cana,o que se esperar desse desgoverno,meu amigo Carlos???.

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Marco Pacheco 7 de maio de 2026

Continuem fazendo o “L” nesse ano e iremos andar de carroças ano que vem.Governo patético.Mas,pensando bem,(contém ironia para quem é difícil de.entender e é preciso desenhar):para que carros,motos e caminhões se podemos andar um pouquinho, não é??(texto extraído da fala da alma mais honesta desse País).Para onde estamos indo,meu DEUS.

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Santiago 7 de maio de 2026

Com relação ao último parágrafo da matéria:
“Ao invés de aumentar o teor de etanol anidro na gasolina, o governo federal deveria incentivar – por meio de algum tipo de subsídio, além de campanhas”…
Concordo que Não se deva aumentar a mistura de etanol à gasolina,.
O correto aliás, seria reduzi-la a 15%.
Entretanto:
1°) O governo não precisa subsidiar nada, já que o etanol possui um preço real de custo bastante competitivo frente à gasolina.
2°) O que precisa é expor e desbaratar o preço inflacionado que a cadeia distribuidora e varejista impôs ao etanol pra eliminar a sua vantagem financeira, com o advento dos carros flex. Tal vantagem financeira que seria do consumidor, foi transformado em lucro adicional para distribuidoras e especialmente usineiros.
3°) Essa m… toda começou a ficar pior quando a BR-Distribuidora foi entregue ao setor privado, tirando da Petrobrás o influência que ela tinha pra manter os preços mais civilizados no varejo.
4°) Por consequência temos hoje preços totalmente cartelizados, a ponto de o etanol estar artificialmente pareado à gasolina, enquanto muitos inocentes úteis ainda prestam-se a acreditar que os nossos preços sejam “regulados pelo mercado”.

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Washington 6 de maio de 2026

E só processar o PT e o cpf do Lula dentro desta atribuição sr é que ele esteja vivo

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