ONG defende que carros híbridos plug-in tenham tanque de combustível limitado a 15 litros
Proposta da Transport & Environment inclui autonomia elétrica de 200 km e recarga rápida; hoje, tanque médio desses carros na Europa é de 51 litros
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 27/10/2026 às 13h00
Os híbridos plug-in prometem rodar na cidade só com eletricidade, mas, na vida real, muitos donos quase nunca ligam o carro na tomada e se rendem à gasolina.
Para mudar isso, a ONG europeia Transport & Environment (T&E) propõe que os governos do continente incentivem apenas os modelos com tanque de, no máximo, 15 litros. Hoje, a média é de 51 litros.
Com o tanque menor, um motorista que nunca recarrega a bateria iria ao posto 57 vezes por ano, contra 17 hoje. O gasto com combustível seria o mesmo: a aposta é que o incômodo das paradas empurre o dono para a tomada.
Emissões seis vezes maiores
A proposta se apoia em dados de consumo registrados pelos próprios carros e reunidos pela Agência Europeia do Ambiente.
Segundo a T&E, os híbridos plug-in emplacados em 2024 emitiram, em média, 145 gramas de CO2 por quilômetro no uso real, quase seis vezes os 24 g/km da homologação.
Isso porque as regras oficiais supõem que esses carros rodem mais de 80% da distância no modo elétrico. Na prática, a fatia foi de apenas 27%.
Resultado: eles emitiram só 14% menos que carros a combustão e híbridos comuns, enquanto os números oficiais prometiam uma redução de 83%.
Tanques grandes agravam o problema. Na Europa, marcas chinesas como BYD e Chery, dona da Omoda e da Jaecoo, lideram as vendas do segmento com modelos de mais de 1.000 km de autonomia total, graças a tanques de quase 70 litros.
Tanque pequeno, bateria grande
O limite de 15 litros vem acompanhado de outras exigências. Até 2030, a T&E quer autonomia elétrica real de pelo menos 200 km, recarga rápida acima de 100 kW e motor elétrico com, no mínimo, o triplo da potência do motor a combustão.
Com 15 litros e consumo de 14,9 km/l com a bateria descarregada, o carro rodaria cerca de 220 km a combustão — praticamente o mesmo que no modo elétrico.
A medida é uma recomendação da ONG, não uma regra da União Europeia. Ainda assim, o debate interessa ao Brasil, onde os híbridos plug-in chineses estão entre os carros eletrificados mais vendidos.
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