Os carros mais caros da Porsche vão ficar ainda mais caros

Fabricante alemã quer priorizar exclusividade, cortar 9.000 vagas até 2035 e focar em margens maiores em vez de buscar volume de vendas

porsche 911 turbo s357
Porsche 911 Turbo S está entre os modelos de topo da marca, cujo preço médio deve subir cerca de 20% (Foto: Porsche | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 09/10/2026 às 21h00

A Porsche quer vender menos carros e cobrar mais por eles. A marca de Stuttgart planeja elevar em cerca de 20% o preço médio de venda de seus modelos mais caros, que passaria de aproximadamente R$ 1,6 milhão (€ 270 mil) neste ano para mais de R$ 1,9 milhão (€ 330 mil) no médio prazo.

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A meta é que os veículos de alto padrão representem 45% do portfólio da marca. Se o plano funcionar, a Porsche conseguirá cobrir os custos mesmo vendendo menos de 200 mil carros por ano. Em 2025, a fabricante entregou 279.449 veículos.

Para comparação, o novo patamar equivale a quase o dobro do valor de um 911 Carrera 2026 no Brasil, avaliado em cerca de R$ 1 milhão pela tabela Fipe.

O que vem por aí

A estratégia prevê novas edições especiais do 911 e um inédito hipercarro com motor central, além de modelos voltados ao volume, como um crossover a gasolina para substituir a primeira geração do Macan.

Por outro lado, a dupla 718 (Boxster e Cayman) voltará apenas como elétrica, já que os planos de versões a combustão foram descartados. Um grande SUV de três fileiras de bancos segue em avaliação.

Corte de custos

Para sustentar o reposicionamento, a montadora também vai cortar despesas. A meta é reduzir em 20% os gastos com desenvolvimento de produtos e, na mesma proporção, o número de versões oferecidas.

A Porsche também quer cortar em 45% os custos com garantia e em 20% os de vendas e distribuição. Além disso, fechou acordo com os sindicatos para eliminar 9.000 vagas até 2035, cerca de um quinto do quadro de funcionários.

A reestruturação, conduzida pelo presidente-executivo Michael Leiters, ocorre em um momento difícil, especialmente na China, onde a concorrência das marcas locais dificulta uma recuperação rápida.

A empresa ainda precisa equilibrar motores a combustão, híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada, e elétricos, o que encarece o desenvolvimento. Já o câmbio manual do 911 seguirá à venda.

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