‘Peço desculpas’: chefe da Stellantis admite problemas do motor que equipou 208 e C3 no Brasil

Antonio Filosa reconheceu falhas do 1.2 PureTech, cuja correia pode se desfazer e entupir a lubrificação; solução na Europa deve seguir opção do Brasil

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Motor 1.2 PureTech tem correia que trabalha mergulhada no óleo e pode se desfazer com o tempo (Foto: Stellantis | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 23/10/2026 às 11h00
Atualizado em 23/10/2026 às 11h13

O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, pediu desculpas aos clientes que tiveram problemas com o motor 1.2 PureTech, conhecido pela correia dentada banhada a óleo.

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O pedido foi feito em entrevista ao jornal francês Le Parisien, publicada durante o Salão de Paris. As desculpas valeram também para os afetados pelo caso dos airbags Takata.

“Antes de tudo, peço desculpas pelos problemas que eles enfrentaram no passado”, afirmou Filosa.

Segundo ele, a qualidade dos carros do grupo melhorou cerca de 30% desde o início de 2026, sem detalhar o critério. “Vamos melhorar ainda mais, eu me comprometo com isso”, disse.

Italiano com cidadania brasileira, Filosa fez quase 20 anos de carreira na Fiat no Brasil antes de assumir a Stellantis, em 2025, no lugar de Carlos Tavares.

Por que a correia virou dor de cabeça

A correia dentada sincroniza o movimento das peças internas do motor. No PureTech, ela trabalha mergulhada no óleo e, com o tempo, pode se desfazer.

Os resíduos de borracha entopem o pescador e a bomba de óleo, o que interrompe a lubrificação e pode levar à quebra do motor.

As falhas se concentraram na Europa, em modelos como Peugeot 208, 308 e 3008, Citroën C3 e Opel Corsa. Lá, a Stellantis estendeu a garantia do motor para dez anos ou 180 mil km e criou um canal de reembolso para quem pagou o conserto.

No Brasil, o motor teve vida curta: a versão 1.2 aspirada, de até 90 cv e 13 kgfm, equipou o Peugeot 208 e o Citroën C3 entre 2016 e 2020. Hoje, os dois modelos se apoiam principalmente nos motores 1.0 de origem Fiat, aspirado e turbo, de mecânica simples, manutenção mais barata e boa fama de confiabilidade.

Desde 2023, a nova geração do motor 1.2 usa corrente de comando no lugar da correia. Mesmo assim, a Stellantis confirmou em fevereiro investimentos para adaptar às futuras regras de emissões europeias os motores Firefly, desenvolvidos pela Fiat com participação da engenharia brasileira e equipados com corrente.

A imprensa europeia aponta que eles devem substituir gradualmente o PureTech. No Brasil, a família Firefly equipa modelos como Fiat Mobi, Argo, Cronos e Strada, além dos próprios Peugeot 208 e Citroën C3.

No Brasil, a GM aposta numa correia mais resistente

Enquanto a Stellantis migra para a corrente, a Chevrolet manteve a correia banhada a óleo nos motores de Onix, Onix Plus e Tracker.

Na linha 2026, porém, mudou a composição da peça, que ganhou revestimento de teflon nos dentes e reforço de fibra de vidro.

Segundo a marca, a nova correia resiste melhor ao óleo ácido ou deteriorado e pode durar até 240 mil km ou dez anos. A GM também ampliou para cinco anos a garantia dos modelos.

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