Motos elétricas podem superar as a combustão em 10 anos

Estudo projeta virada das motos elétricas em 2031 no cenário otimista; no conservador, elas seguem abaixo de 50% até 2040

moto elétrica Honda WN7 (1)
A Honda já conta com moto elétrica, além de scooters (Foto: Yamaha | Divulgação)
Por Lucas Silvério
Publicado em 23/10/2026 às 12h00

As motos elétricas responderam por 1,28% das vendas de duas rodas no Brasil no primeiro semestre de 2026. Participação pequena, mas muito maior que os 0,39% que fecharam 2024, e já suficiente para a indústria ter de decidir agora o que vai fabricar na próxima década.

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Um estudo assinado por Luiz Vicente F. de Mello, especialista no segmento de motos da Bright Consulting, projeta que o ponto em que as elétricas ultrapassam as motos a combustão pode chegar bem antes do que o número atual sugere: em cerca de cinco anos, no cenário mais acelerado.

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No Brasil, a Voltz, criada em 2017, foi o primeiro grande nome da eletrificação (Foto: Voltz | Divulgação)

Diferença entre cenários chega a dez anos

Esse é o mais otimista dos três cenários analisados. No cenário-base, as elétricas passam a ser maioria entre 2035 e 2037. Na trajetória conservadora, a participação das motos elétricas permanece abaixo de 50% até 2040.

A projeção foi calibrada com dados efetivos de mercado, atualizada periodicamente e confrontada com mercados mais maduros, como China e Índia.

loja da voltz em bh
Infelizmente a startup entrou em falência no inicio da década de 2020, o que repercutiu e atrapalhou a imagem da eletrificação no país (Foto: AutoPapo | Felipe Boutros)

Moto elétrica depende de infraestrutura

Para que essas datas se tornem realidade, o estudo aponta dois vetores decisivos para a eletrificação massiva de motos no Brasil: a autonomia efetiva das baterias e a infraestrutura.

E os dois estão ligados. Segundo a Bright, a eletrificação não depende apenas de um salto na química das células: a infraestrutura de troca rápida pode contornar comercialmente a limitação de autonomia, principalmente em operações intensivas.

Estação de troca de bateria de motos elétricas Vammo
Campinas e região também conta com a troca de baterias da Vammo (Foto: Vammo | Divulgação)

Em vez de esperar por uma bateria que entregue ao mesmo tempo mais autonomia, menos peso, menor custo e recarga rápida, uma rede de troca simplesmente retira o tempo de recarga da conta operacional.

A Vammo, que aluga motos elétricas para entregadores, opera com pontos de troca de baterias desde 2023. Mas a rede segue restrita à Grande São Paulo.

Mudança começou pelas pequenas

Na avaliação pessoal de Mello, a transição não começa pelas motos. São os autopropelidos que já iniciam essa mudança.

Essa transformação já está ocorrendo. Eu vejo pelos indicadores, que são as lojas de autopropelidos. Ela está começando pela base”, afirmou ao AutoPapo.

Ele aponta 2026 como divisor. Até 2025, o mercado viveu uma onda de ciclomotores. Desde 1º de janeiro deste ano, com a Resolução 996/2023 do Contran em vigor, o ciclomotor passou a exigir registro no Renavam, emplacamento, licenciamento anual e habilitação.

“Como o ciclomotor começou obrigatoriamente a ter emplacamento e a autorização para conduzir, a ACC, você vê essa queda do ciclomotor e começa a ter muitos pontos de venda e muitas lojas de autopropelidos”, diz.

E o que essas lojas vendem, segundo ele, não é o que o nome sugere. “Não necessariamente está focado no patinete. É naquelas motinhas pequenas. Então isso já está ocorrendo: o que nós chamamos de micromobilidade.”

moto elétrica Honda WN7
Hoje, até as gigantes como a Honda contam com seus modelos eletrificados como a Honda WN7 (Foto: Honda | Divulgação)

Faixa exclusiva esbarra no urbanismo moderno

Embora o movimento das baterias já tenha começado, Mello aponta a infraestrutura urbana como o maior desafio.

Para ele, os modelos menores, voltados à micromobilidade, já contam com legislação específica, mas precisam de atenção especial para circular. Faixas exclusivas seriam o ideal e são ponto-chave para a segurança. O problema é que a maioria das metrópoles brasileiras não comporta essa mudança e o especialista considera utópica uma transformação urbanística dessa escala.

Lazer deve segurar o motor a combustão

No extremo oposto do uso profissional está o segmento premium, esportivo e de lazer. Som do motor, vibração, entrega de torque e troca de marchas fazem parte do produto, e Mello considera pouco razoável assumir que esse nicho vai migrar para a moto elétrica na mesma velocidade. Ali, o motor a combustão deve seguir relevante por um período bem mais longo.

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