Renault cria veículo militar sem motorista que usa 70% de peças de seus carros
Forefront Concept, criado com a belga John Cockerill, tem tração 4x4, pode operar sozinho ou por controle remoto e será testado por militares franceses
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/11/2026 às 10h00
Atualizado em 06/11/2026 às 10h24
A Renault vai usar peças de seus carros de passeio para fabricar um robô militar.
A montadora francesa se uniu à belga John Cockerill, especializada em defesa, para desenvolver o Forefront Concept, um veículo elétrico e não tripulado, para missões em áreas perigosas.
O robô tem 3,50 m de comprimento e pouco mais de 1,80 m de largura, segundo o site francês Journal du Geek. Na comparação com o Renault Kwid, carro zero-quilômetro mais barato do Brasil, o Forefront é 23 cm mais curto, mas tem mais de 20 cm a mais de largura.
Segundo a agência AFP, cerca de 70% dos componentes já são usados em outros produtos da Renault. Para Jean-Luc Maurange, presidente da John Cockerill, isso pode dividir por dez o custo do equipamento.

Uma tonelada de carga e 400 km de autonomia
O Forefront tem dois motores elétricos, tração e esterçamento nas quatro rodas, para manobrar em espaços apertados. A autonomia estimada é de 400 km por carga, que pode ser ampliada por um motor a combustão que funciona como gerador.
Segundo a Renault, o veículo leva até uma tonelada de carga e é silencioso, vantagem em operações militares. Pode ser controlado a distância ou agir de forma autônoma.
As aplicações previstas incluem logística, vigilância, evacuação de feridos e missões antidrone. O robô também pode receber uma torre de tiro operada remotamente, segundo a John Cockerill.
Há ainda usos civis, como resposta a desastres e vigilância de usinas nucleares.
As Forças Armadas francesas colaboraram com o projeto, e o protótipo será testado nas próximas semanas. A produção será feita numa fábrica da Renault na França ainda não definida, informou a AFP, mas não tem data para começar.
É o terceiro projeto de drones da Renault desde 2024, quando o governo francês pediu à montadora que ajudasse a produzi-los em massa e a baixo custo, de olho na guerra da Ucrânia.
Outras montadoras também miram a defesa
A Mercedes-Benz produz o Classe G militar, e a Daimler Truck criou uma divisão de defesa que mira € 1 bilhão (cerca de R$ 6,2 bilhões) em receita até 2028.

A Volkswagen fornece versões militares de Amarok e Crafter, e a Ford tem três protótipos da linha Super Duty em avaliação pelo Exército dos Estados Unidos.
Já a GM Defense desenvolveu para o Exército americano um veículo baseado na picape Chevrolet Colorado ZR2.
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