Rolls-Royce deixa de ser carro de velhos e já tem clientes que nem chegaram aos 30

Idade média dos compradores caiu de 56 para 43 anos desde 2010, puxada pelo SUV Cullinan, pela linha Black Badge e por carros feitos sob encomenda

Rolls Royce atualiza Spectre e amplia autonomia do cupê elétrico de luxo
Rolls-Royce Black Badge Spectre: linha de visual escurecido ajudou a atrair clientes mais jovens (Foto: Rolls-Royce | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/11/2026 às 09h00

A Rolls-Royce está atraindo compradores cada vez mais jovens. Hoje, a idade média dos clientes da fabricante britânica, que pertence ao Grupo BMW, é de 43 anos, contra 56 antes de 2010. A mudança é resultado de uma estratégia para renovar o público sem abandonar a tradição de luxo e exclusividade.

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Segundo Julian Jenkins, diretor de vendas e marca da Rolls-Royce, em entrevista à Automotive News, a marca já é relevante até entre milionários da geração Z em alguns mercados. Na China, por exemplo, há clientes que ainda não chegaram aos 30 anos.

SUV e versões escurecidas puxaram a mudança

Entre os modelos que contribuíram para isso estão o SUV Cullinan, lançado em 2018, a linha Black Badge — versões com visual escurecido e acerto mais esportivo, criadas em 2016 — e os carros feitos sob encomenda pela divisão Coachbuild, como o Boat Tail e o Droptail.

Para Jenkins, esses modelos despertaram o interesse de uma nova geração de consumidores.

Loja com bar e clima de clube

A fabricante também repaginou seus showrooms para oferecer experiências mais imersivas. Em Beverly Hills, nos Estados Unidos, a loja da marca ganhou um lounge com bar inspirado nos estabelecimentos clandestinos da Lei Seca americana, que proibiu a venda de bebidas alcoólicas no país entre 1920 e 1933.

O espaço virou ponto de encontro para clientes e potenciais compradores.

A estratégia acompanha movimentos de outras marcas de luxo como a Bentley, que transformou sua loja Jack Barclay, em Londres, em uma butique com bar integrado à recepção. Já a Mercedes-Benz prepara lojas exclusivas para a Maybach, sua divisão de ultraluxo, separadas dos showrooms convencionais.

Para Milton Pedraza, CEO do Luxury Institute (consultoria do setor de luxo), o reposicionamento também acompanha a saída de cena dos baby boomers, geração nascida entre 1946 e 1964, que já respondeu por boa parte das vendas.

Ele compara a Rolls-Royce à Hermès pela capacidade de preservar a tradição enquanto se reinventa, agora com mais personalização.

Segundo Pedraza, há clientes que pagam meio milhão de dólares (cerca de R$ 2,7 milhões) pelo modelo básico e gastam outro tanto para adaptá-lo ao próprio gosto.

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