Sea-Doo lança moto aquática em homenagem a Senna com 355 cv e série limitada a 1.991 unidades
Série de 1.991 unidades estreia motor de 355 cv e resgata um hobby que rendeu pontos na cabeça do piloto em 1991
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/08/2026 às 13h30
A Sea-Doo, marca de motos aquáticas da canadense BRP, apresentou a RXP-X Senna 350, série limitada a 1.991 unidades em todo o mundo que homenageia Ayrton Senna. O modelo estreia o Rotax 1630 ACE, motor mais potente já instalado de fábrica em uma moto aquática da marca, com 355 cv, e já está em pré-venda no exterior.
O acordo com a Senna Brand — empresa criada pela família do tricampeão mundial de Fórmula 1 para administrar seu legado — tem duração de um ano. Nos Estados Unidos, a edição especial parte de R$ 145 mil (US$ 27.799), segundo o site The Big Lead. A BRP não divulgou preços nem prazo de entrega para o Brasil.
Referências ao tricampeonato

A pintura amarela e verde reproduz o capacete original de Senna, e a assinatura do piloto é integrada ao casco por laser. Os anos 88, 90 e 91, dos três títulos mundiais, aparecem gravados, ao lado das frases Seek your truth e Born to win, usadas pela marca da família. Uma placa numerada com a referência a 1991, ano do último campeonato, identifica cada uma das 1.991 unidades.
O pacote inclui assento de passageiro na mesma pintura e capa protetora com a marca Senna. “Ayrton Senna nunca aceitou limites. Ele era movido pelo desejo de inspirar outras pessoas a ir além do que acreditavam ser possível”, disse Bruno Senna, sobrinho do piloto e embaixador da Senna Brand.

Por que Senna e não outro piloto
Senna era entusiasta de esportes aquáticos e passava as folgas na casa que mantinha no condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, onde pilotava motos aquáticas em frente à praia. Entre os equipamentos que teve está um Kawasaki Jet Ski X2, dos anos 1980, exposto ao lado de outras relíquias do piloto no São Paulo Boat Show de 2024.
Na água, o comportamento era o mesmo das pistas. “Ele era competitivo até nas brincadeiras e não gostava de perder de mim, que levava vantagem por ser mais leve. Por isso, sempre arrumava um jeito de fazer um motor mais forte no jet ski dele”, contou Bruno Senna à revista Caras em 2024.
A obsessão por potência valia também para a lancha. A Pole Position, de 19 pés (5,8 m), do estaleiro carioca Cobra, usada pelo piloto de 1986 a 1994 em Angra dos Reis e Ilhabela, foi encomendada com alterações de casco e um motor de 225 cv, cerca de três vezes mais do que o barco precisaria, segundo o atual proprietário, Danilo Iakimoff.

O hobby também cobrou seu preço. Em junho de 1991, uma semana antes do GP do México, Senna caiu da moto aquática em frente à casa de Angra e foi atingido na cabeça pelo veículo de um amigo que o acompanhava. Levou pontos na parte de trás do crânio, correu no Autódromo Hermanos Rodríguez com o corte protegido por bandagens, capotou nos treinos e ainda assim terminou em terceiro. Naquela mesma temporada conquistou o terceiro título mundial, o 1991 que agora aparece na placa numerada de cada Sea-Doo.
O Brasil é hoje o segundo maior mercado mundial de motos aquáticas, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o site australiano Watercraft Zone, o que ajuda a explicar o apelo comercial da homenagem. Parte dos royalties da Senna Brand financia o Instituto Ayrton Senna, que atua em educação pública no país há mais de 30 anos.

Uma moto diferente das de rua
Diferente de um carro, a moto aquática não tem caixa de câmbio. O motor aciona uma bomba de jato que suga água pela parte inferior do casco e a expulsa por uma tubeira móvel na traseira. É o direcionamento desse jato que faz o veículo mudar de trajetória, característica pouco intuitiva para quem só dirige automóveis: sem acelerador, praticamente não há direção. A frenagem também é diferente, e a Sea-Doo usa o sistema iBR, que redireciona o jato para frente para desacelerar e dar marcha à ré.
O Rotax 1630 ACE é um três-cilindros de 1,6 litro com compressor mecânico. Segundo a fabricante, o conjunto é 15% mais rápido de 0 a 96 km/h do que os motores anteriores, que rendiam 329 cv. O The Big Lead cita 3,1 segundos nessa aceleração, medida no padrão norte-americano de 0 a 60 mph, equivalente ao 0 a 100 km/h usado no Brasil.
No país, pilotar moto aquática exige habilitação da Marinha na categoria Motonauta, e a embarcação precisa ser registrada como qualquer outra.

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