Seat já admite que deixará de existir por causa de reestruturação da Volkswagen
Documento interno revelado pela imprensa alemã prevê descontinuação até 2029, e a empresa afirma que nenhuma decisão foi tomada
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 08/09/2026 às 08h00
Atualizado em 08/09/2026 às 08h30
A Seat (icônica montadora espanhola) admitiu que pode deixar de existir. Em comunicado divulgado na sexta-feira (4), a Seat S.A. — empresa que abriga as marcas Seat e Cupra — informou que a continuidade da fabricante segue em análise e que vários cenários permanecem abertos para depois de 2030. Nenhuma decisão foi tomada, afirma a empresa, mas é a primeira vez que ela põe no papel a hipótese de aposentar um nome criado em 1950.
O texto saiu um dia depois de o semanário econômico alemão WirtschaftsWoche revelar o conteúdo de um documento interno preparado para o conselho de supervisão da Volkswagen, dona da Seat.
Segundo a publicação, o plano prevê descontinuar a marca da Espanha de forma ordenada até o fim de 2029, com produtos, rede de vendas e estrutura industrial transferidos, sempre que possível, para a Cupra, que nasceu como uma submarca esportiva.
Manter a Seat no formato atual exigiria recursos adicionais, diz o documento. A Volkswagen não confirmou o plano.
A Seat mantém um plano de produtos definido, com versões híbridas leves do Ibiza e do Arona previstas para 2027. Em xeque está o que vem depois.

Quatro fábricas alemãs no limbo
O episódio se encaixa no Future Plan 2030 da Volkswagen, aprovado por unanimidade em 3 de setembro — o mesmo conselho havia rejeitado o pacote por 12 votos a 7 em julho. O programa de reestruturação da VW prevê o corte de cerca de 50 mil postos de trabalho, além de outros 50 mil já em andamento, a redução de metade do portfólio de modelos até 2035 e investimentos de € 135 bilhões (cerca de R$ 805 bilhões).
A montadora também identificou excesso de capacidade superior a 500 mil veículos na Europa e afirma que a produção em Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm — esta última da Audi — não está assegurada entre 2031 e 2034. As quatro empregam cerca de 45 mil pessoas e a empresa tem até junho de 2027 para apresentar uma alternativa viável.
Por aqui, a Seat é lembrança de outra era. Chegou ao Brasil em 1995, importada de Martorell e vendida nas concessionárias da Volkswagen, com o sedã Cordoba, o hatch Ibiza, o furgão Inca e a perua Vario. O imposto de importação de 70% encareceu tudo, e a operação fechou no início dos anos 2000.
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