Startup cria painel solar retrátil para o teto de carros elétricos que amplia autonomia

Sistema modular da Dart Solar promete de 24 km a 34 km de autonomia diária, mas exige painéis recolhidos com o carro em movimento

PAINEL SOLAR NO CARRO 1
Painel solar que se abre no teto promete até 34 km de autonomia por dia ao carro elétrico (Foto: Dart Solar | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 09/09/2026 às 08h00

Uma startup californiana quer transformar o rack de teto do carro elétrico em usina portátil. A Dart Solar desenvolveu um sistema modular de painéis solares retráteis que, segundo a empresa, pode ser instalado em praticamente qualquer elétrico e recuperar de 24 km a 34 km de autonomia por dia em condições favoráveis de sol.

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Cada módulo gera 500 W e triplica de tamanho ao ser aberto: mede 1,47 m fechado e chega a cerca de 4,3 m estendido, em uma operação que leva por volta de dez segundos, de acordo com a fabricante. Em um teto convencional cabem dois deles, o que forma o conjunto de 1.000 W usado como referência nas contas da empresa. Vans, motorhomes e picapes aceitam módulos montados lado a lado, que passam a funcionar também como toldo, e chegam a configurações de 1.500 W, 2.000 W ou 2.500 W. No teto plano da Tesla Cybertruck, informa a Dart Solar, por exemplo, é possível instalar 1.500 W.

A empresa foi fundada em 2024 pelo inventor Omid Sadeghpour, dono de um Tesla, e chegou ao produto atual depois de uma sequência de protótipos que foram ficando mais baixos e menos volumosos.

O que o sistema não resolve

O conjunto produz energia com o veículo parado e em movimento, mas, ao rodar, os painéis precisam permanecer recolhidos — o que reduz drasticamente a área exposta ao sol. Sobra o efeito aerodinâmico, ponto sensível em um carro cuja eficiência é medida em quilômetro por quilowatt-hora. A Dart Solar sustenta que a estrutura invade apenas 3,8 cm do fluxo de ar, que foi testada a 160 km/h e que, em medições feitas com um Tesla Model Y, o acréscimo de arrasto ficou entre 1% e 2%. Os dados não passaram por verificação independente.

Em versões anteriores, o kit de 960 W era anunciado a US$ 2.950, cerca de R$ 15,1 mil na conversão atual, com a unidade que converte a energia solar em corrente alternada, ou a partir de US$ 1.950, aproximadamente R$ 10 mil, para quem já tivesse esse equipamento. O sistema pesa cerca de 41 kg e suporta até 23 kg de carga extra no teto, por meio de um adaptador. A vida útil projetada é de dez anos. O produto não é vendido no Brasil.

Por que a conta seria diferente no Brasil

As estimativas de autonomia recuperada partem de condições favoráveis de insolação, e é justamente aí que o país leva vantagem. A irradiação solar global horizontal no Brasil é de cerca de 5,15 kWh/m² por dia na média nacional, segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, do Inpe, com o Nordeste na faixa de 5,5 kWh/m² — acima do registrado em países europeus que lideram a geração fotovoltaica.

A proposta não elimina a necessidade da rede elétrica, mas se apresenta como forma de reduzir a dependência dos carregadores rápidos em trajetos rotineiros e em regiões com pouca infraestrutura de recarga.

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1 Comentário
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Santiago 9 de setembro de 2026

Realmente muito prático! Além de captar energia solar, também garante que o veículo fique na sombra.
Porém para o Brasil, e outros países com “certas realidades” semelhantes, esse painel precisaria ser um pouco mais leve, dobrável em mais partes, e destacável do teto.