Taxista acusado de cobrar R$ 30 mil de torcedor do Boca por corrida tem carro apreendido em SP

Motorista foi indiciado por estelionato eletrônico e teve o Condutax cancelado; ele diz ter usado R$ 19 mil do valor para pagar dívidas

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Taxista que recebeu R$ 30 mil de argentino por corrida alegou ter ganhado "gorjeta" (Foto: Banco de Imagem | Shutterstock)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/09/2026 às 16h00
Atualizado em 29/09/2026 às 16h12

O táxi usado pelo motorista suspeito de cobrar R$ 30.350 de um torcedor do Boca Juniors por uma corrida em São Paulo foi apreendido pela SPTrans por irregularidades.

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A Prefeitura de São Paulo informou ao portal Terra que também cancelou o Cadastro Municipal de Condutores de Táxi (Condutax) do taxista, Marcos Oliveira de Morais, indiciado por estelionato por meio eletrônico. Ele responde em liberdade.

Segundo a TV Globo, o argentino estava na cidade com o filho para acompanhar o jogo entre São Paulo e Boca Juniors, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. Por volta das 11h30 de 15 de setembro, ele pegou o táxi no Morumbi, na zona sul, onde a partida seria disputada à noite, com destino ao Museu do Futebol, no Pacaembu.

Ao fim da corrida, o motorista informou que o valor era de R$ 30,75. O pagamento foi feito via Pix, mas só depois o passageiro percebeu que haviam sido debitados R$ 30.350 de sua conta. Ele tentou contato com o taxista pelo WhatsApp, chegou a dizer que preferia resolver a situação sem recorrer à polícia e, sem resposta, registrou o caso na 1ª Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista (Deatur).

Para o delegado Luiz Alberto Guerra, houve desatenção da vítima, que entregou o próprio celular ao motorista para concluir a transação. Segundo ele, o taxista agiu de má-fé e lançou um valor muito acima do combinado. No relato à polícia, o torcedor menciona uma máquina de pagamento: afirma ter digitado R$ 30,75 e só depois ter visto a cobrança de R$ 30.350.

Devolução em parcelas

Em depoimento, o motorista confirmou ter recebido o dinheiro e afirmou que acreditava se tratar de uma “gorjeta” ou “doação”. Ele também disse ter usado R$ 19 mil para pagar dívidas e que, por isso, não teria como devolver todo o valor de uma vez. A proposta, de acordo com a polícia, foi pagar R$ 1 mil por mês durante 15 meses. Cerca de R$ 11,7 mil já foram restituídos ao torcedor.

Carro de frota e perícia

Segundo a Polícia Civil, o taxista trabalhava de forma irregular: o veículo pertence a uma frota, e o responsável havia pedido a devolução. Como o carro não foi entregue, o dono também teria registrado queixa. O motorista acabou localizado pela Polícia Militar durante uma fiscalização, quando um celular e uma máquina de pagamentos foram apreendidos.

Os aparelhos passarão por perícia. A investigação quer saber se, além da manipulação do Pix, houve alguma outra forma de fraude no equipamento usado na cobrança. A prefeitura afirmou ainda que o Departamento de Transportes Públicos (DTP) está à disposição da Polícia Civil para auxiliar nas investigações.

Apesar do episódio, o torcedor, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que pretende voltar ao Brasil para ver o Boca enfrentar o Vasco no jogo de volta da semifinal da Sul-Americana, marcado para 20 de outubro.

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