Trem-bala chinês acelera de 0 a 800 km/h em 5,3 segundos e bate recorde
Protótipo de 1,1 tonelada atingiu 800 km/h após 600 metros e parou em 200 metros; teste inteiro, do arranque à imobilização, durou oito segundos
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 18/08/2026 às 13h30
Um protótipo de trem maglev acelerou de 0 a 800 km/h em 5,3 segundos em uma pista de testes de apenas 1 km na província de Hubei, na China, na maior aceleração em distância curta já registrada para um veículo sobre trilhos.
O veículo não tripulado, de 1,1 tonelada, atingiu a velocidade máxima depois de 600 metros e foi imobilizado em cerca de 200 metros pelo sistema de frenagem eletromagnética. Do arranque à parada, o ensaio durou cerca de oito segundos.
O teste foi conduzido em 24 de novembro de 2025 pelo Donghu Laboratory, sediado em Wuhan, e divulgado no fim de dezembro, após semanas de validação. O feito voltou ao noticiário internacional neste mês, quando a missão permanente da China na ONU republicou as imagens do ensaio nas redes sociais.
A aceleração média é de cerca de 42 m/s², ou 4,3 g — mais de quatro vezes o que os superesportivos elétricos mais rápidos extraem em uma arrancada. No intervalo em que um hot hatch de fábrica ainda luta para cravar os 100 km/h, o protótipo já estava a 800 km/h, perto da velocidade de cruzeiro de um avião comercial.
Como funciona um trem maglev
Ao contrário de um trem convencional, um maglev não se apoia sobre rodas. Forças magnéticas erguem o veículo acima da via e eliminam o contato com os trilhos — e, com ele, a maior parte do atrito. Bobinas ao longo do traçado geram os campos que o empurram à frente. É essa ausência de contato que abre espaço para velocidades inalcançáveis pela ferrovia tradicional.
A pista de Wuhan combina levitação por ímãs permanentes e propulsão eletromagnética. O método de aceleração em distância curta dispensa os 30 km a 40 km de trilhos exigidos por testes convencionais, mas cobra precisão extrema. Segundo Li Weichao, diretor do centro de inovação em propulsão eletromagnética do Donghu Laboratory, a medição de velocidade e posicionamento opera com margem de 4 milímetros.
Três recordes em seis meses
Os 800 km/h são o terceiro recorde do mesmo projeto em seis meses. Em junho de 2025, o veículo chegou a 650 km/h em sete segundos. Em 14 de julho, elevou a marca para 700 km/h. A escalada ocorre enquanto os maglevs comerciais em operação na China e no Japão circulam em torno de 320 km/h, e os trens de alta velocidade chineses ficam próximos de 350 km/h.
Passageiros, porém, não estão no horizonte imediato. A aceleração de 4,3 g é incompatível com o transporte de pessoas, e a plataforma serve para desenvolver propulsão eletromagnética, controle da levitação e operação em velocidades extremas — com usos futuros previstos também em lançamento eletromagnético e aplicações aeroespaciais. Custo de infraestrutura, alinhamento das vias e exigências de segurança seguem como as maiores barreiras.
No Brasil, o parâmetro é outro. O Trem Intercidades (TIC) São Paulo–Campinas, projetado para até 140 km/h, será o primeiro serviço de média velocidade do país. Já o TAV Rio–São Paulo, autorizado pela ANTT e desenhado para até 350 km/h, ainda não teve as obras iniciadas.
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