“Tropa do BYD Dolphin”: como 40 carros elétricos bancaram a polícia e instauraram o caos no trânsito do Recife

Perseguição inusitada a veículo roubado teve dezenas de carros furando semáforos, críticas na internet, fugitivo a pé e um motorista no hospital

Falcoes eletricos
'Tropa do BYD Dolphin' montou uma perseguição após um motorista de aplicativo ter o carro roubado (Foto: Reprodução | Instagram)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/05/2026 às 20h00

O que deveria ser a recuperação de um veículo roubado se transformou em uma cena insólita digna de roteiro de ação pelas ruas do Recife (PE). Na última sexta-feira (15), um comboio formado por cerca de 40 carros elétricos furou sinais vermelhos e cruzou a cidade em alta velocidade em uma verdadeira caçada a assaltantes. A perseguição, promovida por um grupo que se autointitula “Falcões Elétricos”, terminou de forma desastrosa: um pedestre atropelado, bandidos foragidos e um dos membros do comboio justiceiro baleado por engano pela própria Polícia Militar.

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O episódio trouxe notoriedade ao coletivo pernambucano, que reúne cerca de 70 motoristas de aplicativo que rodam com veículos elétricos. A esmagadora maioria utiliza o modelo BYD Dolphin, o que fez com que o grupo ganhasse apelidos irônicos nas redes sociais — como “Gangue do Dolphin” ou “Tropa dos Golfinhos”. Na internet, a atuação dos “falcões” atraiu também críticas pela decisão de ignorar o seguro do veículo e agir como uma força policial paralela, colocando civis inocentes em risco nas vias públicas.

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O caos teve início quando um dos motoristas foi rendido no bairro dos Torrões, na Zona Oeste da capital recifense. Aproveitando o compartilhamento de localização em tempo real, dezenas de carros elétricos partiram para o resgate do automóvel branco por conta própria. A perseguição durou aproximadamente 45 minutos e atravessou a cidade até o bairro de Boa Viagem, na Zona Sul.

Foi durante a tentativa de intercepção junto ao Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) que a situação saiu do controle. O volume de veículos idênticos em alta velocidade gerou desorientação tática. Segundo Carlos Júnior, motorista de aplicativo de 22 anos que estava no comboio, os PMs confundiram seu carro com o dos criminosos e atiraram sem qualquer ordem de parada, atingindo-o no ombro.

Os verdadeiros assaltantes só abandonaram o veículo após perderem o controle e atropelarem um pedestre na orla do Pina, conseguindo escapar a pé. Diante da confusão e com o saldo negativo da operação amadora, a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) abriu uma investigação para apurar a conduta policial. Enquanto isso, o grupo que provocou a caçada lida com os prejuízos: organizaram uma vaquinha online com a meta de arrecadar R$ 50 mil para cobrir os danos do carro acidentado e os custos médicos do colega baleado.

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