Economia perigosa: as peças de carro que você não deve comprar de segunda mão

De pneus envelhecidos a freios desgastados, o uso de itens de segunda mão parece vantajoso, mas pode comprometer a estrutura do veículo e causar acidentes

pilha de carros em ferro velho para remocao de pecas
Freios, pneus e airbags usados podem esconder danos invisíveis e comprometer o funcionamento do veículo (Foto: Shutterstock)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/05/2026 às 21h00

A busca por economia na manutenção automotiva frequentemente leva motoristas aos ferros-velhos e outros pontos de revenda de segunda mão, onde itens de acabamento, como para-choques e retrovisores, aparentam um bom negócio. O risco surge, no entanto, quando a tentativa de reduzir custos avança sobre componentes de segurança. Especialistas alertam que há uma categoria de peças que jamais deve ser comprada de segunda mão, sob o risco de comprometer a integridade do veículo e a vida dos ocupantes.

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A lista de restrições inclui pneus, sistemas de freio, amortecedores, molas, airbags e cintos de segurança. O grande perigo reside no fato de que, mesmo com boa aparência externa, esses itens podem esconder desgastes internos profundos, fadiga estrutural severa ou um histórico de uso totalmente desconhecido.

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No caso dos pneus usados, a sedução do preço baixo mascara incertezas estruturais. É impossível determinar se a borracha rodou com calibragem incorreta, suportou excesso de carga ou sofreu danos internos invisíveis em buracos. Soma-se a isso o envelhecimento natural do material. Fabricantes como a Bridgestone orientam a substituição após dez anos da data de fabricação, enquanto a Goodyear é mais conservadora e sugere a troca em até seis anos, independentemente da profundidade da banda de rodagem.

O sistema de freios, pilar fundamental para evitar colisões, também exige peças novas. Pastilhas, discos, tambores e tubulações operam sob estresse térmico e mecânico constante. Adquirir essas peças em desmanches significa arriscar empenamentos, microfissuras e deformações que raramente são detectáveis a olho nu.

O raciocínio se aplica ao conjunto de suspensão. Amortecedores e molas de segunda mão comprometem a estabilidade direcional e aumentam drasticamente a distância de frenagem. Um amortecedor fadigado, por exemplo, sobrecarrega outros componentes vitais. Montadoras como a Ford recomendam revisões periódicas e sugerem a substituição da peça perto da marca dos 80 mil quilômetros.

O alerta máximo recai sobre airbags e cintos de segurança. Em 2024, a agência de segurança viária dos Estados Unidos (NHTSA) emitiu um aviso contundente sobre airbags defeituosos ou falsificados instalados no mercado de usados, associando-os a ferimentos graves. Os cintos de segurança, por sua vez, têm sua estrutura de retenção irreversivelmente comprometida após uma colisão, mesmo que o tecido pareça intacto.

Por fim, ao avaliar qualquer componente metálico, a corrosão exige critério. Embora uma oxidação superficial possa ser tratada em peças de lataria, a ferrugem em áreas estruturais ou pontos de fixação anula a resistência original da peça, transformando o que parecia um bom negócio em um risco iminente no trânsito.

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3 Comentários
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Rodolfo 20 de maio de 2026

Eu só compro peças em autopeças. Tenho minha consciência tranquila que não estou prejudicando ninguém…
Já pensou que alguém pode ter sido assassinado por causa de uma peça de desmanche clandestino?

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Gilmar 20 de maio de 2026

Parece matéria paga…quem vai colocar um amortecedor usado corre o risco de colocar e descobrir que já está vazando e vai ter que trocar pelo mesmo motivo que trocou o que estava em cima do carro, ou do contrário nem trocaria o que já está ruim. Disco de freio? Mesma coisa…se está trocando um que está fino, não vai comprar um mais fino ainda para instalar…agora e pinça de freio? No caso ela é projetada para aguentar o esforço do pistonete que pressiona a pastilha contra o disco e será que por causa de um acidente que ocasionou perda total do veículo e que não tem nada a ver com a dita cuja (pq quando dá um acidente com a roda ou região onde está instalada, alguma coisa vai quebrar ou entortar) ela perde a eficiência, deixa de ser segura? Não é um item que tenha uma troca usual, mas vai que aconteça de precisar trocar esse item? Pesquise o preço de uma nova, prepare-se para vender um rim….

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Reynaldo 20 de maio de 2026

Se fossemos um país sério, justo e com olhar realmente ao futuro (que nunca chega, diga-se devpassagem), nenhuma peça usada seria negociada, mas, infelizmente tem aqueles que sempre vão sustentar o roubo e furto de veiculos evos desmanches clandestinos, porque mesmo tendo o dinheiro, o que mais tem faltado aqui é índole e isso só com muita educação de berço para de conquistar e muitos e muitos anos de um governo sério, austero e disciplinado para dirigir o povo no caminho certo.

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