Líder em recalls, Ford perde a paciência e ameaça banir fornecedores de peças

Defeitos em picapes e SUVs fazem a montadora tomar atitude drástica contra fábricas parceiras para tentar salvar a qualidade de seus veículos

ford
A eliminação de contratos anuais visa garantir que os custos de desenvolvimento permaneçam previsíveis ao longo de toda a vida útil do veículo (Foto: Divulgação )
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/05/2026 às 08h00

A Ford decidiu notificar formalmente seus parceiros da cadeia de suprimentos, em uma tentativa de estancar a crise de confiabilidade que a consolidou como a fabricante com o maior número de recalls na indústria automotiva dos Estados Unidos nos últimos anos. Em uma mudança de postura, a empresa passará a expor publicamente os fornecedores que apresentarem falhas de qualidade ou descontrole de custos, com a ameaça de bani-los de futuros projetos de desenvolvimento caso os problemas não sejam rapidamente mitigados.

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O peso dos componentes e os recalls em série

A alta cúpula da montadora atribui grande parte de seus gargalos recentes de produção e qualidade a falhas externas de manufatura. Um exemplo expressivo dessa dependência foi o recall que afetou cerca de 180 mil unidades do SUV Bronco e da picape Ranger, motivado exclusivamente por parafusos internos dos bancos que saíram da fábrica do fornecedor sem o torque de aperto correto.

O impacto na linha de montagem e na imagem da marca tem sido severo. Outro caso de grande repercussão envolveu cerca de 400 mil veículos de grande porte, como a picape F-250 Super Duty. Os modelos apresentaram quebras prematuras nos limpadores de para-brisa devido a uma falha estrutural de fixação da fabricante parceira Trico. Além disso, defeitos crônicos na suspensão traseira do SUV Ford Explorer exigiram convocações em massa para a substituição de componentes propensos a ferrugem excessiva, também fornecidos por empresas terceirizadas.

Gestão de valor e blindagem da produção

Para tentar contornar a crise operacional, a Ford está exigindo a adesão compulsória ao seu plano de Gestão de Valor Total (TVM). O programa demanda reduções anuais contínuas de custos para a montadora e elimina cláusulas de não renovação anual de contratos, garantindo maior estabilidade industrial.

Apesar da diretriz de tolerância zero com erros, a relação de dependência com a cadeia de autopeças continua complexa. Recentemente, a Ford precisou injetar capital próprio no grupo First Brands para manter as linhas de produção ativas e mitigar os reflexos de um incêndio ocorrido no ano passado em uma fábrica de alumínio da fornecedora. O incidente desacelerou drasticamente a montagem das rentáveis picapes F-150, evidenciando a fragilidade estrutural que a empresa agora tenta corrigir.

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1 Comentário
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Polvo 19 de maio de 2026

Se a Ford compra de fornecedores chineses talvez isso explique o porquê de tantos problemas. Miram só na redução de custos, mas mancham a reputação da marca. Procurar outros países asiáticos talvez seja uma opção.