Única Ferrari F40 com câmbio automatizado foi feita para o presidente da Fiat
Encomendada por Gianni Agnelli em 1989, a F40 Valeo recebeu embreagem eletrônica por causa de uma lesão na perna esquerda do dono
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/09/2026 às 12h00
Das cerca de 1.300 unidades da Ferrari F40 produzidas entre 1987 e 1992, uma única saiu de Maranello sem pedal de embreagem. Batizada de F40 Valeo, com chassi ZFFGJ34B000079883, foi encomendada em 1989 por Gianni Agnelli (ex-chefão da Fiat) e vendida em leilão em 2008 por € 418 mil — cerca de R$ 1,1 milhão pelo câmbio da época, ou R$ 2,5 milhões pela conversão de hoje. O detalhe é que, desde então, o mercado mudou de patamar: o recorde atual para uma F40 é de US$ 8,3 milhões, o equivalente a R$ 43 milhões, pagos por um exemplar de 1991 leiloado em Monterey.
A adaptação não foi capricho. Agnelli, presidente do Grupo Fiat de 1966 a 1996, sofria de uma lesão na perna esquerda causada por um acidente de carro e tinha dificuldade para acionar a embreagem. Como o grupo controlava metade da Ferrari desde o fim dos anos 1960, o pedido chegou a Maranello com peso — e Enzo Ferrari, morto em agosto de 1988, já não estava lá para vetá-lo. A fábrica recorreu à francesa Valeo para adaptar o câmbio manual de cinco marchas.

Automatizado, não automático
Vista de dentro, a F40 Valeo parece igual às outras: a alavanca é a mesma, com as marchas na grade metálica. A diferença está embaixo. A embreagem passou a ser acionada eletronicamente por uma central que fazia o engate e o desengate em menos de 100 milissegundos, sem intervenção do motorista. O sistema também impedia a seleção de marchas muito altas ou muito baixas e travava a partida fora das condições adequadas.
Fora isso, o carro é uma F40 padrão. O V8 2.9 biturbo montado longitudinalmente atrás do motorista entrega 478 cv e 58,8 kgfm, em uma carroceria de 1.100 kg. A versão convencional alcançava 323 km/h e ia de 0 a 100 km/h em 4,4 segundos; a Valeo ficou marginalmente mais pesada, e a Ferrari nunca divulgou números próprios para ela. Como distinção estética, ganhou revestimento interno preto em lugar do vermelho de série, alavanca de alumínio e acendedor de cigarros.

Três donos e 600 km rodados
Feito sob medida, o carro quase não foi usado. Quando o segundo proprietário o comprou em uma concessionária de Turim, o odômetro marcava pouco mais de 600 km. A F40 Valeo teve apenas três donos: Agnelli, esse comprador de Turim e o vencedor do leilão de 2008, que segue com o carro.

A parceria entre Agnelli e a Valeo era mais antiga. Anos antes da F40, ele já tinha encomendado uma Testarossa com solução parecida, e foi a satisfação da Ferrari com aquele projeto que levou a fábrica a repetir a dose. A F40 Valeo virou objeto de culto até em escala reduzida: a italiana BBR Models lançou este ano uma miniatura 1:18 do carro, limitada a 60 unidades, a € 426,39 — algo em torno de R$ 2.520.




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