Xiaomi se une aos maiores concessionários da Europa para invadir o continente
Fabricante que entregou 700 mil carros na China em dois anos prepara desembarque europeu; Brasil não entrou nos planos anunciados
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 10/09/2026 às 09h00
A Xiaomi confirmou nesta semana, durante a IFA Berlin, que pretende iniciar em 2027 a venda de carros na Alemanha e em outros países europeus. Para viabilizar a operação, a divisão automotiva da empresa chinesa assinou memorandos de entendimento com oito grandes grupos de concessionárias alemães — o primeiro passo concreto para montar uma rede de vendas e pós-venda fora da China.
Dois deles concentram o peso simbólico da negociação: o LUEG foi o primeiro concessionário autorizado da Mercedes-Benz na Alemanha, e o Emil Frey é um dos maiores distribuidores de veículos da Europa. Memorandos de entendimento, vale registrar, não têm força de contrato: apenas formalizam a intenção de negociar.
Segundo Yu Liguo, vice-presidente da Xiaomi Auto e responsável pela operação internacional, as parcerias locais são o eixo central da estratégia europeia. O executivo afirmou que a companhia está comprometida com investimentos de longo prazo na região e citou o centro de pesquisa e desenvolvimento de Munique como base para adaptar produtos ao consumidor local. A empresa diz que pretende recrutar novos parceiros em outros países europeus até a estreia.

A ofensiva se apoia em um histórico curto, mas expressivo. Desde as primeiras entregas do SU7, em março de 2024, a Xiaomi já entregou mais de 700 mil veículos na China continental. A família SU7 superou 500 mil unidades em 28,5 meses, enquanto o SUV YU7 registrou mais de 240 mil pedidos firmes em 18 horas de pré-venda. A linha Skynomad, apresentada em julho, estreou oficialmente no dia 7.
Brasil segue fora do mapa
Para o mercado brasileiro, não há qualquer anúncio. O fundador da Xiaomi, Lei Jun, afirmou em 2025 que a empresa só consideraria vender veículos fora da China a partir de 2027, prioridade dada à fila de espera doméstica e à capacidade da fábrica de Pequim.
Reportagem da Autoesporte apontou naquele ano conversas da marca com ao menos três importadoras brasileiras, sem desdobramento oficial. Enquanto isso, o país recebeu BYD, GWM, GAC, Changan, Zeekr e Jetour, todas já com rede própria — cenário em que a Xiaomi chegaria como retardatária.
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