CFMOTO piora no Reclame Aqui apesar de cumprir entregas
Conhecida no Brasil pelos UTVs, marca caiu de “Bom” para “Regular” após estrear nas motos; falhas nas reservas aumentam nas queixas
Publicado em 11/10/2026 às 11h00
A CFMOTO é a marca da vez no mercado brasileiro, na qual os motociclistas têm depositado a esperança de encontrar produtos de qualidade e preço justo, apesar da estreia recente e do número limitado de unidades por lote. Porém, a recém-chegada ao mercado de duas rodas já começou a enfrentar suas primeiras grandes dificuldades com o público.
No site Reclame Aqui, a CFMOTO teve uma queda em seu status de reputação, de “Bom” para “Regular”, baixa que se manifestou justamente no período de transição e expansão para a venda de motos, iniciada em maio de 2026. O desgaste cresceu na última semana: no quinto lote de reservas, adiado de 30 de setembro para segunda-feira (5) por uma falha no banco de dados, consumidores voltaram a relatar erro no pagamento via Pix, o mesmo problema registrado desde julho.
Apesar dos pesares, os números da Fenabrave contam outra parte da história. A marca chinesa, conhecida no país pelos quadriciclos e UTVs, somou 1.883 motos emplacadas até setembro, o que indica que a maior parte das unidades oferecidas nos lotes já chegou aos compradores.
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Nota da CFMOTO no Reclame Aqui caiu de 7,2 para 6,7

No primeiro semestre de 2026, período que cobre quase toda a fase em que a marca só vendia UTVs e quadriciclos, a CFMOTO tinha status de reputação “Bom” no Reclame Aqui, com nota 7,2. Foram 66 reclamações, com 75% resolvidas e 75% dos consumidores dispostos a voltar a fazer negócio.
Agora, em meados do segundo semestre, o recorte de seis meses entre 9 de abril e 9 de outubro mostra nota 6,7 e status “Regular”. Das 128 reclamações registradas no período, 89,1% foram respondidas e 62,2% resolvidas. O mesmo percentual de consumidores voltaria a fazer negócio com a marca.
O resultado ainda é melhor que o do recorte de março a agosto. Naquele período, a nota da CFMOTO era 6,0, o índice de solução, 51,7%, e apenas 55,2% voltariam a comprar da marca.
Reclamações se dividem entre compra e pós-venda das motos
Pelos filtros da plataforma, os problemas mais citados são baixa qualidade, atraso na entrega, danos ao veículo e cancelamento de compra. Na prática, as queixas se dividem em dois grupos: as que envolvem o processo de compra e o atendimento da marca, e as que tratam das motos já entregues.
No primeiro grupo, o principal alvo é o sistema de reservas, feito só pelo site e com pagamento via Pix.
Em julho, uma consumidora de São Paulo relatou que a moto aparecia disponível, mas, quando o QR Code do Pix deveria ser gerado, a reserva sumia e a unidade passava a constar como esgotada.
O problema voltou no lote de 5 de outubro, mesmo depois de a marca garantir que a infraestrutura havia sido “integralmente restabelecida e validada”. Um consumidor de Londrina (PR) conta que recebeu e-mail da CFMOTO confirmando a pré-reserva, mas não conseguiu pagar e depois foi informado de que ela havia expirado.
Na resposta, a marca atribuiu a falha ao volume de acessos simultâneos, explicação diferente da dada para o adiamento, quando citou o banco de dados internacional.




Os donos de UTVs, antigo carro-chefe da marca no país, também aparecem na lista, como um cliente que aguarda solução para uma peça do para-brisa coberta pela garantia.
No segundo grupo estão os proprietários de motos, cujas queixas cresceram com o aumento das entregas. Só em 7 e 8 de outubro, apareceram três casos:
- Uma Ibex 450 nova vazando óleo sem solução da concessionária;
- Uma loja que não atende para a troca de óleo;
- Uma Ibex 450 entregue em Assis (SP) com luz da injeção acesa, marcha lenta oscilando e parafusos dos protetores de mão soltos, além de uma pendência na documentação que impede o emplacamento.
Há ainda relatos de garantia que não pôde ser ativada por erro no cadastro do chassi.
Mesmo com reclamações, CFMOTO entrega maior parte das motos, aponta Fenabrave

Apesar das queixas, os dados de emplacamento indicam que a CFMOTO tem conseguido colocar nas ruas a maior parte das motos que vende.
Nos três primeiros lotes, a marca ofertou pouco mais de 1.700 unidades, segundo o Jornal do Carro. O quarto, aberto em 31 de agosto, teve 500, reservadas em três minutos. Somados, são cerca de 2.200 motos oferecidas até setembro.
No mesmo período, a Fenabrave contabilizou 1.883 emplacamentos da marca, ou seja, mais de 80% do volume ofertado nos quatro primeiros lotes. A conta é aproximada, porque os lotes não têm número exato divulgado e parte das reservas de agosto ainda pode estar em processo de entrega.
O ritmo também se manteve estável nos dois últimos meses, mesmo com a queda da Ibex 450. O carro-chefe da marca respondia por 1.091 dos 1.403 emplacamentos acumulados até agosto e, naquele mês, foi a terceira maxitrail mais vendida do país, atrás de Royal Enfield Himalayan 450 e Honda NX 500. Em setembro, caiu para 284 unidades, 22,8% a menos, e os demais modelos compensam a diferença.
Isso não significa que todas as entregas tenham sido feitas no prazo, já que o atraso está entre as queixas mais citadas no Reclame Aqui.
Rede e prazos já eram apontados como desafio
A operação da CFMOTO no Brasil não é feita por uma subsidiária, mas pelo Grupo Unique, de Piracicaba, que já trabalhava com os produtos off-road da marca. As motos são montadas em Manaus (AM), no sistema CKD.
Em maio, antes do início das vendas, o AutoPapo já havia conversado com especialistas buscando entender o que poderíamos esperar da nova marca.
A síntese é de que tudo ainda era muito imprevisível. O fato da marca não ter se instalado e designado um subsidiário, ter entrado em um mercado bem maior que o de UTVs e quadriciclos e ser uma operação nova com motos que o brasileiros ainda não conhecia, somava uma ação muito arriscada. O ponto positivo foi a rápida chegada da linha de montagem e forte investimento em peças de reposição.
Na época, a CFMOTO afirmou que trabalha com esse tipo de representação no mundo todo e que o Grupo Unique se reporta diretamente à CFMOTO China, como faria uma subsidiária.
CFMOTO sobre problemas recentes
Em questionamento ao AutoPapo, a CFMOTO se posicionou reconhecendo a situação e afirmando que trabalha em prol de deixar sua operação cada vez mais fluida.
Sobre a evolução da nota, a explicação está, em grande parte, em um fenômeno que nos enche de orgulho e, ao mesmo tempo, nos desafia: a procura pelas nossas motocicletas superou, e muito, a oferta disponível. A imensa maioria das reclamações que recebemos não se refere a defeitos de produto ou a problemas de pós-venda, mas sim a consumidores que tentaram comprar na nossa plataforma eletrônica e não conseguiram, porque os lotes se esgotam em poucos minutos. Em cada novo lote, registramos o acesso simultâneo de cerca de 7 a 9 mil pessoas interessadas em adquirir um estoque de 500 a 600 motocicletas. É simplesmente impossível que todas consigam concluir a compra, e compreendemos profundamente a frustração de quem tentou e não conseguiu”, explicou a marca.
A fabricante afirmou também que tem um compromisso de responder sempre a todos os questionamentos e dúvidas dos clientes. A porcentagem de respostas no Reclame Aqui é alta e de fato sempre acompanha o crescimento das perguntas.
A respeito dos problemas de instabilidade, a fabricante repete sua fala e diz verificar cada caso individualmente até a solução.
Por fim, a chinesa afirma que é uma marca em “plena expansão no Brasil” e que enxerga esse “volume e procura como estímulo, não como problema”.
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