Especialista aponta que os cuidados com a personalização da moto devem ir além do gosto e até mesmo das permissões legais
A comercialização de motos custom voltou a crescer no Brasil e, com isso, a customização dos modelos segue o mesmo ritmo. Mas se engana quem pensa que se pode fazer de tudo, pois esta arte, que consiste em aperfeiçoar o modelo ao gosto e estilo do cliente, possui, além das regras legais, um “acordo de cavalheiros” e muito cuidado.
O especialista na área e proprietário da Epic Motorcycle, Eduardo “Du” Modica, explicou quais devem ser as principais atenções de um piloto que quer customizar sua moto.
VEJA TAMBÉM:
A customização nada mais é do que o proprietário trazer a identidade dele para a motocicleta. Ele deixa a moto no perfil dele. “Existem vários estilos de customização”, afirmou Du. “Então, basicamente, é você modificar a moto, tirar um pouco da originalidade dela. Só que eu tento colocar o perfil do cliente sem perder a característica de fábrica.”
Du afirma que a característica do modelo é um ponto muito importante. As motos custom possuem diferentes “subcategorias” dentro do estilo. Bobber, chopper, café racer e cruiser: cada uma tem sua característica definida, e mudar isso é praticamente um crime entre os motociclistas.
Du afirma que preservar a essência do modelo é um ponto fundamental. Misturar elementos sem critério pode comprometer completamente o resultado.
“Vou pegar uma bobber e colocar um guidão gigante nela. Vai virar o quê? Uma chopper? Uma bobber? Não vira nada. Não fecha a conta. Então eu não posso fazer tudo o que o cliente quer. A moto é do cliente, mas o trabalho é meu. Vai levar meu nome e minha imagem. Se a galera olhar e ver um negócio bagunçado, vai falar mal do meu trabalho.”
A customização de moto deve ser criteriosa, bem pensada e bem feita. Tudo isso preserva a essência motociclística e também a segurança da motocicleta.
Para tornar uma moto uma extensão do piloto, é necessário entender o desejo do cliente e, além disso, a relação dele com a motocicleta.
Du aconselha que quem procura customizar a moto pense bem em como a utiliza no dia a dia.
“Tem cliente que fala: ‘Eu uso minha moto todo dia’. Beleza. Aí ele quer colocar um guidão muito baixo porque viu na internet, viu no exterior. Só que eu explico como isso pode incomodar no dia a dia. Muitos dos que insistem em contrariar coisas óbvias assim retornam para um novo ajuste.”
O guidão muito baixo pode causar incômodos nos ombros, braços e costas após muitos quilômetros de viagem.
Chegar a um resultado que, além de bonito, seja confortável e funcional é fundamental para que o piloto goste e sinta prazer ao pilotar a moto.
“A customização não tem limite. O limite é o bolso do cara”, brinca o customizador.
Segundo Modica, as alterações mais procuradas envolvem guidão, banco e pintura. Mudanças na suspensão e no espaçamento também aparecem com frequência, embora tenham custo mais elevado.

Essas modificações costumam impactar diretamente o visual da moto, além de influenciarem no conforto e até no som do modelo, fatores muito valorizados pelos motociclistas.
O chamado “chrome delete” — modificação que elimina peças cromadas e prioriza acabamentos escurecidos — também vem ganhando força entre os proprietários.
Além da estética, a customização também exige atenção às normas de trânsito e à regularização da motocicleta.
“Sempre recomendo para o cliente fazer a vistoria e legalizar as alterações. Eu não faço serviço que vá contra as normas de trânsito.”
Du explica que itens como iluminação e posição da placa precisam seguir exigências específicas para que a moto seja aprovada na vistoria.
“A placa precisa estar legível a pelo menos 20 metros. Então eu não faço nada escondido, porque senão o cara não passa na vistoria.”
As motos modificadas pela oficina passam por inspeções do Inmetro, onde são avaliados itens como pilotagem, frenagem, estabilidade e segurança estrutural.
“Eles fazem os testes e emitem um laudo dizendo que a moto está apta a circular.”
Após a aprovação, o proprietário consegue regularizar a documentação da motocicleta junto ao despachante.
O especialista destaca ainda que alterações estruturais aumentam bastante o custo do projeto devido às exigências técnicas e de engenharia envolvidas.
Principais regras para permissão de customização dos itens mais procurados:
A aceitação de motos customizadas varia bastante entre fabricantes e concessionárias.
Segundo Du, a Harley-Davidson, por exemplo, normalmente não aceita motos modificadas por oficinas externas em negociações.
“Se a customização foi feita com peças originais Harley, aí eles aceitam.”

Normalmente, para realizar um serviço em concessionária autorizada, a customização não pode atingir a parte que irá sofrer manutenção.
O impacto da customização no valor da motocicleta depende diretamente da qualidade do projeto.
“Tem projeto que valoriza porque foi bem feito. Mas também tem oficina que faz coisa mal pensada.”
Du explica que algumas modificações podem até comprometer manutenção e funcionalidade da moto quando realizadas sem planejamento adequado.
“Tem oficina que coloca roda grande e depois não dá para regular corrente ou tirar amortecedor.”
Por isso, ele afirma que seus projetos sempre levam em consideração a engenharia da motocicleta e a facilidade de manutenção futura.
Para Du Modica, o primeiro passo é escolher a moto certa antes de começar qualquer projeto.
“Customização custa dinheiro. Então faça em uma moto que você pretende ficar anos com ela.”

O especialista afirma que muitas pessoas acabam gastando grandes quantias em motos que não pretendem manter por muito tempo, o que pode gerar arrependimento.
Outro ponto importante é criar uma moto que faça sentido para o próprio piloto, e não para agradar outras pessoas.
“Faça a moto para o seu perfil, não para os outros.”
Segundo ele, o ideal é que o proprietário pense no uso real da motocicleta antes de decidir cada detalhe.
“Você gosta de guidão alto? Coloca. Quer banco solo? Faz. Quer levar a patroa? Coloca banco para ela. A moto é sua. Quem vai andar nela é você.”
Por fim, Du aconselha calma antes de iniciar qualquer modificação.
“O pessoal vai muito no emocional e às vezes faz coisa sem pensar. Escolhe a moto certa e monta ela do jeito que faz sentido para você.”
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|