Modelo de baixo custo que cativa clientes há mais de 28 anos acaba de ganhar uma atualização mesmo com concorrentes mais tecnológicos no mercado
A Honda Biz foi lançada em 1998 e agora, com 28 anos de mercado, ela acaba de ser atualizada para a variante ano/modelo 2027. Poucos são os modelos que permanecem por tantas décadas no mercado e, no caso da pequena cub, uma ameaça cresce cada vez mais: as scooters.
Porém, mesmo em meio a essa situação, a Honda Biz permanece imbatível, comercializando no Brasil mais que qualquer outra rival direta, indireta, mais tecnológica e até mais barata. Por que razão será que o brasileiro ainda aposta nessa pequena motocicleta simples, rústica e sistemática?
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Segundo a própria Honda, em comunicado, a Biz é “o veículo preferencial de famílias que desejam um meio de locomoção prático, econômico e robusto, ideal para deslocamentos curtos, mas que não desdenha trajetos mais longos por estradas muitas vezes não pavimentadas.”
A prova disso está nos números. A Honda Biz é a segunda moto mais vendida do Brasil, perdendo apenas para a Honda CG, e no último ano comercializou 267.052 unidades, representando 12,57% de todos os emplacamentos de motocicletas do país em 2025.
Como afirmou a marca, todo o conjunto pode explicar esse sucesso. Além de ser uma moto clássica, derivada da moto que mais vendeu em toda a história, a Honda Cub, a Biz possui um conjunto simples, prático e eficiente.
O motor 125 da fabricante já é clássico e conhecido no mercado, afinal existe desde o início dos anos 2000. A confiabilidade anda junto com o modelo, que também tem peças acessíveis no caso de manutenção.

Mas os maiores destaques são o câmbio e o bagageiro. Como uma boa aspirante a scooter, a moto foi a primeira da japonesa no Brasil a contar com um bagageiro sob o banco, o que atraiu o público que queria uma moto e tinha a necessidade de carregar objetos. Já na hora de trocar as velocidades há uma atividade a menos, já que a caixa de marchas rotativa de 4 velocidades dispensa o manete de embreagem e o condutor precisa passar as marchas apenas com os pés.
Além de tudo, até hoje a Honda Biz é uma das motos mais baratas do país, se encontrando em 5º lugar geral pelos seus R$ 13.505.
Para o especialista em duas rodas Marcelo Barros, do Motordomundo, a Biz é prática para uma população que precisa disso.
A Biz é mais simples mecanicamente, por não ter o CVT, é mais fácil trocar pneu traseiro, sapata de freio e outros componentes”, afirmou Marcelo. “Isso faz ela vender mais.”
O sucesso do modelo, porém, não se deve apenas à positividade.
Essa simplicidade à qual o modelo é associado também tem seu lado negativo. Para Marcelo, a praticidade do modelo é ligada ao poder de compra do brasileiro.
“O Brasil é um país complexo. Há muitos ‘países’ dentro de um só e a Honda sabe ler isso como ninguém. Gostem ou não os mais fervorosos motociclistas, iniciativas como CG, Bros, Pop e Biz fazem muita gente ter mobilidade e mais qualidade de vida. Existe uma faixa de poder aquisitivo onde simplesmente não existe a remota possibilidade de ter uma moto ‘premium’. Seja pelo preço de compra, preço de peças, ou simplesmente porque a marca tem a loja mais perto dele, a 500 km. Aí, o que está na esquina dele? A loja da Honda”, salientou.
Modelos mais eficientes e tecnológicos não faltam no mercado. A própria japonesa conta com a Honda Elite, uma pequena scooter 125 que, por característica, tem um câmbio 100% automático, além de linhas, luzes e componentes mais completos e modernos. Hoje a variante custa pouco mais que a Biz, mas nem quando era mais em conta superou a cub nas comercializações.

O ponto é que, mesmo custando menos e sendo mais moderna, a complexidade de manter um modelo avançado pode pesar no bolso do brasileiro. Confiar em uma moto simples e comum parece ser a saída ainda mais procurada pelo cidadão.
Barros finaliza afirmando que não dá para julgar a marca por ainda fornecer um modelo simples como esse, uma vez que a adesão ainda é alta.
Em questionamento, a Honda respondeu ao AutoPapo afirmando que a Biz segue com uma robustez superior às necessidades do brasileiro.
“A Honda segue investindo na Biz125 porque o modelo reúne, de forma consistente, características muito valorizadas no mercado brasileiro e pelo usuário desta motocicleta, como excelente durabilidade e resistência para o uso cotidiano independente das condições de rodagem, baixo custo de manutenção, mecânica simples além da credibilidade consolidada nestes quase 30 anos de mercado. Atualmente ela atende motociclistas que priorizam economia, durabilidade e praticidade em um produto com característica robusta e grande penetração no interior. Já as scooters, mesmo que mais tecnológicas, não conseguem substituir totalmente a Biz 125 por ter um custo de manutenção mais elevado (transmissão CVT, carenagens, eletrônica) quando falamos de poder de compra do usuário e tem proposta mais urbana e refinada, uso mais confortável para condições nos grandes centro e capitais”, afirmou a marca.
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