Honda chega a 10 milhões de motos flex produzidas no Brasil

Fabricante alcança novo marco 17 anos após lançar a CG 150 Titan Mix, a primeira moto bicombustível de produção em série do mundo

CAPA PROOM Linha CG 2026 MOV (11)
Tecnologia FlexOne está presente em 65% da linha nacional da Honda (Foto: Honda | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/07/2026 às 22h00

A Honda ultrapassou a marca de 10 milhões de motocicletas equipadas com tecnologia flex produzidas no Brasil. O marco foi alcançado na metade de 2026 na fábrica da marca no Polo Industrial de Manaus (AM), de onde saem todas as motos vendidas no País. A empresa foi pioneira mundial ao levar o motor bicombustível para motocicletas de produção em larga escala.

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A tecnologia estreou em 2009, com a CG 150 Titan Mix — a primeira motocicleta do mundo capaz de rodar com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre os dois em série. À época, o feito exigiu uma solução de engenharia específica: ao contrário dos carros, as motos têm pouco espaço para o subtanque, a bomba e os sensores que resolvem a partida a frio, o que obrigou a Honda a criar um sistema compacto de injeção e gestão eletrônica.

Desde então, o conjunto flex se consolidou como um dos principais diferenciais da marca, líder do mercado brasileiro de duas rodas. Atualmente, cerca de 65% da linha fabricada no Brasil usa o FlexOne, presente em nove modelos: Biz 125, CB300F Twister, CG 160 Titan, CG 160 Fan, CG 160 Cargo, NXR 160 Bros, XRE 190, XRE 300 Sahara e XR300L Tornado.

A ampla adoção reflete uma particularidade do mercado brasileiro: enquanto boa parte do mundo caminha direto para a eletrificação das motos, o Brasil dispõe do etanol como alternativa renovável, capaz de reduzir emissões sem exigir mudanças na rede de abastecimento. O país tem ainda uma das maiores frotas de motocicletas do planeta, o que amplia a escala da tecnologia.

Na prática, o sistema identifica automaticamente a proporção de etanol e gasolina no tanque e ajusta a injeção e o ponto de ignição. Isso permite ao motociclista abastecer conforme o preço ou a disponibilidade do combustível, sem comprometer o desempenho ou a confiabilidade do motor.

Para Marcos Bento, chefe comercial da Honda Motos, a marca de 10 milhões reflete a “capacidade da indústria brasileira de inovar com foco no cliente”. O sistema virou também um produto de exportação: desde 2023, a Honda leva a tecnologia à Índia, o maior mercado de motos do mundo. A aposta se insere na estratégia global da empresa de buscar a neutralidade de carbono ao longo da década de 2040, apoiada tanto na eletrificação quanto na evolução dos motores a combustão movidos a combustíveis renováveis.

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