Honda produz mais pão do que moto em Manaus: você não leu errado
Maior fabricante de motos do Brasil virou padaria para se adaptar às necessidades e uma vasta operação na Paris dos Trópicos
Publicado em 07/11/2026 às 17h00
A Honda celebrou nesta semana os 50 anos de produção de motocicletas no Brasil e aproveitou a data para anunciar um aporte de R$ 3,3 bilhões na fábrica de Manaus (AM), além de inaugurar dentro da própria unidade um acervo com 37 motos que conta a história da marca no país. A meta do investimento é elevar a capacidade para 2,3 milhões de motos por ano até 2029, acima do patamar atual, de cerca de 1,6 milhão.
São números grandes. Nenhum deles, porém, é o mais surpreendente da operação: em um único dia, a fábrica da Honda em Manaus assa cerca de 25 mil pães franceses — quase quatro vezes o volume de motos que sai da linha no mesmo período, em torno de 7 mil unidades por dia.
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“Estamos falando de uma cidade”
A curiosidade pegou de surpresa a imprensa – que visitava a fábrica durante o aniversário. Mas a explicação é simples, e está na conta entre o tamanho da operação e a oferta de pão na região: não há panificadora capaz de atender sozinha a demanda diária do complexo. Para resolver, a montadora virou padaria.
“A Moto Honda da Amazônia é uma das maiores fábricas do polo industrial de Manaus. Hoje nós temos em torno de 9 mil colaboradores que trabalham diretamente, mias os nossos parceiros que estão todos os dias conosco. Isso representa em torno de 13 mil pessoas na fábrica, ou seja, nós estamos falando de uma ‘cidade’”, afirmou Lourival Barros, head de produção da Honda Motos do Brasil.
Os 25 mil pães diários vão todos para o consumo interno dos trabalhadores.

A horta da Honda fica a 70 km da fábrica
Em entrevista exclusiva ao AutoPapo, Lourival contou que o cardápio não para no pão. A empresa mantém uma reserva natural a 70 quilômetros de Manaus onde cultiva os próprios vegetais.
“Hoje nós temos uma reserva natural a 70 quilômetros da fábrica de Manaus e, nessa reserva, produzimos várias hortaliças que utilizamos internamente na fábrica, para os nossos colaboradores. Então, a Honda é uma empresa de mobilidade que produz motocicleta, mas também produz pães e hortaliças para abastecer a fábrica de Manaus”, disse o executivo.
Questionado se a estrutura também beneficia a comunidade do entorno, Lourival confirmou que sim. O head pontua que a contratação de mão de obra local para a padaria, as hortaliças e as demais atividades tocadas com parceiros gera emprego, contribui para o desenvolvimento regional e ajuda as comunidades que acompanham a fábrica nesses 50 anos.

A Honda não está sozinha: a VW faz salsicha e a Mercedes plantou horta
O caso de Manaus é inusitado, mas não é inédito na indústria automotiva. Em Wolfsburg, na Alemanha, a Volkswagen produz desde 1973 a própria currywurst, feita no açougue da Volkswagen Service Factory e batizada com número de peça no catálogo oficial da marca: 199 398 500 A.
A conta é desproporcional. Os últimos dados divulgados pela empresa, referentes ao ano de 2024, apontam 8,552 milhões de salsichas vendidas em cantinas e supermercados — recorde histórico, cerca de 200 mil unidades acima de 2023. No mesmo período, a marca VW emplacou aproximadamente 5,2 milhões de carros e utilitários. Ou seja: a salsicha é, com folga, o produto mais vendido da Volkswagen.
No Brasil, a Mercedes-Benz tentou resolver a parte das hortaliças sem sair do parque fabril. Em novembro de 2019, a montadora cedeu um espaço ao lado do restaurante da fábrica de caminhões e ônibus de São Bernardo do Campo (SP) para uma Fazenda Urbana operada pela startup mineira BeGreen — a Mercedes entrou com a área, a parceira assumiu a produção.
Pelos números informados pelas empresas à época, a estufa combinava aquaponia, aeroponia e iluminação de LED, com capacidade para 2.680 quilos de hortaliças por mês, ou 44 mil pés de verduras, ervas e temperos. Em fevereiro de 2020, o projeto ficou em segundo lugar na categoria Excelência em Gestão Ambiental do Daimler Environmental Leadership Award.
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