Restrições impostas pelos clubes preveem preservação da saúde e podem até resultar em multas ou rescisão contratual
A Copa do Mundo FIFA 2026 se aproxima e os holofotes de toda a mídia estão voltados para a competição. Os jogadores convocados já se apresentaram com as respectivas delegações na América do Norte, onde o campeonato será realizado. Os futebolistas que não representarão seus países desfrutam férias durante a Data FIFA, passeando em seus belos carros. Mas, por acaso, você já viu alguma notícia de um jogador andando de moto?
Na verdade, as poucas notícias que podem ser encontradas costumam informar acidentes ou expor jogadores aposentados com seus modelos, como já aconteceu com Ibrahimović e sua Harley-Davidson V-Rod.
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A motivação disso tudo é simples: jogadores de futebol profissional não podem andar de moto!
Quem deixou esse assunto muito polêmico há algum tempo foi o atacante Yuri Alberto, do Corinthians. Em entrevista ao podcast PodPah, o atleta comentou sobre a regra e concordou com um dos entrevistadores que citou o impedimento de jogadores andarem de moto. Ele ainda completou afirmando que há várias outras atividades impedidas pelos clubes, como andar de bicicleta e ir a parques de diversões. Yuri afirmou que tudo está ligado à preservação da saúde dos atletas e à mitigação do risco à vida.
Segundo o Dr. Bernardo Marchesini, advogado especialista em Direito Desportivo, os clubes realmente têm essa prática.
O jogador de futebol profissional, inevitavelmente, depende de estar saudável para que possa desenvolver sua profissão. Tal situação faz com que certos cuidados que outras profissões não precisam ter recaiam sobre os jogadores”, afirma o especialista.
A preocupação dos clubes faz sentido, uma vez que, estatisticamente, motocicletas representam mais riscos à saúde dos cidadãos do que os carros. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em pesquisa de 2025, 60% das internações por acidentes de trânsito envolvem motociclistas.
No mesmo ano, o Atlas da Violência destacou que o número de mortes gerais no trânsito recuou de 21,2 para 16,2 mortes por 100 mil habitantes (redução de 23,6%). Entretanto, as mortes envolvendo motocicletas aumentaram de 6 para 6,3 mortes por 100 mil habitantes (alta de 5%). A pesquisa considerou números entre 2013 e 2023.
Marchesini reforça que: “Por mais que aparentemente exagerada, essa condição é razoável, até mesmo porque caberá ao clube contratante arcar com a ausência de seu jogador, além de outros custos que as lesões podem trazer”.

Porém, engana-se quem pensa que a restrição se limita a pilotar uma motocicleta. Toda e qualquer atividade que envolva riscos à saúde pode ser impedida pelos clubes.
“A prática de esportes chamados radicais, dentre outras atividades que, potencialmente, podem gerar lesões e contusões, como, por exemplo, andar de moto, é restringida em várias ocasiões. Andar de moto é uma das situações mais comuns restritas por esse tipo de cláusula, mas a prática de esportes como esqui na neve, automobilismo, hipismo, dentre outros, também encontra vedação pelo mesmo princípio: diminuir a chance de lesões e contusões por parte dos jogadores profissionais”, explicou o advogado.
Michel Guerreiro, ex-jogador famoso por sua passagem pelo Ceará, assim como o corintiano Yuri Alberto, também já afirmou nas redes que: “Jogador não pode andar de moto! Na hora de assinar o contrato, nas letrinhas finais, vem escrito que é proibido andar de moto”. O futebolista ainda recorda que, no início de sua carreira, em 2005, teve que vender sua moto ao ser contratado pelo Sport Club do Recife.
O Dr. Bernardo Marchesini ainda diz que não existe nenhuma legislação específica que vede a prática de outras atividades por jogadores de futebol. O ponto é que as exigências dos clubes vêm de forma contratual.
“Os contratos entre clube e atleta, independentemente da natureza, possuem obrigações mútuas, bem como penalidades em caso de descumprimento. Essas punições podem ir de uma simples advertência, chegando até a uma rescisão por justa causa, passando por multas, suspensões ou outras acordadas entre as partes.”
Ou seja, o jogador de futebol profissional que não cumprir as regras relacionadas ao uso de motocicletas e outros impedimentos pode sofrer consequências legais.
Um caso recente desses impactos aconteceu com o atacante Bruno Rodrigues, do Cruzeiro e emprestado pelo Palmeiras. Enquanto atuava pelo clube paulista, em dezembro de 2025, o atleta foi multado após disputar um torneio amador de futebol durante as férias sem autorização prévia do clube.
Após o episódio, o jogador pediu desculpas publicamente e chegou a cancelar a participação em outra partida beneficente para evitar novos desgastes. O regulamento interno do Verdão já previa punições para atletas que participassem de atividades capazes de colocar em risco sua integridade física durante o período de descanso.
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Tem alguns que basta um olhar enfezado pra ele cair segurando a canela e chorando……….. nutelinha….
Deviam ser obrigados a jogar futebol de verdade rsrsrs