Brasileiros tem comprado mais motos de alta cilindrada
Categoria responde por apenas 2,8% do volume produzido no Brasil, mas avança o dobro da média do mercado, segundo a Abraciclo
Publicado em 16/10/2026 às 08h00
As motos de alta cilindrada foram as que mais cresceram na produção brasileira nos nove primeiros meses de 2026. O avanço foi de 19,7% sobre o mesmo período de 2025, o dobro dos 9,9% registrados pelo mercado como um todo. Os números, apresentados pela Abraciclo no último encontro da imprensa, na segunda semana de outubro, mostram que o mercado de motos não cresce apenas por necessidade, mas também por gosto.
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O crescimento parte de uma base pequena. A alta cilindrada responde por 2,8% de tudo o que saiu das linhas de montagem no período. A faixa de entrada, de até 160 cm³, segue dominante, com 78,8% da produção, e a média motorização fica com 18,4%. Porém, o percentual é o que mais cresce!
Veja o desempenho de cada faixa de janeiro a setembro de 2026:
- Alta cilindrada: 46.543 unidades produzidas (2,8% do total), alta de 19,7%
- Baixa cilindrada (até 160 cm³): 1.295.499 unidades (78,8%), alta de 10,3%
- Média cilindrada: 302.992 unidades (18,4%), alta de 7,3%
Naked e Sport Touring puxam o avanço

Na apresentação da coletiva, a Abraciclo citou crescimento de 39% nas nakeds e de 600% nas sport touring no acumulado do ano. Os dois nichos, no entanto, estão entre as categorias que respondem por menos de 2% da produção cada uma — o que ajuda a explicar percentuais tão altos. Em setembro, por exemplo, a sport touring somou 430 motos fabricadas, e a naked, 3.474.
O ranking de produção por categoria continua concentrado no básico: street lidera com 842.150 unidades (51,2% do volume), seguida por trail (328.636 e 20%) e motoneta (214.200 e 13%). A scooter aparece logo depois, com cerca de 9%.
Segundo a fenabrave, as motos de alta mais vendidas do mercado são:
- BMW R 1300 GS Adventure (1.300 cm³): 2.566 unidades
- Triumph Tiger 900 (888 cm³): 2.207
- Kawasaki Z900 (948 cm³): 1.962
- BMW R 1300 GS (1.300 cm³): 1.383
- BMW F 900 GS (895 cm³): 1.302
- Honda CRF 1100L Africa Twin (1.084 cm³): 1.261
- BMW S 1000 RR (999 cm³): 682
- Harley-Davidson Road Glide: 400
- BMW R 1300 RT (1.300 cm³): 303
- Harley-Davidson Street Glide: 163
Abraciclo vê migração de faixa, não moda passageira
Para o presidente da entidade, Marcos Bento, o avanço das cilindradas maiores indica um mercado em expansão equilibrada.
Aquele que adquire a sua motocicleta está mudando de faixa e assim o mercado d emoto tem atraindo novos públicos”, afirmou.
Questionado se o movimento é esporádico, Bento disse esperar continuidade. Segundo ele, trata-se de “um público que busca um perfil de lazer, um público de classe média alta que vem tomando gosto pela motocicleta, com até migração do segundo veículo como opção à motocicleta”. O crescimento, na avaliação dele, “deve se manter nos próximos anos”.

Produção tem o melhor resultado desde 2008
De janeiro a setembro, a indústria de motos do Polo Industrial de Manaus produziu 1.645.034 motocicletas, 148 mil a mais que em 2025. É o melhor desempenho para o período desde 2008, segundo levantamento da própria associação. Só em setembro foram 186.758 unidades, melhor marca para o mês desde 2011, ainda que o volume tenha recuado 8,5% em relação a agosto.
É o segundo ano seguido em que o deslocamento para cima aparece nos números da associação. Em 2025, o destaque tinha sido a média cilindrada; agora, a alta.
Projeção do ano sobe para 6%, abaixo do ritmo atual
Com o desempenho acumulado, a Abraciclo revisou para cima as projeções de 2026. A produção estimada passou de 2.070.000 para 2.100.000 unidades, alta de 6% sobre 2025. O varejo foi de 2,3 milhões para 2.350.000 motos emplacadas (+6,9%) e as exportações saltaram de 45 mil para 48 mil unidades — aqui, a projeção de crescimento mais que dobrou, de 4,4% para 11,3%.
A projeção revisada de produção ainda fica abaixo dos 9,9% de alta já registrados até setembro, o que implicaria um quarto trimestre mais fraco. Bento negou essa leitura e tratou a revisão como ajuste da projeção anual, sem detalhar as premissas: “Este crescimento de 6% ele está dentro da expectativa e é um crescimento muito positivo para esse ano de 2026”.
No varejo, os emplacamentos somaram 1.783.972 unidades de janeiro a setembro, recorde histórico para o período, com alta de 10,5%. A associação não abriu esse número por faixa de motorização.
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