Por que as baterias para carros com sistema start/stop são diferentes?

Antes os equipamentos de carga eram responsáveis apenas por auxiliar na partida e sustentar poucos sistemas, realidade dos Start/Stop demanda mais energia

Por AutoPapo04/02/19 às 09h53

O start/stop foi adotado por modelos mais modernos para atuar na diminuição de até 15% no consumo de combustível no trânsito urbano. A tecnologia, responsável pelo desligamento do motor quando o carro para no semáforo ou no trânsito, por exemplo, trouxe consigo algumas necessidades. Entre elas: baterias, alternadores e motores de arranque especiais.

A principal função da bateria é acionar o motor de arranque e dar partida no motor. Nos modelos com start/stop, por sua vez, sequências de pequenas descargas são demandadas constantemente das baterias no para e anda do cada vez mais complicado trânsito urbano.

“A partida extrai apenas cerca de 1% da energia do componente, mas se repete várias vezes durante o trajeto realizado por um carro com a tecnologia start/stop”, explica o engenheiro de aplicação da Heliar, Marcos Randazzo.

Dois tipos de baterias foram criados para alimentar os carros com a tecnologia, as EFB (da sigla em inglês Enhanced Flooded Battery, em português Baterias Convencionais Melhoradas) e as AGM (do inglês Absorbent Glass Mat, em português Manta de Vidro Absorvido).

Carros comuns com start/stop utilizam as EFBs, capazes de sustentar toda a parte elétrica do carro com as sucessivas paradas no trânsito.

A EFB é a evolução das baterias SLI (convencionais), por isso são utilizadas em automóveis que somente precisam de cargas rápidas para dar várias partidas ao longo do mesmo trajeto. Essa tecnologia é ideal para uso, também, em aplicações especiais, como para táxis ou aplicativos de mobilidade.

Carros com sistema Start/Stop demandam mais energia das baterias, por isso novos modelos foram criados. Conheça a diferença entre as baterias AGM e EFB.
Bateria EFB

As AGM, por sua vez, são usadas em sistemas mais complexos. É o caso de veículos com turbo eletrônico e freio regenerativo, que precisam de ciclos mais profundos de energia e demandam uma alta – e rápida – capacidade de absorção da energia recebida pelo sistema de frenagem.

A AGM tem esse nome pois, diferente das outras baterias, não tem as placas de chumbo mergulhadas numa solução ácida. Ela possui um sistema de mantas de lã de vidro que absorve essa substância aquosa e confere maior eficiência energética nos ciclos mais profundos de descarga.

O engenheiro Marcos Randazzo destaca que é preciso tomar cuidado ao verificar qual a bateria mais indicada para cada veículo: “No caso de aplicar uma EFB num carro que necessita de uma AGM, ou vice-versa, é possível acarretar em perdas de eficiência energética e diminuir a vida útil da bateria. Além, ainda, de danificar os demais componentes do veículo”.

O mesmo ocorre quando uma bateria convencional (SLI) é instalada em um carro com tecnologia start/stop.

Baterias para sistema start/stop em automóveis comuns

Marcos Randazzo afirma que colocar uma bateria EFB em um carro sem start/stop poderia duplicar e até mesmo triplicar a vida útil do componente. No entanto, é preciso muita atenção para não instalar nesses carros uma AGM.

Carros com sistema Start/Stop demandam mais energia das baterias, por isso novos modelos foram criados. Conheça a diferença entre as baterias AGM e EFB.
Bateria AGM

As baterias AGM são sensíveis ao calor e, por isso, demandam uma estrutura diferenciada. Colocá-las em um veículo despreparado pode afetar sua funcionalidade.

Bateria fraca interfere no sistema Start/Stop?

Quando resolveram adotar a tecnologia, as fabricantes instalaram um sistema de sensores que percebem – e avisam – quando a bateria está com pouca carga. Nesse caso, o Start/Stop é desativado.

Além da bateria fraca, outras situações também desligam Start/Stop. Se o ar condicionado estiver ligado e subir muito a temperatura interna do carro, por exemplo, o motor é ligado e se mantém assim por um longo tempo. Se a porta do carro estiver aberta, o motor também deixa de ligar e desligar.

Motorista pode substituir manualmente o sistema para obter mesma redução de consumo?

Não se recomenda ligar e desligar manualmente o carro nas constantes paradas do trânsito no carro que não tenha o start/stop, pois as fábricas tomaram vários outros cuidados ao instalar o sistema. Além da bateria, também os alternadores e o próprio motor de arranque foram reprojetados para suportar uma demanda várias vezes maior: se num carro normal o motorista dá no arranque algumas poucas vezes por dia, o start/stop o aciona dezenas de vezes, exigindo muito mais destes componentes.

Imagens Heliar | Divulgação

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1 Comentário
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    João Antônio Dohms 8 de fevereiro de 2019

    Boa tarde
    Tenho um Volvo XC90 Inscription 2019.
    Acho uma bosta esse sistema liga/desliga,às vezes numa quadra ele liga e desliga umas seis vezes.
    Idiota quem criou isso,sempre que entro o carro desligo o sistema,lamento que não haja uma maneira de desligar definitivamente o sistema.
    Com relação à economia de combustível,se vc dirigir com um pouco mais de cautela ,gera uma economia muito maior !Detesto esses sistema .

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