Carros feios, mas competentes: 5 modelos que não cativavam pelo visual

Listamos os automóveis que entraram para a história não apenas pelo design esquisito, mas também por determinadas qualidades técnicas

Por Alexandre Carneiro03/02/19 às 10h00

“Quem vê cara não vê coração,” ensina a cultura popular brasileira. Isso vale também para a indústria automobilística, que já produziu muitos carros feios ao redor do mundo. Alguns deles, porém, eram mais que isso: entraram para a história não apenas pelo visual esquisito, mas também por determinadas qualidades técnicas. O AutoPapo listou cinco desses veículos. Dê uma chance a eles e não os julgue apenas pelas aparências. Afinal, por trás das carinhas disformes, há trunfos importantes!

1. Fiat Multipla

O Fiat Multipla tem presença garantida em qualquer lista de carros feios já produzidos no mundo. A beleza realmente não é ponto forte, mas há de se reconhecer que ele tem outras qualidades. A maior delas é a funcionalidade. Duvida? Pois saiba que o modelo tem tamanho de hatch compacto com espaço interno de carro grande.

Apesar do comprimento de apenas 3,99 metros (para efeito de comparação, um Chevrolet Onix tem 3,93 metros), o modelo acomoda seis pessoas em seu interior, em duas fileiras de assentos. E com conforto, pois há poltronas individuais para cada um dos ocupantes. E ainda tem um porta-malas com bons 430 litros de capacidade. O segredo está justamente no formato da capota, que permite ótimo aproveitamento da cabine.

O Fiat Multipla chegou a passar por uma reestilização em 2004, que todavia não foi capaz de deixá-lo menos estranho. Apesar disso, o veículo teve vida longa: na Itália, a produção foi de 1998 a 2010. Sinal de que uma parcela dos consumidores privilegiou a combinação única de espaço interno ao visual controvertido. Até hoje, é possível ver algumas unidades trabalhando como táxis no país de origem.

2. AMC Gremlin

Carros feios, mas competentes: AMC Gremlin

Diz a história que os primeiros esboços do Gremlin foram feitos no saco de enjoo de um avião da empresa Northwest Orient pelo designer Richard Teagle, da American Motors Corporation (AMC), durante uma viagem. Esse episódio é só um dos pretextos dos críticos para fazer piada com o modelo, ridicularizado pelo visual e até pelo nome. Porém, antes de colocá-lo no rol dos feios, é preciso considerar tratar-se do melhor entre os carros compactos dos Estados Unidos em sua época. Não apenas por mérito próprio, diga-se, mas também por incapacidade dos concorrentes.

Antes de mais nada, é preciso considerar o contexto da indústria estadunidense na época. Os fabricantes locais priorizavam a produção de carros grandes, que sempre haviam sido os queridinhos dos consumidores. Porém, nos anos 60, alguns compactos importados da Europa e do Japão começavam a fazer sucesso. Para combatê-los, a indústria do país viu-se obrigada a entrar em um segmento no qual não possuía know-how. A AMC, por outro lado, já tinha experiência com automóveis de menor porte. Ademais, concebeu o Gremlin a partir de um modelo já existente: o Rambler, enquanto Ford e GM apostaram em projetos inéditos.

Graças a esses fatores, o Gremlin era bem mais confiável que seus concorrentes. O rival da Ford, batizado de Pinto, entrou para a história após protagonizar um dos maiores escândalos da indústria do país. O motivo? Incêndios: a tubulação do tanque de combustível se rompia em colisões traseiras, fazendo o carro se transformar, literalmente, em uma bola de fogo. Já o adversário da Chevrolet, o Vega, é lembrado como um dos produtos de pior qualidade que a empresa já comercializou. Devido a diversas falhas de produção, milhares de unidades apresentaram defeitos. Consequentemente, ele logo ganhou má reputação entre os compradores.

No quesito desempenho, nova vantagem para o Gremlin. É que, desde a versão de entrada, ele era equipado com um motor 3.3 de seis cilindros, herdado do Rambler, enquanto os rivais vinham com unidades de quatro cilindros, mais econômicas, porém menos potentes. Lançado em 1970, saiu de linha apenas em 1978. Naquele ano, o modelo sofreu pequenas modificações e foi rebatizado de AMC Eagle Kammback, o que lhe deu uma sobrevida até 1982. Prova de que, apesar de estar entre os feios, teve trajetória mais bonita que a dos carros concorrentes.

3. Tatra 603

Carros feios, mas competentes: Tatra 603

Já ouviu falar da Tatra? Não a confunda com a indiana Tata Motors! A marca em questão foi fundada na Tchecoslováquia, atual República Tcheca. Após a Segunda Guerra Mundial, a empresa ganhou fama de produzir alguns dos melhores carros da União Soviética. Foi justamente nesse período, em 1956, que o modelo 603 foi lançado. Destinado a chefes de estado e a membros do Partido Socialista, era um automóvel luxuoso e avançado para os padrões da época.

Mas o estilo não era seu forte. Com três faróis na dianteira, enormes tomadas de ar laterais e um vidro traseiro bipartido, seu design era no mínimo extravagante. Mas o veículo era rápido, graças ao motor traseiro de oito cilindros e 2,5 litros, refrigerado a ar e posicionado na traseira (como no Fusca). Também era confiável, mostrando-se robusto inclusive nos severos invernos da Rússia e dos países do Leste Europeu.

Essas características fizeram com que o Tatra 603 fizesse sucesso em provas de rali. Obteve bons resultados tanto diante de outros carros soviéticos quanto frente a oponentes do Oeste Europeu. Após passar por atualizações ao longo do tempo, saiu de linha em 1975. Os exemplares desse modelo podem ser feios, mas marcaram época.

4. Renault 12

Carros feios, mas competentes: Renault 12
Renault 12 (Renault | Divulgação)

Lembrado tanto por ser um dos carros mais feios produzidos pela Renault quanto por ter obtido enorme sucesso comercial. Assim é o sedã 12, lançado na França em 1969. De lá, o modelo literalmente ganhou o mundo: foi produzido na Romênia, como Dacia 1310, na Turquia e até na Oceania. Também chegou, via importação, à Ásia e à América do Norte.

Apesar de não ter sido vendido no Brasil, o Renault 12 serviu de base para o Corcel. Os dois compartilhavam a mecânica e a plataforma, embora o “primo” nacional, felizmente, tivesse design mais agradável. Mas o modelo foi produzido em outros países da América Latina, como México e Argentina. No mercado “hermano”, agradou tanto que a fabricação, iniciada em 1971, só foi encerrada em 1994.

O segredo do sucesso do Renault 12 é, provavelmente, a racionalidade. Seus motores de quatro cilindros, além de simples e robustos, eram econômicos. Além disso, tinha bom espaço na cabine e no porta-malas. O preço acessível era o argumento final para garantir a aceitação dos consumidores, que o adquiriram em grande volume. Foram mais de 2,8 milhões de unidades produzidas ao redor do planeta, sem contar os exemplares fabricados pela Dacia. Se esses carros eram feios ou não, em nada fazia diferença para os inúmeros compradores, interessados em um produto confiável e eficiente.

5. Subaru Impreza

Carros feios, mas competentes: Subaru Impreza

Fãs da Subaru, acalmem-se! Nossa lista de carros feios não inclui todas as versões do Impreza, que teve encarnações bastante bonitas. Referimos-nos apenas à segunda geração, mais especificamente à série produzida entre 2005, quando o modelo passou por uma polêmica reestilização, e 2007, logo antes da chegada da terceira safra.

Convenhamos: a dianteira com elemento central destacando a logomarca do fabricante e os faróis espichados não formam um conjunto muito harmonioso. Na verdade, essas características de design foram incorporadas a vários produtos da Subaru nessa época. Consequentemente, muitos consideram-nos mais feios que seus similares de outros períodos.

Entretanto, há de considerar que, apesar da aparência, os exemplares produzidos nessa fase mantiveram todas as características técnicas características do Impreza. Estão lá o motor boxer e a tração integral, maiores responsáveis pela ótima dirigibilidade do modelo. E a potência da versão esportiva WRX STI ultrapassava os 300 cv. Se, por um lado, os carros dessa série eram feios, por outro conseguiam divertir bastante seus motoristas.

Fotos Divulgação

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4 Comentários
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    Ivan 3 de fevereiro de 2019

    Acho que a informação sobre o tamanho do Ônix não confere. 4,93? Deve ser 4,03 não?

    • Alexandre Carneiro
      Alexandre Carneiro 3 de fevereiro de 2019

      Olá, Ivan!
      Realmente houve um erro de digitação; o número correto é 3,93 m. A matéria já foi corrigida.
      Abraço e obrigado!

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    Adilson 3 de fevereiro de 2019

    Ônix? 4,93m?

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    CLERISTON 4 de fevereiro de 2019

    Eu não diria nem que esses carros saõ feios exceção (Fiata Multipla)esse não tem salvação, p restante eu acho que era uma epoca de descobertas e tentativas ou seja aceitavel!
    O que não da é para vc pagar hoje em dia por um Mobi, Etios, Up entre outros carros extremamente ridiculos no caso do up é mais grave pq nem o motor TSI que é excelente salva o modelo, haja visto que ele nem configura entre os 20 mais vendidos!
    Errar no passado beleza mas persistir no erro…..

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