Carro elétrico blindado: o que pode (e o que não pode) ser feito
Instalação da proteção balística exige desmontar o veículo e está se popularizando com os donos de modelos eletrificados
Publicado em 08/11/2026 às 09h00
A frota de veículos eletrificados no Brasil já passou de 1 milhão de unidades. Um carro elétrico ou híbrido reduz os custos de propriedade, principalmente no uso urbano. Paralelamente a isso, a demanda por blindagem também cresceu nos últimos anos em centros urbanos.
Durante o ano de 2026, houve uma confluência entre esses dois fatores: os veículos eletrificados caíram nas graças de quem procura um blindado. Isso se deve ao uso mais urbano desses carros.
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Segundo dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), o carro mais blindado no primeiro trimestre de 2026 foi o BYD Song Plus, um SUV híbrido plug-in. No top 10 também estão o GWM Haval H6 e o Volvo XC60, que também são híbridos.
O fato de o veículo ser elétrico ou híbrido muda pouco no processo de blindagem. Algumas montadoras até oferecem essa proteção com certificação e sem afetar a garantia de fábrica.
O que muda no processo de blindagem de um carro elétrico

Para blindar um carro, é preciso desmontá-lo para aplicar a proteção balística sob os acabamentos, além de trocar os vidros. Segundo Ismael de Moraes, engenheiro mecânico e responsável técnico da Avallon Blindagens, o maior desafio está na hora de blindar a primeira unidade de algum modelo.
A equipe de engenharia faz um estudo sobre o veículo e o desenvolvimento do projeto, verificando pontos vulneráveis e pontos de fixação, até por conta das baterias.”
O engenheiro também explica que é necessário desenergizar o veículo antes de iniciar o processo de blindagem. Assim que um procedimento padrão é feito para um veículo, o processo vira uma linha de montagem.
Segundo Ismael, existe uma diferença de custos no processo de blindagem em um carro eletrificado devido à mão de obra e à operação. Os materiais balísticos são os mesmos.
O carro elétrico sofre menos com o peso da blindagem

O processo de blindagem traz um aumento no peso do veículo. No passado, esse impacto já foi maior, mas as tecnologias atuais tornaram a proteção balística mais leve.
Segundo Ismael de Moraes, o aumento de peso em um carro médio é equivalente ao de levar três passageiros. O especialista aponta que a mudança na autonomia é pouco sentida.
Um fator positivo nos carros elétricos está na entrega imediata do torque. Isso significa que ele sai da inércia com mais rapidez e disfarça o peso adicional da blindagem, além de ajudar na fuga durante emergências.
Marcas já oferecem blindagem certificada para modelos eletrificados

Cientes da popularização das blindagens, os fabricantes tradicionais passaram a oferecer a certificação desse serviço. Dessa forma, o comprador não perde a garantia e pode até incluir o custo da proteção balística no financiamento.
Marcas como Toyota, Lexus, GWM, BYD, Jetour e Land Rover oferecem a blindagem certificada, inclusive para modelos elétricos e híbridos. A instalação da proteção é feita por empresas especializadas fora da fábrica, como a Avallon, a Carbon e a Parvi.
No caso da Toyota, por exemplo, os carros com blindagem certificada também podem ter a garantia estendida de 10 anos. A situação hoje para quem procura mais proteção contra a violência urbana ficou mais fácil, até mesmo com modelos elétricos.
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