A montadora chinesa JMEV, junto da empresa brasileira E-Motors, fechou parceria com a Comexport que comanda a produção no Polo Automotivo do Ceará
A montadora chinesa JMEV e a E-Motors, sua representante no Brasil, iniciaram suas operações no mercado brasileiro, com dois modelos elétricos, sendo um deles o carro mais barato do Brasil, que custa a partir de R$ 69.990. A marca asiática, ligada à Jiangling Motors — parceira global da Ford —, chegou com uma estratégia de nicho: a eletrificação de frotas de autoescolas e com planos sólidos de produção nacional.
De acordo com Mercídio Givisiez, CEO da E-Motors Brasil, uma parceria foi firmada com a Comexport, empresa brasileira de comércio exterior que comanda as operações da Planta Automotiva do Ceará (PACE), para a montagem dos veículos da JMEV. Os dois modelos, em um primeiro momento batizados de EV2 e EV3, vão mudar de nome para evitar conflitos com a Kia e até o momento de publicação desta matéria não receberam novas denominações.
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Como são voltados para atender as autoescolas, os modelos da JMEV foram pensados com a opção de um câmbio manual simulado, desenvolvido especificamente para o Brasil. A tecnologia mimetiza o comportamento de veículos a combustão, permitindo que alunos aprendam a trocar marchas em um sistema puramente elétrico.
Além disso, adaptações nos veículos também foram idealizadas conforme legislação de autoescolas prevê, como o duplo comando de pedais, retrovisores auxiliares e demais exigências para veículos de instrução. O plano inicial era expandir a operação nacional a partir de Pedro Leopoldo (MG) e ter a futura montagem dos veículos em Jaguaré (ES) própria em regime SKD (Semi-Knocked Down) utilizando kits importados da China.
No entanto, em dezembro de 2025, a legislação para obter a Carteira Nacional de Habilitação mudou drasticamente. As novas regras retiraram a obrigatoriedade das autoescolas e do duplo-comando, além de permitirem que as aulas práticas e o exame do Detran fossem feitos em veículos particulares e com câmbio automático.
Por isso, segundo Mercídio Givisiez, a operação foi obrigada a recalcular sua rota. Assim, a parceria com a Comexport foi fechada, tanto para a entrada do veículo que vem da China em um primeiro momento, quanto para a montagem futura.
De acordo com o CEO da E-Motors Brasil, o carro mais barato do Brasil e o outro modelo elétrico da marca serão inicialmente trazidos pelo Brasil pela Comexport no regime CBU (Completely Built Unit). Ou seja, eles já chegarão em terras brasileiras já prontos, sem nenhum processo local, além da preparação para a venda ou alguma adaptação para o mercado.




Posteriormente, os planos são de começar a produção em SKD terceirizada na fábrica multimarcas operada pela empresa Comexport e que produzia veículos da antiga marca Troller. Modelos como o Chevrolet Spark e Captiva EV são produzidos lá.
O Polo Automotivo do Ceará foi um projeto encabeçado pela Comexport, considerada a maior empresa de comércio exterior e supply chain do Brasil. Marcas como Mercedes-Benz, Honda, BYD, GWM, Renault, Ford, Volvo, GM, Toyota, Higer, Chery, Volkswagen e Porsche, entre outras, operam no Brasil por meio da Comexport.
A unidade de produção já é uma velha conhecida do setor automotivo e está localizada na região metropolitana de Fortaleza, ocupando um terreno de 127 mil m² que pertencia a Ford, última detentora da Troller. Desde 2021 a planta estava inoperante e em março de 2024 foi desapropriada pelo governo cearense. No mesmo ano foi fornecido um investimento inicial de R$ 400 milhões para a construção de uma fábrica multimarcas de veículos de novas tecnologias, ou seja, híbridos e elétricos.
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