8 carros nacionais colecionáveis (e ainda com preços razoáveis)

Separamos alguns modelos icônicos da indústria brasileira com “potencial colecionável” e com preços ainda decentes

Por Fernando Miragaya 14/07/19 às 10h00
Especial para o AutoPapo

Se os carros 0 km que você admirava na adolescência se tornaram clássicos, é sinal que você está velho mesmo… ou melhor, se tornou um clássico também. Muitos automóveis que a galera dos 40 e 50 anos babava nas revistas automotivas começam a atiçar a cobiça de colecionadores. Separamos alguns carros nacionais com “potencial colecionável” e com preços ainda decentes. Também apontamos versões e anos de clássicos estabelecidos, como Fusca, Opala e Maverick, mas que ainda não estão custando um rim e um pulmão para levar para sua garagem.

1. Chevrolet Chevette

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Anos: 1987 e 1988
Preços: de R$ 7.000 a R$ 15 mil
Versões legais: SE e SL/E

Atenção: distribuidor baixo deixa o veículo vulnerável em trechos alagados

Essa “segunda geração” do Chevette – lançada em 1983 – pode não ser a mais clássica, mas ainda tem preços atraentes e preserva a tração traseira que empresta ao sedã uma robustez peculiar.

Com frente meio mini-Monza e grade herdada do Opala, esse Chevette também trouxe mudanças na cabine, com novos padrões de revestimento, volante maior e quadro de instrumentos remodelado. Outra peculiaridade não tão nobre foi preservada: a coluna de direção torta em relação aos pedais e ao banco – algo que perdurou até no Corsa!

Entre as virtudes, boa estabilidade em curvas beneficiada pelo curto entre-eixos, direção precisa e o câmbio manual que parece ter trambulador de algodão de tão macio. O Chevette 87 usava motor 1.6 com 73 cv.

O Chevette 88 , contudo, ganhou novo fôlego. A engenharia adotou novo coletor de admissão, além de bielas e pistões mais leves e carburador de corpo duplo. O 1.6 passou a gerar 81 cv e ficou mais econômico.

2. Fiat 147

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Anos 1981 e 1982
Preços de R$ 10 mil a R$ 17 mil
Versões legais Racing e Top
Atenção câmbio

A Fiat acaba de fazer um barulho pelos 40 anos de lançamento do então Cachacinha, apelido que o 147 ganhou por ser o primeiro carro movido a álcool fabricado no mundo. Baseado no italiano 127, o Fiat 147 era revolucionário para a época, por isso está entre os carros nacionais colecionáveis.

Foi pioneiro entre os modelos nacionais a usar motor transversal. A suspensão independente nas quatro rodas  compensa no comportamento dinâmico, uma vez que é um carro leve (menos de 800 kg) e usa pneus aro 13”.

No habitáculo, destaque para a ergonomia, com muitos comandos no painel, apesar do volante não ser 100% centralizado em relação ao banco. O drama do caixotinho estava na transmissão manual de quatro marchas. Para quem quer fazer musculação, é uma maravilha: os engates são duros e pouco precisos – e não se envergonhe se você for testar um e arranhar as primeiras mudanças.

Já o motor 1.3 Fiasa quando projetado para o álcool gera 62 cv, 1 cv a mais que a versão a gasolina, o suficiente para mover o compacto.

Boris dirigiu um dos primeiros Fiat 147 a álcool. Veja o vídeo!

3. Ford Maverick 2.3 4 cilindros

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Anos 1977, 1978 e 1979
Preços de R$ 60 mil a R$ 90 mil
Versões legais LDO e Super Coupé
Atenção freios originais subdimensionados

Ok, o Maverick 2.3 de 4 cilindros não tem a mesma graça, virulência ou ronco do “vê-oitão”. Mas só assim para comprar a nossa versão brasileira do Mustang por menos de R$ 100 mil. Então, aprecie mais o desenho inigualável do muscle car, e esqueça que o motor 2.3 de 99 cv da Rural tinha desempenho só pouco melhor que o de um… Chevette.

No Maverick 2.3, o que importa é tirar onda no domingo desfilando com o cupê de duas portas e apreciar a própria cabine, com couro, volante de dois raios e instrumentos circulares. O porte robusto e esportivo chama tanto a atenção que o pessoal menos atento – ou com problemas auditivos – nem vai se ligar que trata-se da versão quatro cilindros.

4. Volkswagen Gol GTS

vw gol gts
Anos 1988 e 1989
Preços de R$ 20 mil a R$ 40 mil
Atenção freios originais eram pouco eficientes

A GTS é uma das versões mais legais daquele que foi o carro mais vendido do Brasil por mais de duas décadas. Para muitos, o Gol GTS é até mais emblemático que o GTI já pelo desenho.

Lançado em 1987, o Gol GTS chamava a atenção pelos faróis mais largos do Voyage, lanternas traseiras maiores e luzes de neblina e de milha. Também tinha molduras laterais, para-choques proeminente, spoiler traseiro e rodas diferenciadas.

A proposta esportiva ganhava reforço na frente 5 cm mais baixa. Faz coro o motor 1.8 cuja potência de 99 cv era maquiada: na verdade, o propulsor gera até 110 cv, o que, na época, colocaria o Gol GTS em outro patamar tributário e o deixaria mais caro.

Contribui ainda para a pegada arrojada o câmbio bem escalonado de cinco marchas com cursos curtos, além da direção precisa e pedais justos. Dentro, bancos Recaro, volante do Santana e painel do GT. As linhas 1988 ganharam manopla do câmbio que remetia a uma bola de Golf e quadro de instrumentos mais moderno.

5. Volkswagen Fusca

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Anos 1981 e 1982
Preços de R$ 10 mil a R$ 20 mil
Versão legal GL
Atenção é um Fusca, pô!

O Fusca está mais valorizado do que nunca, mas ainda restam safras com preços que não façam você hipotecar a casa. Os modelos 81 e 82 – que ainda eram designados formalmente pela marca como VW Sedan – usavam motores 1.3 (este com opção a álcool) de 46 cv e 1.6 de 67 cv (os carros 1.600 eram diferenciados pelas famosas lanternas Fafá).

O modelo dispensa apresentações: é o Fusca icônico que mescla robustez e mecânica simples – e fácil de encontrar peças até hoje. O Fusca GL que surgiu em 1982 tem mimos como rádio, encostos de cabeça dianteiros, desembaçador traseiro, vidros de trás basculantes e frisos de borracha nos para-choques

6. Ford Belina 4×4

belina 4x4
Anos 1981 e 1982
Preços de R$ 15 mil a R$ 30 mil
Atenção consumo e problemas na… tração!

A Belina 4×4 oi a sacada da Ford para atrair a turma da fazenda que usava picape, mas queria um modelo versátil e confortável. Sem diferencial central, acabou se tornando a primeira e única station wagon brasileira com tração nas quatro rodas. O engate é feito através de uma alavanca ao lado do câmbio.

Com suspensão por eixo rígido e molas helicoidais, a Belina 4×4 consegue encarar lama, barro e buraqueira sem pedir arrego. Dentro, mantém o mesmo conforto, porta-malas de 569 litros e acabamento primoroso que a linha ostentava – bons tempos em que a Ford se preocupava com isso.

Fora, chama a atenção na Belina 4×4 o “copinho” no cubo das rodas, justamente devido ao sistema de tração com rodas livres na traseira. O motor é o 1.8 de 71 cv que se mostra pouco econômico com o 4×4.

7. Volkswagen Passat LS

VW Passat
Foto Alexandre Carneiro | AutoPapo
Anos 1982 e 1983
Preços de R$ 10 mil a R$ 16 mil
Atenção painel rachado

Não dá para ter um Passat Pointer e continuar jantando na vida, por isso o Passat LS é uma dica para quem curte o Volks e quer manter suas três refeições diárias.

Quando lançado, em 1974, O Passat foi um daqueles modelos revolucionários para o mercado brasileiro, em especial pela tração dianteira com juntas homocinéticas e suspensão traseira por eixo de torção.

A linha 82 já usava motor 1.6, mas é em 1983 que o propulsor passa a gerar 96 cv que ajudam a frente do carro dar aquela levantadinha bacana nas arrancadas e deixam o Passat com desempenho bem próximo ao de modelos maiores e mais potentes.

8. Chevrolet Opala

opala diplomata1981 tras
Anos 1981 e 1982
Preços de R$ 15 mil a R$ 20 mil
Versão legal Comodoro Sedan 2.5
Atenção parte elétrica

Opalão é Opalão e sempre será quase uma religião, por mais que a herege da sua mulher reclame de gastar dinheiro com uma “banheira”. Tornou-se um clássico não só valorizado, como cultuado, mas ainda é possível ter algumas versões menos divertidas, porém tão icônicas como o modelo.

Falamos dos sedãs Comodoro com motor 2.5 de quatro cilindros e 90 cv fabricados entre 1981 e 1982. Já vêm com os faróis retangulares da reestilização de 1980 e caixa manual de quatro marchas – antes era a caixa de três marchas na maneira configuração com banco dianteiro inteiriço e alavanca na coluna de direção.

Como era uma configuração intermediária de um sedã mais requintado, muitos ostentam toca-fitas original e ar-condicionado funcionando. O teto revestido de vinil e o volante de dois raios dão um toque especial, assim como o novo quadro de instrumentos retilíneo adotado em 1981.

3 Comentários
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    Carlos Pala 16 de julho de 2019

    Somente uma correcao: o motor 2.3 OHC do Maverick nao era o mesmo da Rural. O da Rural era o 6 cilindros em linha que, segundo a epoca, andava como um 4 cilindros e bebia como o V8.

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    Celso Navarro 15 de julho de 2019

    Ha muito ( desde 1971) sou fã incondicional da linha Opala, o primeiro foi um 2500 Especial verde sevilha 4 portas, depois vieram as divertidas Caravans, e tenhoi duas, 87 seis canecos com meu filho e 89 4 canecos comportada SLE, e segundo minhas informação foram produzidas 200 e poucas, pode me confirmar essa informação. Forte abraço

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    jose 15 de julho de 2019

    Eu tenho um Kwid. E um Chevette. Com este vou e volto pro trabalho, 20km por dia. Vou ao mercado. Não me deixa na mao. Custo benefício sensacional. Não pago mais IPVA, só o DPVAT. Nem está com aquela aparência de impecável, mas não vendo. O RJ é uma estrada de buracos com algum asfalto. As peças de suspensão são baratas. Alinhamento custa 50.

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