Dia nacional do Fusca: confira 10 fatos históricos sobre o Volkswagen

O AutoPapo listou 10 fatos que marcaram a história do modelo no Brasil; é a nossa homenagem ao automóvel mais icônico da indústria nacional

Por Alexandre Carneiro 20/01/19 às 10h41

Este domingo é o dia nacional do Fusca! A data, comemorada em 20 de janeiro, reflete a importância do modelo para o consumidor brasileiro. Afinal, até hoje ele coleciona admiradores e fãs, que conservam incontáveis exemplares pelo país afora. Ele também é um dos símbolos da implantação da indústria automobilística no país, durante os anos 50.

Para comemorar tanta história, o AutoPapo enumerou 10 fatos que marcaram a trajetória do veículo no país. Todos eles referem-se ao Fusca propriamente dito, raiz, e não às releituras que surgiram nas últimas duas décadas. Nesses casos, o design remete ao modelo original, mas o projeto é completamente diferente em termos de conceito. Confira:

1. Em 2019, a produção nacional do Volkswagen Fusca fez 60 anos

O AutoPapo listou 10 fatos que marcaram a história do Volkswagen Fusca no Brasil
O Fusca teve uma longa trajetória no Brasil: foi fabricado nacionalmente por 30 anos

Em 3 de janeiro de 1959, o primeiro Fusca legitimamente brasileiro saída das linhas de produção da unidade industrial de Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). O modelo já era montado no país anteriormente, mas com componentes majoritariamente importados. O índice de nacionalização chegou a 54% justamente naquele dia, 60 anos atrás.

2. O Fusca foi o segundo produto brasileiro da Volkswagen

O Fusca pertence aos primórdios da indústria automobilística brasileira. Porém, não foi o primeiro veículo que a Volkswagen nacionalizou: em setembro de 1957, a empresa já montava a Kombi com a maioria dos componentes fabricados no país. Os dois modelos compartilhavam o motor e uma série de peças.

3. Não há registros fotográficos conhecidos do início da fabricação do Fusca no país

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Famosa foto com vários Fuscas saindo da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) é anterior à nacionalização

Esta foto logo acima é, muitas vezes, associada ao início da produção do Fusca no Brasil. Porém, Alexander Gromow, historiador especializado no modelo, explica que ela é anterior à nacionalização. O estudioso chama a atenção para um detalhe: os veículos que aparecem na imagem ainda têm o vidro traseiro oval. Em 1959, a vigia já havia sido aumentada, para melhorar a visibilidade, adotando um formato mais retangular.

Ele também pondera que a cor preta, que tinge os exemplares retratados no registro, não estava disponível durante os primeiros anos de fabricação no país. Ele esclarece que esses automóveis, que aparecem saindo da planta de Anchieta, faziam parte de um lote que foi destinado às forças policiais em 1957. Vale lembrar que, antes da nacionalização, o modelo já era montado localmente. “Pesquisei durante anos, mas nunca consegui localizar uma foto do início da produção no Brasil”, comenta Gromow.

4. Primeiro carro nacional com teto solar

O Fusca ganhou a opção de teto solar em 1965: foi o primeiro nacional a oferecer esse item. A escotilha era feita de chapa, e não de vidro como atualmente, e tinha acionamento manual. A Volkswagen estava confiante nesse equipamento, que julgava ter tudo a ver com clima tropical do Brasil. Mas o tiro saiu pela culatra, pois o modelo passou a ser conhecido como Cornowagen. Segundo o Best Cars, o apelido teria sido convenientemente criado pelo então gerente de marketing da Ford, John Garner, que rapidamente conseguiu espalhá-lo. Foi o bastante para fazer as vendas minguarem.

5. Líder de mercado por 23 anos

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Volkswagen preparou algumas novidades para a linha Fusca em 1978: uma delas é o bocal lateral do tanque de combustível

O título de carro mais vendido do Brasil pertenceu ao Fusca por longos 23 anos. O modelo assumiu essa posição já em 1959, quando foi nacionalizado, e por lá permaneceu até 1982. No ano seguinte, foi ultrapassado pelo Chevette, que, porém, seguiu no topo por pouco tempo. É que, entre 1984 e 1986, quem liderou o mercado nacional foi o Monza. Trata-se do único modelo sem proposta popular a realizar tal façanha até os dias de hoje. Após o tetracampeonato da Chevrolet, a Volkswagen voltaria a ter um ponteiro de vendas a partir de 1987: o Gol.

6. Quarto automóvel mais produzido no país até hoje

O sucesso de vendas, claro, teve reflexos na produção. O Volkswagen Fusca foi o primeiro veículo brasileiro a alcançar a marca de 1 milhão de unidades produzidas, já em 1969. Até hoje, é o quarto automóvel mais fabricado do país, como mostra um levantamento publicado pela revista AutoEsporte: cerca de 3,1 milhões de unidades saíram da planta de São Bernardo do Campo (SP). Apenas Gol, Uno e Palio, na ordem, ultrapassaram essa marca. Todavia, vale lembrar que esses modelos tiveram diferentes gerações ao longo do tempo, enquanto o Fusca nacional sempre foi fiel ao mesmo projeto, recebendo apenas alterações pontuais.

7. O nome Fusca surgiu de maneira informal e se tornou oficial

O nome oficial, durante vários anos, foi Volkswagen Sedan. A palavra Fusca surgiu de maneira informal: a versão mais aceita é a de ela é uma corruptela de Volks. O fabricante só passou a adotá-lo de maneira oficial, com direto até a emblema na tampa traseira, em 1984. Em outros países, o veículo, do mesmo modo, recebeu diferentes apelidos. Alguns deles também passaram a ser utilizados pela marca alemã, como Beetle, que significa besouro.

8. Saiu de linha duas vezes: em 1986 e em 1996

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Unidades do Fusca fabricadas na década de 90 ganharam o apelido de “Itamar”

Na década de 80, as vendas do Fusca começaram a declinar. Já bastante ultrapassado, ele passou a perder espaço para concorrentes mais atuais. A Volkswagen, então, optou por encerrar a produção e manter seu foco na linha Gol. A produção chegou ao fim em 1986. Para marcar a despedida, foi lançada uma edição especial, batizada de Última Série.

Entretanto, em 1993, algo que parecia ser impossível aconteceu: o Fusca voltou a ser produzido. Fato raríssimo na indústria mundial, ressurgiu exatamente como era antes, com o mesmo projeto. A decisão da Volkswagen de recolocar o veículo do mercado atendeu a um pedido do então presidente Itamar Franco, que apostava nos modelos populares para alavancar o setor automotivo. Permaneceu no mercado, porém, por pouco tempo, e já em 1996 voltava a sair de linha. Naquele ano, foi lançada outra edição comemorativa: a Série Ouro.

9. Teve algumas unidades importadas em 2003

Na virada do século, o Fusca já havia saído de linha duas vezes, mas ainda era produzido em um único país: o México. Por lá, a fabricação só foi encerrada em 2003, com a série especial Última Edición, limitada a 3.000 unidades. Dessas, algumas foram importadas oficialmente pela Volkswagen. Porém, em quantidade bastante limitada: Gromow estima que somente 10 veículos vieram para o Brasil.

10. Arquitetura do Volkswagen Fusca sobreviveu até 2013

Série especial Last Edition marcou o fim da produção da Kombi no país

Não que o Volkswagen Fusca tenha tido vida curta, mas um de seus derivados sobreviveu por ainda mais tempo. O veículo em questão é a Kombi, que só saiu de linha em 2013. Àquela altura, o Brasil era o único país que ainda a fabricava. O monovolume mantinha várias características comuns ao carro que lhe deu origem, entre as quais a distância entre-eixos (2,4 metros) e o motor traseiro. Porém, é verdade que, no fim de 2005, um grande elo entre os dois modelos se rompeu: o motor boxer a ar foi substituído por um de quatro cilindros em linha com refrigeração líquida.

Fotos Volkswagen | Divulgação

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1 Comentário
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    Dawson José Dias 21 de março de 2019

    Prezados (as), leitores.

    E
    Esse sim podemos chamar de “MiTO”… por que até os dias de hoje. Podesse ver e encontrar essas raridades que circulam até hoje.
    Tenho enorme prazer de sair com meu fuscmquinha 1964, pelas ruas do Rio de Janeiro. Onde sempre sou parado até mesmo pelas crianças que querem, tirar fotos e mexer.
    Líder é lider…

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