5 carros japoneses projetados para o Brasil
Fabricantes japoneses preferem ter uma produção alinhada globalmente, mas em alguns casos precisaram se adaptar ao gosto do Brasil para ganhar vendas
Publicado em 29/06/2026 às 13h00
As marcas japonesas não costumam criar carros específicos para algum mercado, a gama delas são bem globalizadas e alinhadas com a matriz. Porém existem sempre as exceções para atender a algum mercado que está em alta e exige algo diferente.
Não estamos falando de mudanças em cores de acabamento, oferta de equipamentos ou motor flex. Esses cinco carros japoneses tiveram projeto ou mudanças significativas feitas para o nosso mercado.
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1. Toyota Bandeirante

O nosso Toyota Bandeirante era a segunda geração do Land Cruiser rebatizado, quando começou a ser feito em 1959 ele vinha com motor 6 cilindros a gasolina japonês. Em 1962 trocaram esse propulsor por um 3.4 diesel da Mercedes-Benz, para aumentar o índice de nacionalização.
O motor diesel alemão foi apenas uma das mudanças feitas no Land Cruiser para o Brasil. Durante a produção nacional foram usados três motores diesel diferentes da Mercedes-Benz, além de uma unidade mais moderna da própria Toyota a partir de 1994.
Foi só no Brasil também que existiu a carroceria picape de cabine dupla, com o chassi mais longo já usado no modelo. O Land Cruiser J40 saiu de linha globalmente em 1984, mas o Bandeirante seguiu em produção até 2001, recebendo em 1989 um face-lift que trouxe grade em plástico e faróis quadrados.
Esses modelos exclusivos do Brasil são bastante procurados lá fora. Já existem empresas nos EUA especializadas em importar e modificar os Bandeirantes brasileiros.
2. Mitsubishi L200

A Mitsubishi no Brasil é operada através da HPE Automotores, fundada por Eduardo Souza Ramos. O acordo entre a empresa brasileira e o fabricante japonês permite uma certa liberdade para mudar os carros, fator importante para o sucesso da marca por aqui.
A produção nacional da picape L200, em Catalão (GO), começou em 1998, no ano seguinte vieram as primeiras mudanças brasileiras no modelo. Ela ganhou faróis circulares, painel redesenhado, melhorias no isolamento acústico, suspensão mais robusta e sistema de arrefecimento aprimorado.
O motor 2.5 diesel da Mitsubishi era antigo e mais fraco que a média da categoria, a HPE realizou melhorias nele para ficar mais competitivo. Em 2003, junto de mais uma atualização estética, esse propulsor recebeu novo intercooler, bomba eletrônica de combustível e turbina de geometria variável, podendo chegar a 141 cv.
A L200 brasileira também ganhou versões exclusivas, como a Savana preparada para o fora de estrada. Essa tradição seguiu com a Triton, que é mais alinhada com o modelo global mas segue recebendo versões pensadas para o Basil e pequenas melhorias.
3. Toyota Fielder

O Toyota Corolla é um carro que possui algumas variações para diferentes mercados. A nona geração, apelidada aqui como “Brad Pitt”, tinha uma versão mais curta para o Japão, Austrália e a Europa, para ser classificado como compacto em sua terra natal. Aqui nós recebíamos o modelo do sudeste asiático, com aparência mais sofisticada para ser vendido como carro executivo.
A carroceria perua só existiu na especificação japonesa, mas a Toyota do Brasil viu que havia espaço para ela em nosso mercado. Na época a única opção média nacional que restava era a Fiat Marea Weekend e existiam modelos importados como a Peugeot 307 SW.
A Toyota do Brasil foi a única divisão a produzir a perua Fielder com a dianteira e o interior do modelo vendido no sudeste asiático e no continente americano. A nossa perua foi exportada para os países vizinhos e conseguiu fazer sucesso.
Quando veio a geração seguinte a Toyota ficou em um impasse: o Corolla sedã vendido no Brasil era 10 cm mais largo que o modelo japonês. Para a Fielder seguir existindo era preciso desenvolver uma carroceria mais larga ou vender a perua japonesa mais estreita.
Ela acabou desistindo do modelo. Hoje existe a perua com a mesma carroceria do sedã produzido no Brasil, mas já temos o SUV Corolla Cross como opção familiar.
4. Honda WR-V

Durante os anos 2000 todos os carros compactos precisavam ter alguma versão aventureira, para acompanhar o sucesso do VW CrossFox, Fiat Palio Adventure e do Ford EcoSport. A Honda foi lenta na reação e só fez isso em 2012 com o Fit Twist, que só trazia alguns apliques e seguia com a suspensão baixa característica do hatch.
A japonesa compensou isso em 2016, quando lançou o seu primeiro (e único) carro desenvolvido para o Brasil: o WR-V. Apesar do nome novo e de ser chamado de SUV, o modelo era uma versão aventureira do Fit com a fórmula que é usada hoje pelos SUVs de entrada.
O primeiro WR-V trazia o monobloco do Fit, mas toda a seção dianteira da carroceria e a traseira foram redesenhados. Ele também recebeu suspensão elevada, com bitolas mais largas e foi o primeiro Honda nacional a ter amortecedores com batentes hidráulicos.
Esse WR-V também foi produzido na Índia e vendido na África do Sul, mas o projeto foi uma colaboração entre o centre de engenharia brasileiro com o japonês. A segunda, e atual, geração do WR-V foi projetada pelo centro de desenvolvimento da Tailânda, sem aproveitar painéis de carroceria do Fit e com aparência mais parruda de SUV.
5. Mitsubishi Pajero TR4

A divisão brasileira da Mitsubishi conseguiu salvar um carro que era um fracasso global, o Pajero iO. O modelo foi nacionalizado em 2002 com algumas mudanças visuais e com um motor 2.0 no lugar do 1.8.
O jipinho era concorrente do Suzuki Vitara, trazendo layout tradicional de motor longitudinal, tração 4×4 com reduzida e eixo rígido na traseira. Uma exclusividade da Mitsubishi era ter diferencial central na tração, permitindo usá-la no asfalto e em velocidades de rodovia.
O Pajero TR4 brasileiro recebeu mais tarde um face-lift com faróis redondos, para ficar alinhado com a L200. O motor dele passou a ser flex em 2007, para compensar o consumo alto com etanol um tanque de 72 litros.
Em 2009 veio mais um face-lift para o Pajero TR4, que trouxe os faróis do Airtrek e o computador de bordo do Chevrolet Astra. O jipinho foi produzido até 2015, dando lugar ao ASX com proposta mais urbana.
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