Chevrolet S10 Trail Boss encara o Jalapão e mostra que suspensão faz a diferença no off-road
Fomos até o Parque Estadual do Jalapão, no centro do Brasil, para conferir se a suspensão da S10 Trail Boss realmente supera os obstáculos do Cerrado
Publicado em 02/08/2026 às 13h00
A Chevrolet ampliou a linha S10 com uma versão voltada para quem utiliza a picape muito além do trabalho. A nova Chevrolet S10 Trail Boss chega ao mercado por R$ 341.290 apostando em uma preparação homologada de fábrica para enfrentar trilhas, areia, pedras e erosões sem abrir mão da garantia ou dos sistemas eletrônicos de assistência à condução.
Para avaliar se as mudanças realmente entregam o que prometem, colocamos a picape à prova em um dos cenários mais exigentes do Brasil: o Jalapão, no Tocantins. Depois de centenas de quilômetros em areia fofa, estradas de cascalho, valetas e trechos bastante acidentados, ficou claro que a Trail Boss não é apenas uma versão com apelo visual.
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Suspensão é o principal diferencial da Chevrolet S10 Trail BossO grande destaque da Trail Boss está sob a carroceria. A Chevrolet equipou a picape com um conjunto de suspensão desenvolvido pela australiana Ironman 4×4, fabricante especializada em componentes para uso severo no fora de estrada.
Além dos novos amortecedores e molas, a picape recebeu pneus Pirelli Scorpion All Terrain na medida 265/60 R18, que aumentam a capacidade de tração em superfícies de baixa aderência.
O conjunto elevou a altura livre do solo para 37 centímetros, cerca de cinco centímetros acima das demais versões da S10. Na prática, essa diferença permite superar obstáculos maiores sem raspar a parte inferior da carroceria.
S10 Trail Boss no Jalapão
Durante o percurso pelo Jalapão, a suspensão mostrou excelente capacidade de absorção. Em nenhum momento houve batidas de fim de curso ou impactos secos, mesmo atravessando erosões profundas e trechos bastante irregulares.

Outro ponto positivo é a estabilidade. Apesar da maior altura, a carroceria permanece controlada, reduzindo a sensação de inclinação em terrenos acidentados.
Quem está ao volante se sente a vontade na picape, mesmo com o sacolejo dos buracos, costelas e valetas, mas quem viaja na segunda fileira se lembra a todo instante de estar num utilitário de carga. A suspensão de feixe de molas, que é um dos fatores para carregar 1 tonelada de carga, castiga o passageiro do fundão. Além disso, por ser um carro com 14 ano de mercado, algumas melhorias são impossíveis no projeto atual, como a instalação de saídas de climatização para a segunda fileira.
Preparação de fábrica evita dores de cabeça
Boa parte dos proprietários de picapes costuma instalar suspensão elevada, pneus maiores e rodas específicas após a compra.
O problema é que essas alterações podem comprometer a garantia do veículo e também interferir na calibração dos sistemas ADAS, como frenagem automática, alerta de colisão e assistente de permanência em faixa.

Na Trail Boss, toda essa preparação já sai homologada pela Chevrolet. Isso significa que suspensão, eletrônica e assistentes continuam operando dentro das especificações originais da fábrica.
É justamente esse um dos principais argumentos da marca para justificar o preço da versão.
Motor continua o conhecido Duramax
Sob o capô, nada mudou. A Trail Boss utiliza o conhecido motor 2.8 turbodiesel Duramax, que entrega 207 cv e 52 kgfm de torque, sempre combinado ao câmbio automático de oito marchas. A tração é 4×4 com reduzida e acionamento eletrônico, conjunto já conhecido pela boa capacidade fora do asfalto.
No uso off-road, o motor continua sendo um dos pontos fortes da S10. O torque aparece em baixa rotação, facilitando subidas, retomadas e travessias em areia sem exigir esforço do conjunto mecânico.
Como a Chevrolet S10 Trail Boss se comporta no asfalto?

Os pneus de uso misto inevitavelmente geram mais ruído em velocidade de cruzeiro quando comparados aos pneus das versões convencionais.
Fora isso, a Trail Boss mantém o comportamento conhecido da S10. A cabine permanece confortável, o painel digital e a central multimídia continuam presentes, assim como climatização automática e o pacote de assistentes de condução, que peca pela ausência do ACC.
Quem roda quase exclusivamente em rodovias talvez não aproveite todo o potencial da suspensão. Já para quem frequenta fazendas, regiões rurais ou destinos como o Jalapão, a diferença aparece logo nos primeiros quilômetros de terra.
Vale a pena comprar a Chevrolet S10 Trail Boss?

A Trail Boss ocupa um espaço interessante dentro da linha S10. Ela custa pouco mais de R$ 8 mil acima da LTZ e fica cerca de R$ 17 mil abaixo da High Country, oferecendo uma preparação off-road que dificilmente seria reproduzida no mercado de acessórios com o mesmo nível de integração eletrônica e garantia de fábrica.
Depois do teste no Jalapão, a principal conclusão é simples: a Trail Boss entrega exatamente aquilo que promete. Não é apenas uma versão com visual aventureiro. As mudanças na suspensão transformam efetivamente o comportamento da picape quando o asfalto termina.
Para quem utiliza a picape como veículo de lazer, viagens de aventura ou trabalho em regiões de difícil acesso, a Trail Boss surge como uma das opções mais interessantes da linha S10. Já quem dificilmente deixa o asfalto talvez encontre melhor custo-benefício nas demais versões da picape, que preservam praticamente o mesmo conjunto mecânico e tecnológico.
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