Pesquisa com comunidade do AutoPapo, com 12,5 mil votos, revela que menos de um terço dos participantes conseguiu comprar um carro novo mais de uma vez
O mercado brasileiro de automóveis já superou a marca de 1 milhão de unidades emplacadas em 2026. De janeiro a maio, foram licenciados 1.098.691 carros de passeio e comerciais leves, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. O número corresponde a uma elevação de 18,2% sobre o mesmo período de 2025. Se o mercado mantiver a toada, as vendas poderão superar a marca de 3 milhões de unidades, volume que não é alcançado desde 2013. Mas a pergunta que fica é: o brasileiro voltou a comprar carro novo?
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De acordo com a Fenabrave, 49,1% de todos os emplacamentos em 2026 foram na modalidade de Venda Direta, ou seja, negociada diretamente com o fabricante. É uma transação entre CNPJs, mas que também é permitida para produtores rurais, taxistas e público PcD. Mas a esmagadora maioria das vendas é para frotistas e locadoras.
O varejo de usados, por sua vez, é sete vezes maior que o de carros novos, como aponta a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). De janeiro a maio, foram negociadas 7,4 milhões de unidades. Só em maio foram 1,5 milhão de usados que trocaram de proprietários.

E, para tentar entender melhor se o brasileiro compra carro novo ou não, lançamos uma pesquisa em nossa comunidade no YouTube, que tem quase 1,2 milhão de inscritos. Dos 12,5 mil votantes, mais da metade nunca comprou um carro zero na vida. Eles somam 53% dos votos. Deste grupo, 39% só tiveram carros usados e 14% nunca compraram um automóvel.
Já na porção que teve carro novo, 17% conseguiu comprar uma unidade 0 km uma única vez. Já 30% dos participantes afirmam ter comprado um veículo zero mais de uma vez.
A pesquisa contabilizou 110 comentários, em que a maioria das opiniões se mostra contrária a destinar grandes somas de dinheiro a um carro novo. O preço é um dos fatores que mais afugentam o consumidor.

“Aqui é o Brasil, amigo, classe popular só tem carro porque é usado, impossível comprar um carro zero em condições de cidadania popular”, observa um dos inscritos.
De fato, hoje, o carro mais “barato” do mercado é o Renault Kwid. O subcompacto tem preço sugerido inicial de R$ 82.790 e pode chegar a R$ 91.190 na versão topo de linha, Outsider.
Além do Kwid, em junho de 2026, apenas Citroën C3, Fiat Mobi, Fiat Argo, Hyundai HB20 e Volkswagen Polo Track contam com opções abaixo de R$ 100 mil. Vale lembrar que estamos falando de preço sugerido anunciado no site dos fabricantes, sem considerar ações promocionais e outras opções de descontos.

Assim, o cenário justifica parte das reclamações dos participantes da pesquisa, que alegam que é praticamente impossível comprar um carro zero e que, com o preço de modelos de entrada, é possível adquirir um usado de categoria superior.
“Uma vez caí nesta besteira e comprei um carro zero. Hoje aprendi que um seminovo com dois ou três anos de uso é o melhor negócio”, afirma um dos participantes.
Outro fator que desmotiva o brasileiro a comprar carro novo é o peso dos tributos. O IPVA pesa na decisão. A alíquota do imposto varia em cada estado, com percentuais que giram entre 1,9% e 4% do valor de referência, segundo a Fipe. São Paulo (4%), Minas Gerais (3% a 4%) e Rio de Janeiro (3% a 4%) são as unidades federativas com as cobranças mais elevadas.
Ou seja, um carro novo avaliado em R$ 100 mil pode pagar até R$ 4.000 de IPVA para obter licenciamento. Já um usado avaliado em um terço do valor teria que recolher R$ 1.400, considerando a alíquota mais salgada. E, partindo do pressuposto de que o carro novo e o carro usado cumprem a mesma função, pagar menos imposto é um argumento lógico.

Além disso, há fatores que ajudam a distanciar a ainda mais o brasileiro da concessionária. Um deles é taxa de juros do financiamento, que é atrelado à Taxa Selic, que está em 14,5% ao ano. Ela é uma espécie de válvula de controle da inflação, que o Banco Central utiliza, para ajudar a reter o consumo para controlar a escalada de preços. E taxa elevada se traduz em prestações mais caras no carnê.
Mesmo assim, falta capital para comprar carro a vista. Em 2025, 2,6 milhões dos 4,7 milhões de veículos licenciados (numa conta que inclui carros de passeio, comerciais leves, motos, caminhões, ônibus e implementos rodoviários) tiveram uma parte do valor financiado, segundo a balanço divulgado pela B3, em janeiro. Ou seja, mais da metade dos veículos novos dependeram de dinheiro de banco para concluir a compra.
No segmento de usados, o percentual é menor. No mesmo balanço da B3, 4,6 milhões de veículos seminovos ou usados precisaram de financiamento. Mas o universo de veículos usados vendidos no período foi de 18,5 milhões de unidades. Ou seja, a dependência do financiamento entre os usados caiu para 24,8%.
E a razão é óbvia, com preços mais baratos, o esforço para comprar um carro usado é bem menor, que um automóvel novo. Mas há quem defenda o carro zero sob a ótica da longa durabilidade.
Segundo os participantes da enquete, que apostam no carro novo, a principal vantagem é eliminar o risco de má procedência, histórico de defeitos e colisões. “Comprei meu último carro zero em 2012 e estou com ele até hoje”, exemplifica um dos inscritos do canal. Vários outros comentários seguem a mesma tônica.
De fato, o carro zero nunca sofreu desgaste ou esteve exposto a riscos. Essa tranquilidade é difícil de se encontrar em um usado, mesmo que seja possível encontrar “moscas brancas” descansado em algumas garagens. Assim, há quem prefira gastar mais para não correr o risco de ser surpreendido comprando gato por lebre.
No entanto, muitos participantes, inclusive, defendem que a compra do modelo novo só é válida se o proprietário o mantiver por muito tempo. Comprar zero e trocar em seguida é considerado um mal negócio, devida a desvalorização imediata, assim que se tira o carro da loja.
E você, já comprou, ou tem interesse em comprar um carro zero?
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