Consórcios crescem na crise, mas vale a pena aderir?

Opção de compra ganha espaço com restrição ao crédito em outras modalidades. Saiba os prós e contras de comprar um carro participando de um consórcio

Por AutoPapo17/11/17 às 08h13

A crise nas vendas de automóveis abriram uma janela de oportunidades para as administradoras de consórcios. Com a liberação de crédito mais restrita para outras modalidades como o financiamento, as vendas por consórcios crescem desde maio de 2016. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), somente nos oito primeiros meses de 2017 o crescimento foi de 14,3%, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

consórcios
Hand holding keys to new red car. Buy or selling business composition

Porém, é preciso tomar alguns cuidados no momento de contratar um consórcio. Eis algumas dicas importantes:

  1. Investigar a saúde financeira da administradora de consórcio. Além disso, conferir no Banco Central se a empresa tem autorização para funcionar.
  2. Levar em conta os custos com a taxa de administração e fundo de reserva, além de comparar o custo final com outras modalidades, como financiamento e leasing, por exemplo.
  3. Não acredite em promessa de entrega programada ou contemplação garantida. O que determina a contemplação é o sorteio ou quem der um lance vencedor. Os prazos para contemplação, valores das taxas, da parcela mensal, número de participantes, cláusula de rescisão e o que acontece em caso de inadimplência devem ser bem explicados no contrato.
  4. Se algo não ocorrer corretamente denuncie a administradora do consórcio ao Banco Central e também procure as entidades de defesa do consumidor.

O consórcio é uma modalidade tipicamente brasileira, que surgiu junto com a indústria automobilística, na década de 1960. Já chegou a ser a principal forma de comprar um carro financiado, principalmente, nos períodos em que a inflação era altíssima, nos anos 80 e na primeira metade da década de 1990.

Tem vantagens e desvantagens. O lado positivo é não exigir renda mínima, nem parcelas intermediárias, nem juros. O negativo é que tem uma taxa de administração que pode ser pesada. E, ao contrário do financiamento tradicional, o consorciado corre o risco de pagar durante meses e meses sem receber o carro. Basta não ter o valor necessário para dar um lance vencedor numa assembleia. Ou ser muito azarado e sorteado apenas nos últimos meses.

patio carros loja compra venda mais vendidos consórcios

Recuperação dos consórcios

 Segundo dados da ABAC, até maio de 2016, as adesões estavam despencando, um reflexo da crise financeira. Naquele momento, no entanto, começou uma recuperação constante com um salto de 30% em agosto, quando o número de novas cotas mensais passou de 82,5 mil para 118 mil. Em 2017, após oscilações, o setor retomou o crescimento e em agosto ultrapassou, em 14,3%, o desempenho do mesmo período do ano anterior.

“O consumidor está substituindo o imediatismo do consumo com o planejamento financeiro que é característico do consórcio”, aponta o presidente  da ABAC, Paulo Roberto Rossi.

Rossi afirma ter observado uma mudança no comportamento do consumidor, que, na análise dele, se mostra mais ponderado e informado na hora de tomar decisões de compra.

Outro fator para o crescimento, segundo o presidente executivo da ABAC, foi o dinheiro injetado na economia com os saques das contas inativas do FGTS liberados no primeiro semestre deste ano.

A Disal Consórcio, uma administradora especializada na área de veículos, também surfa na boa onda para empresas de consórcio. A diretora de vendas e marketing, Luciana Precaro, revela que a empresa fez investimentos para alcançar um crescimento de 7% em 2017. Até outubro, no entanto, a Disal registrou um aumento de 9% em seu desempenho.

Para Reze, da Disal, dificuldade na liberação de crédito para financiamentos impulsionou os consórcios

A Disal foi durante 29 anos administradora de consórcios exclusiva da rede Volkswagen e passou a trabalhar com revendedores de todas as marcas de veículos. A participação de outras marcas já representa 60% dos negócios da Disal, que tem cerca de 200 mil cotas ativas e que representam 6% do mercado.

“As dificuldades de aprovação de financiamento para compra de veículo fazem com que a opção consórcio, que na realidade é uma poupança, tenha custo inferior em relação ao financiamento”, entende o diretor executivo da Disal, Sérgio Reze.

Comparada à recessão da indústria automobilística, que registrou queda no número de emplacamentos nos anos de 2013 a 2016, a Disal andou na contramão da crise. Em 2013, a administradora contabilizou um aumento de 13,8% no número de cotas ativas, enquanto o número de emplacamentos de veículos e comerciais leves caiu 1,61%, segundo dados da Fenabrave, ambos em comparação ao ano anterior.

A empresa seguiu crescendo nos anos seguintes, 27% em 2014, e 30% em 2015, ano em que o número de emplacamentos registrou sua maior queda durante o período de crise, diminuindo em 25,6%.

Veja mais sobre:


0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário