Fomos para Cuba

Por AutoPapo 26/11/16 às 08h00

Você pode idolatrar Fidel Castro, que morreu aos 90 anos, ou odiá-lo. Para o AUTOPAPO não importa.

Deixe de lado a política, os coxinhas, os mortadelas e vamos falar do que nos diz respeito: automóveis.

Os aficionados por carros devem colocar Cuba entre os destinos obrigatórios, pois o país é um legítimo museu automotivo a céu aberto.

O Boris esteve lá em março deste ano e voltou com uma certeza: o indiscutível talento dos mecânicos cubanos, pois conseguem manter rodando verdadeiras sucatas sobre rodas.

Leia o relato e veja as fotos que ele fez da viagem:

“São cerca de 50 mil “banheirões” norte-americanos, todos fabricados até o início da década de 60, quando os EUA cortaram relações diplomáticas e decretaram o embargo econômico ao país. Além deles, o que se vê hoje em Cuba são principalmente dois modelos compactos russos, o Lada e o Moskvitch. E alguns franceses, italianos e asiáticos, principalmente Kia e Hyundai. Ônibus e caminhões modernos são chineses.

Apesar do país ter aberto, há três anos, a possibilidade do livre comércio de automóveis, sua importação e exportação não tem volume significativo. A baixa renda da população impede o acesso aos automóveis importados e, embora várias fábricas estejam de olho neste mercado, há dificuldades burocráticas e falta infra-estrutura para o pós-venda (assistência técnica). E seu preço é muito elevado pois se paga impostos “Padrão Brasil”: um compacto importado não sai por menos que U$ 25 mil. Um Mercedes não chega lá por menos que U$ 100 mil.

Por outro lado, exportar os antigos é também quase impossível: os empecilhos do governo, o preço e o estado miserável de quase todos os carros norte-americanos não anima os colecionadores…

As fotos e vídeos dos automóveis que rodam em Cuba não revelam seu estado real de conservação e desanimam o colecionador, pois são muito raros os que mantem a originalidade. Os carros utilizados como táxis já tiveram a mecânica completamente alterada: motores a gasolina foram substituídos pelo diesel, mais barato e de menor consumo. A maioria roda com motor e câmbio Mercedes ou Mitsubishi.

A quase totalidade dos conversíveis não saíram assim da linha de montagem: tiveram seu teto cortado e adaptado em um tosco sistema para encaixar a capota de lona. Suspensão e freios são também adaptados na maioria deles. E, finalmente, seu preço é elevadíssimo, pelos padrões internacionais: um sedã de quatro portas norte-americano da década de 50 (Chevrolet, Ford, Buick, Oldsmobile) vale de 15 a 20 mil dólares, muito mais que um modelo similar nos EUA.

E, como originalidade não consta do cardápio, os cubanos vão no embalo da adaptação e quase todos são apaixonados por rodas mais largas e esportivas. Verdadeiro tiro de misericórdia do que se poderia manter de original no automóvel…”

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