Ford Mustang: europeização o salvou

Quem arrisca intimidades com o novo Ford Mustang se surpreende: ele deixou a formulação "americanalhada" e se aspirou ares europeus para acerto

Por Roberto Nasser15/07/18 às 20h50

Quem arrisca intimidades com o novo Ford Mustang se surpreende. O automóvel deixou a formulação “americanalhada” e se aspirou ares europeus para acerto e composição. Faz parte do projeto de internacionalização para deixar a exclusividade de ser carro dos locais Jim, Jack ou Bill, e também instigar o Giorgio, o François e o Hans na Europa. Eventualmente, os doutores Zé e Chico por aqui o preço os promove. Programa deu certo. Nos cortes de produção de veículos feitos pela Ford em seu processo de saneamento, Mustang foi poupado.

Primeiras 500 unidades do Mustang já foram vendidas
Fotos Ford | Divulgação

A postura de visar clientes diferentes com exigências próprias, mudou o produto, para muito melhor. O Mustang mantém a cara e a importância, a aparência agressiva, perfil e linhas de imagem esportiva, o funcionar sonoro, viril, exaurido por quatro tubos de escapamento, a pintura brilhante em cores marcantes, em especial vermelho, preto, amarelo. No perfeccionismo da manutenção da aura do automóvel, tomaram a versão 350 utilizada por Steve McQueen no mítico filme Bullit, mais identificada com a marca, mantiveram as lanternas traseiras em três elementos.

No processo de internacionalização, é automóvel bem acertado. E para o Brasil, idem. O Ford Mustang é importado em versão dita Premium, com motor V8, sem opções. Pacote completo, bem definido. Comparado com o concorrente Camaro, é mais potente, veloz, reativo, e barato em seus R$ 300 mil, preço para abertura de negócios.

Motor surpreende. O tradicional V8 5.0 foi intensamente modificado, e a potência, sempre na casa da segunda centena de cavalos, por desenvolvimento saltou para 466 cv a respeitáveis 7.000 rpm, perfil de motor europeu. É a terceira geração da família Coyote, bloco em alumínio, assinatura da “esportivização” real do motor, coisa do cliente europeu.

Há eletronização viva no Ford Mustang, desde a regulagem do motor, em sete padrões diferentes, de economia a esportivo, e a possibilidade de torná-lo silencioso para manobrar em condomínio ou andar com assinatura sonora em estrada livre.

Transmissão automática tem 10 marchas, também operáveis por alavanquinhas sob o volante – poderia ter menos para ser mais esportivo e de operação mais objetiva. Mas o interesse foi resultado direto ao usuário sem maior sensibilidade para operar, e a disponibilidade de tantas marchas e de elevado torque permite operar em baixas rotações – na prática, obter impensáveis marcas de economia: em cidade de trânsito civilizado mais de 8 km/litro.

Ford importá-lo-á em doses de 500 unidades. Primeira já foi absorvida.

Roda-a-Roda

Hyundai – Como usualmente descompromissada na difusão de informações no Brasil, Hyundai anunciou na Argentina dois novos produtos para nosso mercado: modelo pequeno, em nova plataforma, menor ante o Creta e HB20, e uma picape média.

De novo -Trata-o como A-Cuv. Letra A indica o segmento de carros pequenos e Cuv, apesar da sonoridade, o prefixo da sigla Compact Utility Vehicle. Veja-o como o Kwid Renault da Hyundai.

Que coisa – Sigla é da pior qualidade. Crítica da Coluna sobre a grosseira sonoridade fez Ford suprimi-la. Inibia as engenheiras no processo.

Mais – Quanto ao picape não será viabilização do modelo de estudo exibido como modelo de estudo sobre o Creta, mas produto grande, para concorrer com Toyota HiLux e sua turma.

Recorde – Fábrica no esquema 4.0, aços resistentes e leves, e a aura de quase um século de perseguição à tecnologia e qualidade, permitiram à Borgward comemorar produção da 100.000a unidade.

De novo – Recriada pelo neto Christian, quer aproveitar a aura da empresa de Bremen, Alemanha, pelo avô Carl Borgward. E na cidade alemã constrói fábrica para ser a referência de qualidade e processos.

Demora – O projeto da Renault em trazer seu recém-lançado esportivo Alpine para fazer prospecção de mercado no Brasil, estacionou, puxou o freio de mão, desligou os cabos da bateria, parqueou sobre cavaletes.

Alpine – adiamento pode ser bom (Foto Renault | Divulgação)

Bom – Razão simplória e surpresa: a produção está vendida pelos 19 concessionários na França e a área de exportações pelos próximos dois anos.

Mau? – Projeto para chegar ao mercado brasileiro foi delongado, com remotas chances de implementar a capacidade industrial da velha fábrica Alpine dos tempos do fundador Jean Rédélé – marca foi posteriormente comprada pela Renault, e o mito foi junto.

Ótimo – Há um lado bom no esticar o prazo: até lá deve estar acertado o acordo entre o Mercosul e União Européia, e assim preço final menor pela ausência do imposto de importação.

Amostra – Para instigar mercado, Renault levará exemplar de pré-série como atração em sua presença no Brazil’s Renault Classic Show, elegante encontro de veículos antigos a ser realizado em Araxá, MG, setembro. Quer vê-lo? Pinte lá.

Novo – Anúncio da FCA para participar do mercado de picapes no Brasil, embute decisão sobre três produtos: novo Strada – já em andamento; importação do RAM 1500 – ex-Dodge 1500; e a definição de picape para 1.000 kg de carga, modelo novo, inexistente no portfólio da empresa. Norte-americanos envolvidos no projeto tratam-no como Metric Ton. Curiosidade, mercado latino americano afinará visão da América superior.

Mudança – Teremos enormes alterações no mundo do automóvel nos próximos anos – desde a necessidade de tê-los, uso, manutenção -, até extinção de profissões a eles ligadas.

Paralelo – Enquanto Seu Lobo não vem, outra mudança se implanta no atual início de relações e conceitos – a distribuição dos combustíveis líquidos.

Direto – A decisão permitindo às usinas de álcool vender diretamente aos postos, eliminando os custos da desnecessária passagem por companhia distribuidora, deve ser seguida para a gasolina. E o Cade e a Agência Nacional do Petróleo estudam acabar com o monopólio da Petrobrás – empresa refina 95%, estudando abrir tal processo a outras refinarias e ter reajustes de preços com prazos programados.

Razão – Não há história melhor no automobilismo: a briga Ford versus Ferrari, motivada pelo desentendimento entre dois mandões personalistas. Henry Ford II, o neto, comandando a segunda maior produtora de veículos, e o turrão Enzo Ferrari, acionista maior à frente de sua marca, envolvida com corridas e fazendo esportivos para gerar recursos.

Ford GT 40: humilhando Ferrari em Le Mans

Italianice – À assinatura do contrato Enzo Ferrari saiu e não voltou à reunião -, e Ford II, embora ausente, viu como ofensa pessoal, e resolveu dar o troco – esmagar a Ferrari em seu ambiente, as pistas de corrida, em especial nas 24 Heures du Mans, a mítica corrida de resistência.

Solução – O caminho gerou carro, hoje em segunda reedição, então chamado Ford GT 40; abriu trilha pavimentada para Carrol Shelby transformar-se em pequeno industrial, trouxe vitórias para a Ford nas corridas de resistência.

Enfim – Virará filme, já em filmagem. O ator Matt Damon reviverá Shelby e com certeza gerará muita dramatização no reviver as disputas – vencidas pela Ford -, em Le Mans, entre 1966 e 1969.

Ascensão – Citroën, representada por DS 21 de 1966, com carroceria especial Le Léman Coupé pelo encarroçador Chapron, quebrou o encanto para marcas comuns e recentes estacionando no gramado 18 do campo de golfe de Pebble Beach, onde no 3º domingo de agosto no Concours d’Élegance, um dos mais esnobes encontros de veículos antigos.

Razão – Revolucionário em soluções, como a carroceria esculpida pelo ar, único sistema hidráulico para freios, direção, e a surpreendente hidro-suspensão, ao lançamento, em 1955 no Paris Auto Show, teve 80 mil encomendas.

Gente – Roberto Carvalho, ex GM Canadá, de volta. OOOO Diretor geral da BMW. OOOO Muita pedra a carregar: vendas; otimizar rede de revendas; definir novos produtos; acertar assistência técnica; trabalho em conjunto com a operação de montagem em Araquari, SC. OOOO BMW tropica no mercado. OOOO

Mercedes abre liderança

Com ampla folga, Mercedes CLA 180 lidera segmento

Lançado ao princípio do ano, o Mercedes CLA 180 tem sólida ascensão em vendas: triplicou-as relativamente às dos cinco primeiros meses do ano anterior. Numericamente significa reinar absoluto dentre os produtos da família C, os 200, 250 e AMG 45 4Matic, assinalando 80,1% das vendas. Quanto aos concorrentes principais, os também teutônicos sedãs de quatro portas da BMW Série 3 e Audi A3, liderança também é sólida: 74%. Na prática a soma dos concorrentes é inferior aos números de venda do CLA 180.

Razões da preferência estão em condições importantes: maior rede assistencial; linhas de sedã com morfologia de cupê; conforto construtivo. Mecânica é liderada por motor de quatro cilindros em linha, 1,6 litro de deslocamento, 16 válvulas, turbo, injeção direta. Gera 122 cv, mas o diferencial para agradabilidade de uso está nos 20 kgfm de torque, plano entre 1.250 e 4.000 rpm, permitindo garra para acelerar e usura em consumo. Agregado a transmissão automática com duas embreagens  7G-DCT, de sete velocidades, permite acelerar de 0 a 1000 km/h em 8,7 segundos e atingir pico final em 210 km/h.

Como equipamentos, dispõe de rodas em liga levo, aro 17”, sete bolsas de ar, incluindo laterais e uma para os joelhos do motorista, faróis e lanternas em LEDs High Performance. Fórmula integra o esforço de rejuvenescimento da marca, com “esportivização” das linhas, trabalhos de aerodinâmica, equipamentos de infordiversão cada vez mais demandados, como  o Apple CarPaly e Android Auto.

Preço auxilia na escolha: R$ 137.900.

Depois da Jeep, FCA investe na Fiat

FCA investe para trazer Fiat à liderança

Empresa aproveitou 42° aniversário da atividade industrial automobilística da Fiat para anunciar investimentos na marca: aplicará R$ 8 bilhões em cinco anos na planta de Betim, MG, base que assistiu aos investimentos para implantação da associada Jeep e ver sua liderança no segmento.

Aplicação de capital para o setor Fiat, inaugura novo ciclo para a marca e seus fornecedores, com indicativo sério, a criação de, pelo menos, 8.000 empregos.

Novo capital se destina a alavancar Fiat e seu leque de produtos, fortalecendo atividade no Brasil e na América Latina, corporificando 15 lançamentos até 2023, para cobrir segmentos onde não compete. Os investimentos tem endereço certo, o Polo Automotivo Fiat, em Betim, MG, maior fábrica da marca no mundo, tanto para dinamizar suas atividades quanto a dos fornecedores instalados ao seu redor.

Fiat capitaneou um processo de sobrevivência dito “mineirização”, constituindo-se em grande esforço para levar fornecedores a se instalar em Minas para eliminar logística, transporte e obter custos menores.

O grande esforço embute a determinação de voltar a ostentar título de muito orgulho, marca líder no Brasil.

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