Ford nega estar fazendo as malas para sair do Brasil

Apesar de acumular prejuízos na América do Sul, empresa desmente informações da agência Bloomberg e afirma que vai manter suas operações na região

Por Boris Feldman03/08/18 às 13h01

Republicamos no AutoPapo, ontem, informações da agência Bloomberg sobre os problemas da Ford no Brasil e na América do Sul. Contrariamos regra básica do jornalismo que é consultar a outra parte, a própria empresa. Ela reclamou e nos enviou o seguinte texto:

“A referida matéria é incorreta. A Ford não está considerando uma saída da América do Sul. Conforme já dito pela Companhia, os resultados financeiros na América do Sul estão abaixo do desempenho esperado e um redesenho de nosso modelo de negócios é necessário para determinar onde devemos participar e como podemos vencer neste mercado.”

É a segunda vez neste ano que altos executivos da Ford em Detroit mencionam seu desaponto com a performance da empresa na América do Sul. E anunciam medidas para resolver o problema. E a agência Bloomberg novamente publica que, entre as possibilidades imaginadas pela empresa seria encerrar as operações na região, o que implicaria na empresa sair do Brasil. Ou se associar com alguma concorrente.

Ford nega estar fazendo as malas para sair do Brasil

O porta-voz da Ford em Detroit, Brad Carrol, negou novamente a hipótese: “A Ford não está considerando deixar a América do Sul”. Mas Bob Shanks, seu diretor financeiro, ao analisar cada região em que a marca atua, afirmou que a América do Sul está entre as de pior performance. E deu os números: U$ 178 milhões de prejuízo no segundo trimestre de 2018. Ou seja, quase U$ 1,5 milhão de dólares por dia.

Não consultamos dessa vez a Ford pois a resposta seria, obviamente, a mesma de alguns meses atrás e de seu porta-voz nos EUA: “Não estamos saindo do Brasil”. Uma empresa não pode mesmo expor seus planos, principalmente se provocam imediata reação negativa do mercado.

Não acredito, pessoalmente, que a Ford vá sair do Brasil. O mais provável é reduzir drástica e estrategicamente sua presença. Fecha sua fábrica de caminhões, reduz a gama de automóveis, investe na produção de apenas dois ou três produtos rentáveis (Ka, Ecosport e Ranger) e importa os demais. Até porque, fechar as portas representaria incalculável prejuízo para indenizar sua rede de concessionários.

Este é, provavelmente, o redesenho mencionado na curta e nada explicativa nota enviada pela empresa. Na qual, aliás, admite ter sido incompetente e incapaz de driblar a concorrência. Ou não confessaria estar imaginando “como podemos vencer no mercado”…

Foto Ford | Divulgação

7 Comentários

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  • Edson Pereira 1 de outubro de 2018

    Acho bem difícil. A Ford sempre está na vanguarda de modelos, tecnologias, formas de pagamento tudo para conquistar o consumidor. E deixar o Brasil logo agora que trouxe o incrível Mustang?

  • Santos 30 de agosto de 2018

    Segundo o sindicato de Taubaté essa semana a ford Taubaté anunciou redução de 300 funcionários para o mês de outubro 2018, motivo baixa competitividade no mercado

  • Alvarenga 4 de agosto de 2018

    Se vai fechar mesmo eu não sei, mas sei que varios conhecidos meus que trabalhavam na fabrica de São Bernardo ja foram demitidos, inclusive das engenharias, dizem que ja demitiram uns 30% do efetivo e ainda vai mais.

  • Celio* 3 de agosto de 2018

    Se a Ford realmente deixar o Brasil ou até mesmo tiver que fechar “na marra”, será uma perda incalculável para a empresa e até mesmo para o nosso país.
    Então que deixem de lero lero e trabalhem com sabedoria e disposição.
    A pergunta que não quer calar é a seguinte: Se a Ford possui ótimos produtos, porque não vende bem?

    • Filipe 5 de agosto de 2018

      Tive um NF Sedan 2013 mexicano manual que foi fantástico. Fiquei 5 anos e foi meu melhor carro. Olha que já tive Toyota, Citröen e outros top de linha.
      A demora em resolver o problema de câmbio power shift drenou a confiança dos consumidores. Foram lerdos na tomada de decisão o que não poderia ocorrer numa grande empresa. ABS.

  • Kadu 3 de agosto de 2018

    Ela prega uma política de preços fora da realidade, o Focus 1.6 está acima de 78 mil, quando o preço deveria estar abaixo de 70 mil. Baixa para ver se não vai bombar de vender….

  • Júnior Medeiros 3 de agosto de 2018

    Kkkkkkkkkk Duvido que deixe o paraíso fiscal dos impostos! Volta quero ver…

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