Raid Estrada Real: antigos demonstram vitalidade nas rodovias mineiras

Evento organizado anualmente pelo Clube de Veículos Antigos de Minas Gerais levou dezenas de preciosidades à histórica cidade de Tiradentes

Por Alexandre Carneiro02/08/18 às 20h31

Quem gosta de carro, costuma gostar ainda mais de pegar a estrada com ele. Esse sentimento não muda naquelas pessoas que apreciam, em especial, os modelos antigos. Admirar estaticamente as linhas da carroceria, os cromados e todos os caprichos do interior do veículo é bom, mas não basta: é preciso sair dirigindo-o por aí. É justamente essa a filosofia do Raid Estrada Real, organizado anualmente na histórica cidade de Tiradentes (MG) pelo Clube de Veículos Antigos de Minas Gerais (MG), com o reconhecimento da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA). Neste ano, o evento chegou à terceira edição.

O Raid Estrada Real é, na verdade, um rali de regularidade, que percorre as belas estradas que circundam Tiradentes. “Nossa ideia é organizar encontros dinâmicos e fazer aquilo para o qual os carros foram projetados: rodar. E ainda valorizando as montanhas do nosso estado”, explica o médico cirurgião Gustavo Meyer, vice-presidente do CVA-MG.

Ao contrário do que ocorre em um rali de velocidade, nas provas de regularidade o objetivo não é acelerar ao máximo para chegar na frente dos demais competidores, e sim cumprir o itinerário com a maior exatidão possível dentro do tempo previsto pela organização. Andar mais rápido ou mais devagar que a velocidade média estipulada resulta em perda de pontos. No fim, vence quem for mais preciso.

Raid Estrada Real coloca antigos em movimento nas estradas mineiras
Pelo terceiro ano consecutivo, o Raid Estrada Real reuniu veículos antigos em Tiradentes Foto Alexandre Carneiro | AutoPapo

“A prova respeita a velocidade máxima determinada para as vias e todas as regras de trânsito. Não há ultrapassagens entre os participantes e, para serem inscritos, os carros têm que estar totalmente regulamentados”, afirma Meyer. “É um passeio planilhado, em clima familiar e muito saudável”, complementa.

O itinerário só é revelado pouco antes da largada, quando o piloto e o navegador recebem uma planilha com as rotas, as velocidades médias e o tempo estipulado para percorrer cada trecho. Os veículos saem um de cada vez, com um intervalo de um minuto entre eles.

O roteiro, como nas demais edições do evento, percorreu cerca de 200 quilômetros por rodovias pavimentadas. Neste ano, os veículos passaram pelas cidades de Barroso, Barbacena, Ressaquinha, Carandaí, Lagoa Dourada, Prados e Dores de Campos. Em todas elas, os antigos atraíram muita atenção de curiosos e aficionados.

Diversidade

Neste ano, o Raid Estrada Real reuniu 57 incritos, dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, dos quais 45 participaram da prova. Os veículos se caracterizaram pela diversidade: havia modelos nacionais e importados, cujos anos de fabricação variaram entre as décadas de 1950 e 1990.

“É um evento muito democrático: a exigência é que os carros tenham um mínimo de 25 anos de fabricação e alto índice de originalidade”, destaca o vice-presidente do CVA-MG. “Como é uma prova de regularidade, carros com características muitos diferentes podem disputar de igual para igual sem problema algum”, conclui.

Raid Estrada Real coloca antigos em movimento nas estradas mineiras
Chrysler Esplanada (à direita) foi considerado o melhor carro nacional do evento pelos organizadores Foto Alexandre Carneiro | AutoPapo

Meyer pontua que o objetivo do evento é manter viva a cultura e as memórias que envolvem o automóvel: “Quando a gente cultiva o antigomobilismo, a gente conserva os carros e preserva parte da história. E carro antigo tem tudo a ver com a família, a gente se reúne e encontra também os amigos”, diz.

Normalmente, o Raid Estrada Real ocorre no segundo trimestre, mas neste ano a prova foi realizada no dia 28 de julho: inicialmente marcado para o dia 26 de maio, o rali teve que ser adiado por causa da greve dos caminhoneiros. Apesar do imprevisto, os organizadores avaliam que o evento não foi prejudicado.

“Essa situação trouxe problema para alguns competidores, que não puderam mais participar, mas, em compensação, permitiu que outros pudessem se inscrever”, opina Meyer. “As pousadas de Tiradentes entenderam a situação excepcional e remarcaram as reservas dos participantes sem ônus”, acrescenta.

Resultados do 3º Raid Estrada Real

O vencedor da prova foi um raro Lancia Delta HF Integrale 1992, de Rodrigo Giordano e Marcel Fernandes. “Eles bateram recorde, pois nunca uma dupla havia perdido tão poucos pontos nos raids organizados pelo CVA: foram apenas 12 pontos durante toda a prova”, salienta o vice-presidente do CVA-MG.

Raid Estrada Real coloca antigos em movimento nas estradas mineiras
Lancia Delta Integrale HF 1992 (à esquerda) recebeu dois troféus: o de primeiro colocado no rali e o “Best of Show” Foto Alexandre Carneiro | AutoPapo

O segundo colocado foi um MP Lafer 1980, de Bernardo Santana e Eduardo Santana. Um Dodge Dart 1970, cujo piloto é o jornalista que vos escreve, e a navegadora é Luciana Mara de Freitas Souza, terminou na terceira posição. O Mercedes-Benz 500 SL 1992 de Paulo Bernardes e Guilherme Bernardes e o Dodge Charger R/T 1979 de Guilherme Machado e Matheus Machado finalizaram a prova em quarto e em quinto lugar, respectivamente.

Enquanto a maioria dos participantes utiliza, além da planilha, um aplicativo para auxiliar na navegação, algumas duplas preferem fazer o rali à moda antiga, apenas com um cronômetro. Entre esses competidores, que o CVA-MG classifica como Old School, os que obtiveram melhor colocação foram Gustavo Brasil e Mariella Moia, no décimo lugar geral, a bordo de um Volkswagen Gol Star 1990.

A organização premiou o veículo mais antigo a disputar a prova, uma picape Ford F-3 1951, de João Loschi. Também receberam troféus o melhor nacional, um Chrysler Esplanada 1968, de Tom Zé Chernicharo, e o melhor automóvel do evento, o chamado Best of Show, que no caso é o Lancia Delta HF Integrale 1992 que venceu o rali.

Como já ocorreu em outras edições do Raid estrada Real, foram concedidos ainda os troféus Batom e Espírito Esportivo. O primeiro ficou com Estelamares Doria, esposa do navegador Tilton Barros: ele enfrenta um problema de perda de visão, o que fez com ela tivesse que exercer dupla-função, dirigindo e verificando a planilha. Eles participaram a bordo de um Ford Escort L 1986. Já o segundo foi para Toshi Noce, que construiu o carro no qual disputou o rali: uma réplica do esportivo Lotus 7, com base em um projeto da Caterham.

Confira a galeria de fotos com todos os premiados e vários outros participantes:

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