A antiga gasolina azul não tinha etanol e era sinônimo de status
Até 1982 o combustível brasileiro trazia duas opções principais, sendo um mais voltado para carros com motores potentes
Publicado em 28/07/2026 às 18h00
Quem curte carros antigos sabe bem que carros potentes como o Dodge Charger R/T só podiam ser abastecidos com “gasolina azul”. Esse também era o combustível usado em modelos preparados e pelos importados.
Esse era o nome dado para a gasolina de alta octanagem na década de 1970, pois trazia corante azul para se diferenciar da comum. A de baixa octanagem era apelidada de “gasolina amarela”.
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Essa gasolina azul tinha 95 octanas RON, enquanto a comum da época era de 87 octanas RON. Carros com taxa de compressão elevada, como o Dodge Charger R/T que citamos, exigiam esse combustível para funcionar adequadamente.
A gasolina azul não tinha etanol

A gasolina vendida no Brasil até 1981 trazia o chumbo tetraetila como elemento antidetonante. Poderia haver uma mistura de até 5% de etanol, mas era apenas para dar vazão ao excedente na produção de cana de açúcar.
A gasolina azul era dessa fase, ainda com chumbo. A diferença dela para a comum estava na formulação e, por isso, custava mais caro que a “amarela.
O fim da gasolina azul
A primeira crise do petróleo, no início dos anos 70, incentivou o uso do etanol como combustível no Brasil. Nosso país já era líder na produção da cana de açúcar e esse combustível ainda trazia a vantagem de ser mais limpo nas emissões.
O Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi criado em novembro de 1975 para incentivar a indústria. O primeiro carro movido a esse combustível foi o Fiat 147, lançado em 1979.

Em 1982 o governo decretou o fim da gasolina azul quando passou a adicionar 12% de etanol ao combustível. Com isso a nossa gasolina comum passou a ter as mesmas 95 octanas RON do antigo combustível de alta octanagem.
Quem tinha carros mais fortes precisou realizar apenas um ajuste no carburador para deixar a mistura mais “gorda”. Isso colocou um fim na distinção entre as gasolinas, a bola da vez no mercado de preparação e nos carros de corrida passou a ser o etanol.
Atualmente a gasolina brasileira possui octanagem de 91 RON, a premium tem 98 RON, a Podium da Petrobras tem 102 RON e a OctaPro da Ipiranga tem 103 RON. Todos os carros vendidos no país já podem usar a comum, até mesmo os importados de luxo.
As gasolinas premium ou superiores têm a diferença de seguir com 25% de etanol na mistura, contra os 32% da comum. Essa diferença pode ajudar em motores mais antigos ou em esportivos.
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